“Cada
um administre aos outros o dom como o recebeu, como bons despenseiros da
multiforme graça de Deus.” Pedro (I Pedro, 4: 10). (1)
O
caminho a ser seguido pelo verdadeiro servidor do Mestre de Nazaré tem por rota
principal o aprimoramento que exige do interessado a ação de trabalhar com
confiança e determinação, no burilamento pessoal e nas realizações nobres do
bem em seu próprio proveito e do seu próximo. Isso porque o trabalho em
benefício de outrem representa a essência sublime do amor encerrando em si
mesmo, as divinas Leis do Universo.
Urge atentar para o fato de que, toda
realização sem as diretrizes do amor, é semeadura improfícua, com danosas
consequências para seus realizadores. O verdadeiro amor é substância
criadora e mantenedora do Universo, é indiscutivelmente o mais valioso tesouro
que alguém pode conquistar, e, quanto mais se reparte, mais se multiplica, e
valoriza. O amor cresce e se agiganta, nas mãos dadivosas que sabe doa-lo.
O cultivo do amor
solicita o maior cuidado, e boa vontade, de tantos quantos desejarem
cultivá-lo, pois, requer investimentos em adubos de humildade, paciência, e
dedicação na terra do nosso coração, na plantação consciente da semente da boa
árvore, que certamente garantirá uma colheita farta e saborosa.
Acima de qualquer objetivo material,
trabalhemos primeiramente no desenvolvimento e crescimento das virtudes que
adormecem no íntimo de nosso Ser,
promovendo o necessário esforço para o seu desabrochar em seus nobres valores
da moral e da ética em nosso mundo íntimo, realizando com alegria e
responsabilidade a tarefa que a Soberana Sabedoria do Universo nos confiou,
fazendo a parte que nos está destinada como contribuição pessoal para o
progresso intelectual e moral de nossa sociedade.
“629. Que definição se pode dar da
moral?
“A moral é a regra de bem proceder, isto é, de distinguir o bem do mal.
Funda-se na observância da lei de Deus. O homem procede bem quando tudo faz
pelo bem de todos, porque então cumpre a lei de Deus.”
630. Como se pode distinguir o bem
do mal?
“O bem é tudo o que é conforme à lei de Deus; o mal, tudo o que lhe é
contrário. Assim, fazer o bem é proceder de acordo com a lei de Deus. Fazer o
mal é infringi-la.” (2)
Convém ressaltar, que só o suor do
trabalho bem feito no bem, nos poderá conferir os benefícios da salutar
experiência, cada lágrima de aflição e tristeza acende em nós a luz espiritual
para o entendimento da dor do próximo. Não fosse assim, ninguém saberia
entesourar compreensão e discernimento para socorrer e perdoar as atitudes
infelizes dos semelhantes.
“Não é a cultura intelectual inoperante que te fará respeitável, e sim o
espírito de serviço com que te devotares, em qualquer condição, à felicidade
dos semelhantes.
Não é o êxito suscetível de sorrir-te na Terra, por alguns dias breves, a
fonte de alegria real que procuras com os melhores anseios de coração, mas a paz de
consciência, no dever bem cumprido, nas obrigações de cada dia.
Busquemos ser, antes de aparentar e fazer, antes de instruir.
A verdade espera nossa alma, em cada ângulo de caminho, dentro de nossa
jornada para frente.
Assim, pois, construamos o nosso engrandecimento interior, porque, hoje ou
amanhã, o Sol Divino projetará sobre nós a sua bendita claridade, revelando-nos,
à luz meridiana, tais quais somos”. (3)
Importante notar também, que não se
pode esperar por descanso ou por favores especiais os quais não fizemos por
merecer, pois, as Leis Divinas são sábias e justas, concedendo a cada um
segundo as suas obras. Não contemos em momento algum com a paz externa,
enquanto não formos detentores da paz em nosso mundo íntimo.
Urgente se faz, seguirmos confiantes
e operosos na tarefa de nossa renovação moral, enfrentando sarcasmos e
censuras, vencendo passo a passo cada barreira do caminho evolutivo com dedicação,
confiança e responsabilidade, valorizando os desafios propostos pelos que nos
compartilham a caminhada e acima de tudo, conservando a consciência tranquila
do dever retamente cumprido, lembrando que assim como o fruto pela árvore, o
serviço bem executado dá testemunho do bom servidor.
Bibliografia:
1 – Pedro, (I Pedro, 4: 10).
2- Kardec, Allan. O
Livro dos Espíritos – FEB, 76ª edição.
3 – Xavier, Francisco Cândido, Psicografia
em Reunião Pública Data– 31-3-1950. Local – Centro Espírita Luiz Gonzaga, na
cidade de Pedro Leopoldo, Minas. Livro: Através do Tempo.
Francisco Rebouças
