Trabalhemos todos, pela Unificação do movimento espírita!!

O Espiritismo é uma questão de fundo; prender-se à forma seria puerilidade indigna da grandeza do assunto. Daí vem que os centros que se acharem penetrados do verdadeiro espírito do Espiritismo deverão estender as mãos uns aos outros, fraternalmente, e unir-se para combater os inimigos comuns: a incredulidade e o fanatismo.”

“Dez homens unidos por um pensamento comum são mais fortes do que cem que não se entendam.”
Allan Kardec (Obras Póstumas – Constituição do Espiritismo – Item VI).



sexta-feira, 10 de outubro de 2008

ESTREVISTAS

ENTREVISTA ORIGINAL CONCEDIDA POR BEZERRA DE MENEZES A REVISTA “REFORMADOR”, ÓRGÃO DE DIVULGAÇÃO DA FEB, EM 15 DE OUTUBRO DE 1892.
Acompanhe então esse diálogo com Bezerra de Menezes, que nos faz conhecer um pouco mais do homem por trás de sua grande obra.

QUE ORIENTAÇÃO RELIGIOSA O SENHOR HERDOU DÓ BERÇO FAMILIAR?
Nasci e criei-me, até os 18 anos, no seio de uma família tradicionalmente católica, que levava a sua crença até a aceitação de um absurdo, por mais repugnante' que fosse, imposto à fé passiva dos crentes, pela Igreja romana.

QUAIS ENSINAMENTOS RECEBIDOS DA RELIGIÃO CATÓLICA O SENHOR GUARDA?
Aprendi aquela doutrina e acostumei-me às suas práticas, mas empiricamente, sem procurar a razão da minha crença. Dois pontos, entretanto, me apareciam luminosos no meio daquela névoa, eram: a existência da alma, responsável por Suas obras; e a de Deus, criador da alma e de tudo o que existe. Ao demais, eu consi­derava sagrado tudo o que meus pais me ensinavam a crer e a praticar: a religião católica, apostólica, romana.

QUANDO O SENHOR AFASTOU-SE DAS PRÁTICAS CATÓLICAS?
Aos 19 mos, e naquela disposição de es­pírito, deixei a casa paterna para vir fazer meus estudos na capital do Império Rio de Janeiro na época, onde vivi, mesmo ao tempo de estudante, sem ter a quem prestar obediência. Continuei na crença e práticas religiosas que eu trouxe do berço, mas na convivência com meus colegas, em sua maior parte livres-pensadores - ateus-, comecei batendo-me com eles e acabei con­corde com eles, parecendo-me eminente não ter a gente que prestar contas de seus atos.

E ESSA MUDANÇA FOI DIFÍCIL?

Não foi difícil, pela razão de minha crença católica não ser firmada em fé raciocinada.
Mas, apesar disso, a mudança não foi ra­dical, porque nunca pude banir de todo a crença em Deus e na alma, Houve enfim uma perturbação e dela nasceu a dúvida. Fiquei mais cético do que cristão, e cristão somente devido aqueles dois pontos (a exis­tência da alma e de Deus). Em todo caso, deixei de ser católico e via os meus dois pontos luminosos por entre as nuvens.

APÓS ESSA MUDANÇA DE PENSA­MENTOS, EM ALGUM MOMENTO O SENHOR RETORNOUÀS PRÁTICAS CATÓLICAS?
Casei-me com Uma moça católica, a quem amava de coração. Sempre res­peitei suas crenças, guardando, no seio da minha alma, a descrença. No fim de quatro anos, fui subitamente batido pelo tufão da maior adversidade que me podia sobrevir: minha mulher foi-me roubada pela morte, deixando-me dois filhinhos, um de três anos e outro de um. Aquele fato produziu-me um abalo físico e moral de prostrar-me. Sempre gostei de escrever, mas inutilmente tentava fazê-lo, porque no fim de poucas linhas, tédio mortal apoderava-se de mim. O mesmo acontecia em relação à leitura. Abria um e outro livro sobre ciência, literatura, O que quer que fosse, mas não tolerava a leitura de uma página sequer. Um dia meu companheiro de consultório trouxe-me um exemplar da Bíblia do padre Pereira de Figueiredo, entremeada de figuras finíssimas.

E QUAL FOI ASUA REAÇÃO?
Tomei o livro não para ler - pois já não tentava semelhante exercício -, mas para ver as figuras, com verdadeira curiosidade infantil. Passei todas em revista, mas, no fim, senti desejo de ler aquele livro que encerrava minhas perdidas crenças, e era uma vergonha, para um homem de letras, dizer que nunca o lera. Comecei, pois, e esqueci-me a ler o belo livro, até perder a condução para minha casa. Depois disso, sentia prazer em pensar que voltaria a lê-lo! Eu mesmo fiquei surpreendido com o que se passava em mim! Li toda a Bíblia e, quanto mais lia, mais vontade tinha de continuar, sentindo doce conso­lação com aquela leitura. Quando acabei, sentia a necessidade de crer, não dessa crença imposta pela fé, mas da crença firmada na razão e na consciência. Onde descobrir-Ihe a fonte? Atirei-me à leitura dos livros sagrados, corri ardor, com sede, nas sempre havia uma falha ao que meu espírito reclamava.

E COMO TEVE CONTATO COM AS PRIMEIRAS NOTÍCIAS SOBRE O ES­PIRITISMO?
Começaram a aparecer as primeiras notas espíritas no Rio de Janeiro, mas eu repelia semelhante Doutrina sem conhecê-la nem de leve! Somente porque temia que ela perturbasse a paz que me trouxera ao espírito a minha volta à religião de meus maiores, embora com restrições.

QUANDO ACONTECEU SEU VERDA­DEIRO CONTATO COM A DOUTRINA ESPÍRITA?
Um colega (Joaquim Carlos Travassos) ten­do traduzido O Livro dos Espíritos, de Allan Kardec, presenteou-me com um exemplar, que aceitei, por cortesia. Deu-me na cidade e eu morava na Tijuca, à uma hora de viagem de bonde. Embarquei com o livro e, não tendo distração para a longa e fastidiosa viagem, disse comigo: "Ora, adeus! Não hei de ir para o inferno por ler isto, e, depois, é ridículo confessar-me ignorante de uma filosofia, quando tenho estudado todas as escolas filosóficas. Pensando assim, abri o livro e prendi-me a ele, como acontecera com a Bíblia. Lia, mas não encontrava nada que fosse novo para meu espírito, e, entretanto, tudo aquilo era novo para mim! Dava-se em mim o que acontece, muitas vezes, a quem muito lê, e que um dia encontra uma obra onde depara com idéias que já leu, mas não sabe em que autor. Eu já tinha lido ou ouvido tudo o que se acha em O Livro dos Espíritos, mas com certeza nunca tinha lido nenhuma obra espírita. Portanto, era-me impossível descobrir onde e quando me fora dado o conhecimento de semelhantes idéias! Preocupei-me seriamente com esse fato que me era maravilhoso. Dizia a mim mesmo: Parece que eu era espírita inconsciente, ou, como se diz vulgarmente, de nascença, e que todas essas vacilações que sentia meu espírito eram marchas e contramarchas que ele fazia, por descobrir o que lhe era conhecido e, porventura, obrigado a isto.

A LEITURA DE O LIVRO DOS ESPÍRI­TOS FOI SUFICIENTE PARA FIRMAR SUA CRENÇA NO ESPIRITISMO?
Apesar de convencido da verdade do Espi­ritismo, nunca tinha assistido a qualquer trabalho experimental, confirmativo se­quer da comunicação dos Espíritos. Tendo sido atacado de dispepsia (mal-estar na parte superior do abdômen ou no peito, causando gases, sensação de estar cheio e uma dor corrosiva no estômago), que me reduziu a um estado desesperador. A medicina oficial não me proporcionou o menor alívio, apesar de ter recorrido aos primeiros médicos desta capital. Depois de um tratamento de cinco anos, resolvi recorrer a um médium receitista, de quem muito se falava, o senhor João Gonçalves do Nascimento.

O SENHOR ACREDITAVA QUE O TRATAMENTO MEDIÚNICO PODERIA LHE CURAR?
Não acreditava nem deixava de acreditar na medicina medianímica. Confesso que propendia mais para a crença de que o tal médium era um especulador. Em de­sespero de causa, porém, eu recorreria a ele, mesmo que soubesse ser um curan­deiro. Tentava um recurso desesperado, e fazia uma experiência sobre a mediu­nidade receitista. Era preciso, porém, visto que se tratava de uma experiência, que eu tomasse todas as cautelas, para que ela me pudesse dar uma convicção fundada. Combinei com o doutor Maia de Lacerda, completamente desconhecido do tal médium, que ele fizesse pessoalmente a consulta, aconselhei-lhe que prestasse atenção ao trabalho do médium enquanto este escrevesse, e pedisse-lhe o papel logo que acabasse de escrever, porque bem podia ter ele (o médium) um médico hábil, por detrás do reposteiro, que lhe arranjasse aquelas peças.

O QUE O MÉDIUM DISSE A RESPEITO DE SUA ENFERMIDADE?
Lacerda fez como lhe recomendei. Trouxe-­me o que o médium escreveu a meu respeito. Tomei o papel que dizia: O teu órgão, meu amigo (era o Espírito que falava ao médium), não é suficiente para satisfazer este consulente, atenta às circunstâncias de sua elevada posição social (eu era membro da Câmara dos Deputados), e principalmente de sua proficiência médica. Entretanto, como não dispomos de outro, faremos com ele o mais que pudermos. E seguia-se uma descrição minuciosa de meus sofrimentos e suas causas determinantes, tão exatos aqueles, quanto perfeitamente fisiológicas estas. Não posso descrever o abalo que me produziu este fato estupendo! Segui o tratamento espírita, e o que os mestres da ciência não conseguiram em cinco anos, Nascimento obteve em três meses. Duran­te esse período, não estava completamente curado, mas estava forte, comia e dormia perfeitamente bem, era um homem válido, em vez de um enfermo. Continuei, com toda a confiança, aquele tratamento, e, em menos de um ano, achei-me bem.

ALÉM DESSE FATO, ALGUM OUTRO CONTRIBUIU PARA CONSOLIDAR SUA CRENÇA NA DOUTRINA DOS ESPÍRITOS?
Logo após esse fato, minha segunda mu­lher foi condenada como tuberculosa por importantes médicos. Consultei o médium Nascimento, com as precisas cautelas, para ele não saber de quem se tratava: Enganam-se os médicos que diagnosti­caram tuberculose (quem lhe disse que os médicos haviam feito tal diagnóstico?). Seu sofrimento é puramente uterino, e, se for convenientemente tratada, será cura­da. Se os médicos soubessem a relação que existe entre o útero, o coração e o pulmão esquerdo, não cometeriam erros como esse. Sujeitei a minha doente, que já tinha febres, suores e todos os sinais da doença em grau avançado, ao tratamento espírita. Em poucos meses, tudo aquilo desapareceu, e já são decorridos dez anos, durante os quais ela tem tido e criado quatro filhos, sem mais sentir nenhum incômodo nos pulmões.

QUE FATO DE SUA EXPERIÊNCIA PESSOAL MAIS O IMPRESSIONOU NO ESPIRITISMO?
Nada me impressionou mais do que ver um homem, sem conhecimentos médicos e até sem instrução regular, discorrer sobre moléstias, com proficiência ana­tômica e fisiológica, sem titubear, como bem poucos médicos o podem fazer. Mais do que isto, porém, é, para impressionar, ver dizer de um indivíduo, que não se co­nhece, que não se examina, de quem não se sabe senão que ele se chama Pedro ou Paulo e tem tantos anos de idade, dizer". em tais condições, que sofre de tais moléstias, com tais e tais complicações, por tais e tais causas, e confirmar o diagnós­tico pelo resultado eficaz do tratamento aplicado naquele sentido.

AS SUAS OPINIÕES RELIGIOSAS FO­RAM ALTERADAS MEDIANTE ESSES EPISÓDIOS. ACARRETARAM PARA O SENHOR ALGUMA MUDANÇA FÍSICA OU MORAL?

Não senti nenhuma influência física, porém, moralmente, sou outro homem. Minha alma encontrou finalmente onde pousar, tendo deixado os espaços agitados pelo vendaval da descrença, da dúvida, do ceticismo, que devasta, que esteriliza, que calcina, se assim me posso exprimir, recordando as torturas de quem sente a necessidade de crer, mas não encontra onde assentar sua crença. E não encontra­va onde assentar minha crença, porque o ensino de Jesus - que uma força intrínse­ca, uma disposição psíquica me levaram a procurar; como o navegante perdido na vastidão dos mares procura o norte - era­ me oferecido sob um aspecto impossível de acomodar-se com um sentimento ínti­mo, instrutivo, exato, que me desse a razão e a consciência de ali estar a verdade, mas a verdade não é aquilo.

APÓS CONHECER O ESPIRITISMO, QUAL SUA OPINIÃO SOBRE A IGREJA?

Ah! A Igreja romana! A Igreja romana I O Cristianismo nunca terá tão formidável inimigo! O materialismo nunca terá aliado tão prestimoso!
COMO O SENHOR AVALIA SUA TRANSIÇÁO DO CATOLICISMO PARA O ESPIRITISMO?
Posso dizer o 'meu' credo espírita, com aplauso de minha consciência, e não por força de uma autoridade que se arroga o direito de impor a fé. Nestas condições, tendo encontrado a linfa que me saciou a sede de crer, posso ser mais o que era antes? A moral cristã, iluminada pelos inefáveis princípios do Espiritismo, não pode deixar de modificar, para melhor, quem a cultiva não somente por dever, mas também e principalmente por nela ter encontrado a paz do espírito! Não me posso julgar, sem incorrer em orgulho ou falsa modéstia, mas posso assegurar que já compreendo os meus deveres para com Deus, para com os meus semelhantes, de um modo diverso, acentuadamente mais elevado, que antes de ser espírita. É lícito dizer que as novas opiniões acarretaram para mim sensível modificação moral. E, para confirmá-Io, basta consignar este fato: antes de ser espírita, só o pensar em perder um filho fazia-me mentalmente blasfemar, punha-me louco. Depois de ser espírita, tendo perdido quatro filhos adorados, depois de criados, louvava e agradecia ao Pai de amor, provando, por aquele modo, minha obediência a seus sacrossantos decretos.


Francisco Rebouças

Brasil coração do mundo...

https://youtu.be/_a9tpJnGcbw

Homenagem a Chico Xavier

Haroldo Dias Dutra - As cartas de Paulo

Haroldo Dutra - Jesus o Médico da Almas

https://youtu.be/Uk7OUvyGCZU



Divaldo Franco

https://youtu.be/OVbstbRFs9M

Entrevista sobre Emmanuel, Joanna de Ângelis...

Reencarnação é uma realidade

Palestra O trabalho no Bem - Cristiane Parmiter

Palestra: As Leis Divinas e nós - Cristiane Parmiter

Palestra: Benevolência - Cristiane Parmiter

Palestra: Jesus e o Mundo - Cristiane Parmiter

Palestra: A Dinâmica do Perdão - Cristiane Parmiter

Palestra: Perante Jesus - Cristiane Parmiter

Palestra AVAREZA - Cristiane Parmiter

Palestra Obediência Construtiva - Cristiane Parmiter

Palestra Tribulações - Cristiane Parmiter

Palestra Conquistando a Fé - Cristiane Parmiter

Palestra Humildade e Jesus - Cristiane Parmiiter

Palestra Renúncia - Cristiane Parmiter

Rádios Brasil

Simplesmente Espetacular!!!

Professora Amanda Gurgel

Andrea Bocelli & Sarah Brightman - Time To Say Goodbye

De Kardec aos dias de hoje

Madre Teresa

As Mães de Chico Xavier

Reencarnação - Menino Piloto

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Muitas Vidas

Espiritismo: família de Andrea Maltarolli mantém contato com a autora - Mais Você - GLOBO

Divaldo Franco

ESPIRITISMO - CHICO XAVIER - REPORTAGEM DO FANTASTICO - OS SEGREDOS DE CHICO

Entrevista com Divaldo Franco

Sobre Emmanuel, Joanna de Ângelis, e muito mais, confira. 1ª Parte 2ª Parte

Oração de Gratidão - Divaldo Franco

Chico Xavier

Chico Xavier no Fantástico

Chico Xavier (2010) trailer oficial

Página de Mensagens

Nesta página estarei lançando variadas páginas de conteúdo edificante para nosso aprendizado.

Francisco Rebouças.

1-ANTE A LIÇÃO

"Considera o que te digo, porque o Senhor te dará entendimento em tudo".- Paulo. II TIMÓTEO. 2:7.

Ante a exposição da verdade, não te esquives à meditação sobre as luzes que recebes.

Quem fita o céu, de relance, sem contemplá-lo, não enxerga as
estrelas; e quem ouve uma sinfonia, sem abrir-lhe a acústica da alma, não lhe percebe as notas divinas.

Debalde escutarás a palavra inspirada de pregadores ardentes, se não descerrares o coração para que o teu sentimento mergulhe na claridade bendita daquela.

Inúmeros seguidores do Evangelho se queixam da incapacidade de retenção dos ensinos da Boa Nova, afirmando-se ineptos à frente das novas revelações, e isto porque não dispensam maior trato à lição ouvida, demorando-se longo tempo na província da distração e da leviandade.

Quando a câmara permanece sombria, somos nós quem desata o ferrolho à janela para que o sol nos visite.

Dediquemos algum esforço à graça da lição e a lição nos responderá com as suas graças.

O apóstolo dos gentios é claro na observação. "Considera o que te digo, porque, então, o Senhor te dará entendimento em tudo."

Considerar significa examinar, atender, refletir e apreciar.

Estejamos, pois, convencidos de que, prestando atenção aos
apontamentos do Código da Vida Eterna, o Senhor, em retribuição à nossa boa-vontade, dar-nos-á entendimento em tudo.

Livro: Fonte Viva
Chico Xavier/Emmanuel

NO CAMPO FÍSICO

"Semeia-se corpo animal, ressuscitará corpo espiritual." - Paulo. (I CORÍNTIOS, 15:44.)

Ninguém menospreze a expressão animal da vida humana, a pretexto de preservar-se na santidade.

A imersão da mente nos fluidos terrestres é uma oportunidade de sublimação que o espírito operoso e desperto transforma em estruturação de valores eternos.

A sementeira comum é símbolo perfeito.

O gérmen lançado à cova escura sofre a ação dos detritos da terra, afronta a lama, o frio, a resistência do chão, mas em breve se converte em verdura e utilidade na folhagem, em perfume e cor nas flores e em alimento e riqueza nos frutos.

Compreendamos, pois, que a semente não estacionou. Rompeu todos os obstáculos e, sobretudo, obedeceu à influência da luz que a orientava para cima, na direção do Sol.

A cova do corpo é também preciosa para a lavoura espiritual, quando nos submetemos à lei que nos induz para o Alto.

Toda criatura provisoriamente algemada à matéria pode aproveitar o tempo na criação de espiritualidade divina.

O apóstolo, todavia, é muito claro quando emprega o termo "semeia-se". Quem nada planta, quem não trabalha na elevação da própria vida, coagula a atividade mental e rola no tempo à maneira do seixo que avança quase inalterável, a golpes inesperados da natureza.

Quem cultiva espinhos, naturalmente alcançará espinheiros.

Mas, o coração prevenido que semeia o bem e a luz, no solo de si mesmo, espere, feliz, a colheita da glória espiritual.

E N T R E I R M Ã O S
Olympia Belém (Espírito)[1]

Estes são tempos desafiadores para todos os que buscam um mundo melhor, onde reine o amor, onde pontifique a fraternidade, onde possam florir os mais formosos sentimentos nos corações.
Anelamos por dias em que a esperança, há tanto tempo acariciada, possa converter-se em colheita de progressos e de paz.
Sonhamos com esse alvorecer de uma nova era em que o Espiritismo, transformado em religião do povo, apresentando Jesus às multidões, descrucificado e vivo, possa modificar as almas, para que assumam seu pujante papel de filhas de Deus no seio do mundo.
Entrementes, não podemos supor que esses ansiados dias estejam tão próximos, quando verificamos que há, ainda, tanta confusão nos relacionamentos, tanta ignorância nos entendimentos, tanta indiferença e ansiedade nos indivíduos, como se vendavais, tufões, tormentas variadas teimassem em sacudir o íntimo das criaturas, fazendo-as infelizes.
A fim de que os ideais do Cristo Jesus alcancem a Terra, torna-se indispensável o esforço daqueles que, tendo ouvido o cântico doloroso do Calvário, disponham-se a converter suas vidas na madrugada luminosa do Tabor.
O mundo terreno, sob ameaças de guerras e sob os rufares da violência, em vários tons, tem urgência do Mestre de Nazaré, ainda que O ignore em sua marcha atordoada, eivada do materialismo que o fascina, que o domina e que o faz grandemente desfigurado, por faltar sentido positivo e digno no uso das coisas da própria matéria.
Na atualidade, porém, com as advertências da Doutrina dos Espíritos, com essa luculenta expressão da misericórdia de Deus para com Seus filhos terrenos, tudo se torna menos áspero, tudo se mostra mais coerente, oferecendo-nos a certeza de que, no planeta, tudo está de conformidade com a lei dos merecimentos, com as obras dos caminheiros, ora reencarnados, na estrada da suspirada libertação espiritual.
"A cada um segundo as suas obras" aparece como canto de justiça e esperança, na voz do Celeste Pastor.
Hoje, reunidos entre irmãos, unimo-nos aos Emissários destacados do movimento de disseminação da luz sobre as brumas terráqueas, e queremos conclamar os queridos companheiros, aqui congregados, a que não se permitam atormentar pelos trovões que se fazem ouvir sobre as cabeças humanas, ameaçadores, tampouco esfriar o bom ânimo, considerando que o Cristo vela sempre. Que não se deixem abater em razão de ainda não terem, porventura, alcançado as excelentes condições para o ministério espírita, certos de que o tempo é a magna oportunidade que nos concede o Senhor. Que ponham mãos à obra, confiantes e vibrantes, certos de que os verdadeiros amigos de Jesus caminham felizes, apesar das lutas e das lágrimas, típicas ocorrências das experiências, das expiações e das provas.
Marchemos devotados, oferecendo, na salva da nossa dedicação, o melhor que o Espiritismo nos ensina, o melhor do que nos apresenta para os que se perdem nas alamedas do medo, da desesperança e da ignorância a nossa volta.
Hoje, entre os amigos espíritas, encontramos maior ânimo para a superação dos nossos próprios limites, o que configurará, ao longo do tempo a superação dos limites do nosso honroso Movimento Espírita.
Sejamos pregadores ou médiuns, evangelizadores, escritores ou servidores da assistência social, não importa. Importa que nos engajemos, todos, nos labores do Codificador, plenificando-nos da grande honra de cooperar com os excelsos interesses do Insuperado Nazareno.
O tempo é hoje, queridos irmãos. O melhor é o agora, quando nos entrelaçamos para estudar, confraternizar e louvar a Jesus com os corações em clima festivo.
Certos de que o Espiritismo é roteiro de felicidade e bandeira de luz, que devemos içar bem alto sobre o dorso do planeta, abracemo-nos e cantemos, comovidos: Louvado seja Deus! Louvado seja Jesus!
Com extremado carinho e votos de crescente progres­so para todos, em suas lidas espiritistas, quero despedir-me sempre devotada e servidora pequenina.
Olympia Belém.

[1]
- Mensagem psicografada pelo médium J. Raul Teixeira no dia 03.09.95, no encerramento da X Confraternização Espírita do Estado do Rio de Janeiro.

O TEMPO

“Aquele que faz caso do dia, patrão Senhor o faz.” — Paulo. (ROMANOS, capítulo 14, versículo 6.)

A maioria dos homens não percebe ainda os valores infinitos do tempo.
Existem efetivamente os que abusam dessa concessão divina. Julgam que a riqueza dos benefícios lhes é devida por Deus.
Seria justo, entretanto, interrogá-los quanto ao motivo de semelhante presunção.
Constituindo a Criação Universal patrimônio comum, é razoável que todos gozem as possibilidades da vida; contudo, de modo geral, a criatura não medita na harmonia das circunstâncias que se ajustam na Terra, em favor de seu aperfeiçoamento espiritual.
É lógico que todo homem conte com o tempo, mas, se esse tempo estiver sem luz, sem equilíbrio, sem saúde, sem trabalho?
Não obstante a oportunidade da indagação, importa considerar que muito raros são aqueles que valorizam o dia, multiplicando-se em toda parte as fileiras dos que procuram aniquilá-lo de qualquer forma.
A velha expressão popular “matar o tempo” reflete a inconsciência vulgar, nesse sentido.
Nos mais obscuros recantos da Terra, há criaturas exterminando possibilidades sagradas. No entanto, um dia de paz, harmonia e iluminação, é muito importante para o concurso humano, na execução das leis divinas.
Os interesses imediatistas do mundo clamam que o “tempo é dinheiro”, para, em seguida, recomeçarem todas as obras incompletas na esteira das reencarnações... Os homens, por isso mesmo, fazem e desfazem, constroem e destroem, aprendem levianamente e recapitulam com dificuldade, na conquista da experiência.
Em quase todos os setores de evolução terrestre, vemos o abuso da oportunidade complicando os caminhos da vida; entretanto, desde muitos séculos, o apóstolo nos afirma que o tempo deve ser do Senhor.

Livro: Caminho Verdade e Vida.
Chico Xavier/Emmanuel.

NISTO CONHECEREMOS

"Nisto conhecemos o espírito da verdade e o espírito do erro." (I JOÃO, 4:6.)

Quando sabemos conservar a ligação com a Paz Divina, apesar de todas as perturbações humanas, perdoando quantas vezes forem necessárias ao companheiro que nos magoa; esquecendo o mal para construir o bem; amparando com sinceridade aos que nos aborrecem; cooperando espiritualmente, através da ação e da oração, a benefício dos que nos perseguem e caluniam; olvidando nossos desejos particulares para servirmos em favor de todos; guardando a fé no Supremo Poder como luz inapagável no coração; perseverando na bondade construtiva, embora mil golpes da maldade nos assediem; negando a nós mesmos para que a bênção divina resplandeça em torno de nossos passos; carregando nossas dificuldades como dádivas celestes; recebendo adversários por instrutores; bendizendo as lutas que nos aperfeiçoam a alma, à frente da Esfera Maior; convertendo a experiência terrena em celeiros de alegrias para a Eternidade; descortinando ensejos de servir em toda parte; compreendendo e auxiliando sempre, sem a preocupação de sermos entendidos e ajudados; amando os nossos semelhantes qual temos sido amados pelo Senhor, sem expectativa de recompensa; então, conheceremos o espírito da verdade em nós, iluminando-nos a estrada para a redenção divina.

DOUTRINAÇÕES

"Mas não vos alegreis porque se vos sujeitem os espíritos; alegrai-vos, antes, por estarem os vossos nomes escritos nos céus." — Jesus. (LUCAS, capítulo 10, versículo 20.)

Freqüentemente encontramos novos discípulos do Evangelho exultando de contentamento, porque os Espíritos perturbados se lhes sujeitam.

Narram, com alegria, os resultados de sessões empolgantes, nas quais doutrinaram, com êxito, entidades muita vez ignorantes e perversas.

Perdem-se muitos no emaranhado desses deslumbramentos e tocam a multiplicar os chamados "trabalhos práticos", sequiosos por orientar, em con-tactos mais diretos, os amigos inconscientes ou infelizes dos planos imediatos à esfera carnal.

Recomendou Jesus o remédio adequado a situações semelhantes, em que os aprendizes, quase sempre interessados em ensinar os outros, esquecem, pouco a pouco, de aprender em proveito próprio.

Que os doutrinadores sinceros se rejubilem, não por submeterem criaturas desencarnadas, em desespero, convictos de que em tais circunstâncias o bem é ministrado, não propriamente por eles, em sua feição humana, mas por
emissários de Jesus, caridosos e solícitos, que os utilizam à maneira de canais para a Misericórdia Divina; que esse regozijo nasça da oportunidade de servir ao bem, de consciência sintonizada com o Mestre Divino, entre as certezas
doces da fé, solidamente guardada no coração.

A palavra do Mestre aos companheiros é muito expressiva e pode beneficiar amplamente os discípulos inquietos de hoje.

Livro: Caminho Verdade e Vida.

Chico Xavier/Emmanuel.

FILHOS DA LUZ

FILHOS DA LUZ"Andai como filhos da luz." - Paulo.

(EFÉSIOS, 5:8.)Cada criatura dá sempre notícias da própria origem espiritual.

Os atos, palavras e pensamentos constituem informações vivas da zona mental de que procedemos.

Os filhos da inquietude costumam abafar quem os ouve, em mantos escuros de aflição.

Os rebentos da tristeza espalham o nevoeiro do desânimo.

Os cultivadores da irritação fulminam o espírito da gentileza com os raios da cólera.

Os portadores de interesses mesquinhos ensombram a estrada em que transitam, estabelecendo escuro clima nas mentes alheias.

Os corações endurecidos geram nuvens de desconfiança, por onde passam.

Os afeiçoados à calúnia e à maledicência distribuem venenosos quinhões de trevas com que se improvisam grandes males e grandes crimes.

Os cristãos, todavia, são filhos da luz.E a missão da luz é uniforme e insofismável.Beneficia a todos sem distinção.

Não formula exigências para dar.Afasta as sombras sem alarde.

Espalha alegria e revelação crescentes.Semeia renovadas esperanças.Esclarece, ensina, ampara e irradia-se.

Vinha de Luz

Chico Xavier/André Luiz


QUEM LÊ, ATENDA

"Quem lê, atenda." - Jesus. (MATEUS, 24:15.)

Assim como as criaturas, em geral, converteram as produções sagradas da Terra em objeto de perversão dos sentidos, movimento análogo se verifica no mundo, com referência aos frutos do pensamento.

Freqüentemente as mais santas leituras são tomadas à conta de tempero emotivo, destinado às sensações renovadas que condigam com o recreio pernicioso ou com a indiferença pelas obrigações mais justas.

Raríssimos são os leitores que buscam a realidade da vida.

O próprio Evangelho tem sido para os imprevidentes e levianos vasto campo de observações pouco dignas.

Quantos olhos passam por ele, apressados e inquietos, anotando deficiências da letra ou catalogando possíveis equívocos, a fim de espalharem sensacionalismo e perturbação? Alinham, com avidez, as contradições aparentes e tocam a malbaratar, com enorme desprezo pelo trabalho alheio, as plantas tenras e dadivosas da fé renovadora.

A recomendação de Jesus, no entanto, é infinitamente expressiva.

É razoável que a leitura do homem ignorante e animalizado represente conjunto de ignominiosas brincadeiras, mas o espírito de religiosidade precisa penetrar a leitura séria, com real atitude de elevação.

O problema do discípulo do Evangelho não é o de ler para alcançar novidades emotivas ou conhecer a Escritura para transformá-la em arena de esgrima intelectual, mas, o de ler para atender a Deus, cumprindo-lhe a Divina Vontade.

Livro; Vinha de Luz
Chico Xavier/Emmanuel