Solidarity Spiritist Societ

terça-feira, 31 de março de 2015

AJUDA, MEU FILHO

Não passes distraído, diante da dor.
 
Nesses semblantes que o sofrimento descoloriu e nessas vozes fatigadas em que a tortura plasmou a escala de todos os gemidos, Jesus, o nosso Mestre Crucificado, continua incompreendido e esfalecente.
 
Nessas longas multidões de aflitos e infortunados, encontrarás a nossa própria família.
 
Quantos deles albergaram esperanças iguais àquelas que nos alimentam os sonhos, sem qualquer oportunidade de realização? quantos tentaram atingir a presença da luz, incapazes de vencer a opressão das trevas?
 
Essas crianças caídas no berço da angústia, esses enrugados velhinhos sem ninguém, essas criaturas que a ignorância e a provação mergulharam no poço da enfermidade ou no espinheiro do crime, são nossos irmãos, à frente do Eterno Pai.
 
Estende-lhes tua alma na dádiva que possas oferecer, guardando a certeza de que amanhã, provavelmente, estarás também suspirando pelo bálsamo do socorro na bênção de um pão ou na luz de uma prece amiga. 
 
Recorda que as mãos hoje por ti libertadas dos grilhões do infortúnio, podem ser aquelas que, amanhã, chegarão livres e luminosas, em teu auxílio.
 
Ao pé de cada coração desventurado, Jesus nos espera em silêncio.
 
Auxilia, meu filho e, na doce melodia do bem, ainda mesmo que dificuldades e sombras te ameacem a luta, ouvirás, no imo do coração, a voz do Divino Mestre a encorajar-te, paciente e amoroso: "Tem bom ânimo! Eu estou aqui". 
 
Dispõe-te a compreender, a fim de que possas auxiliar.
 
Compadece-te de teus pais, de teus filhos, de teus irmãos, de teus amigos e adversários. 
 
Os golpes sublimes da Vontade Superior sobre os nossos desejos serão recursos do máximo proveito para o nosso próprio futuro.
 
Livro: Sentinelas da Alma
Chico Xavier/Meimei
 
Francisco Rebouças  

ALMA E CORAÇÃO

Emmanuel

A ti, leitor amigo, uma ligeira explicação quanto às páginas deste livro.
 
Não resultam de aturados estudos, no recinto de bibliotecas preciosas, porque todas nasceram na fonte da experiência.
 
Reunidos à luz da oração (¹), ― os companheiros encarnados e nós outros, os amigos domiciliados do Mais Além, ― grafamo-las no curso de reflexões e debates sobre milenares problemas do destino e do ser, da indignação e da dor. Após destacar esse ou aquele tópico da Doutrina Espírita, que nos revive o Evangelho de Jesus, permutávamos impressões e comentários acerca das verdades fundamentais e simples do universo.
 
À face disso, são elas fragmentos de amor, colhidos em diálogos fraternos, no tentame de ajustar-nos às realidades do Espírito.
 
Muitas vezes, os generosos interlocutores que nos honravam com atenção e palavra, procediam não só de círculos laureados de conquistas acadêmicas, mas igualmente de laboriosas oficinas da vida prática; não apenas de austeros deveres do lar, mas também dos torturados distritos da adversidade e da provação que burilam a existência. E muitos outros, por bondade, nos traziam os ouvidos ansiosos, lubrificados de lágrimas ou atormentados de angústia, com fome de esperança e sede de Deus.
 
Irmanados no objetivo único de buscar o progresso espiritual, trocávamos, então, os mais íntimos pensamentos, nos ajustes amigos de que este despretensioso volume nasceu em nossa renovadora seara de fé.
 
Releva-nos, pois, se te dedicamos um livro tão singelo quanto às possibilidades de expressão de que dispomos. Crê, no entanto, que todo ele é entretecido por fios de alma e coração nos votos que formulamos ao Senhor para que nos ilumine e nos abençoe, a fim de que, nas trilhas do amanhã, te possamos oferecer algo de mais proveitoso e de melhor.
 
Emmanuel Uberaba, 26 de Julho de 1969
(¹) Todas as páginas publicadas neste livro foram psicografadas em reuniões públicas da Comunhão Espírita Cristã, em Uberaba, Minas Gerais. (Nota do Médium).
 
Livro: Alma e Coração
Chico Xavier/Emmanuel
 
 
Francisco Rebouças 
 
 

segunda-feira, 30 de março de 2015

CONCLUSÕES DA VIDA

Emmanuel  

Deus Fornece o material. O Homem trabalha. 

Deus concede o ensinamento. O Homem realiza. 

Deus cria a paz.
O Homem forja o conflito. 

Deus promove a união.
O Homem estabelece o privilégio. 

Deus recomenda o perdão.
O Homem faz o ressentimento. 

Deus ergue a fé.
O Homem cultiva a insegurança. 

Deus traçou a justiça.
O Homem armou a violência. 

Deus consolidou a coragem.
O Homem perpetuou a audácia. 

Deus abençoa a todos.
O Homem faz concessões. 

Deus garante a liberdade.
O Homem usa o livre-arbítrio e responde pelas próprias obras.  

Livro: A Semente de Mostarda
Chico Xavier/Emmanuel
 
Francisco Rebouças

sábado, 28 de março de 2015

Ultrapassamos a marca das 139.000 visitas!

Isso é que o nos incentiva a continuar!!
Amigos, temos a alegria de verificar que acabamos de ultrapassar a marca das 139.000 visitas ao nosso Blog Espírita. Lembramos que o contador de visitas só foi instalado em 31/10/2009.

Meus agradecimentos a todos pelo carinho e pela companhia nesses anos de trabalho na divulgação de nossa doutrina.
 
Essa marca registrada pelo nosso contador de visitas nos dá a certeza de que contamos com o apoio de todos vocês, contribuindo, para a transformação moral e espiritual de nossa sociedade.
 
Em respeito a esse apoio, permaneceremos com a nossa proposta inicial, de divulgarmos nossa doutrina alicerçado pela codificação espírita sem achismos ou modismos desnecessários e condenáveis sob todos os aspectos.

Ressaltamos a importância da participação e do incentivo de cada um de vocês, e afirmamos com toda convicção, sem essa ajuda não seria possível alcançar o êxito que alcançamos.

Que Jesus nosso Mestre e Guia nos mantenha unidos e operosos, sob sua divina inspiração, hoje e sempre!

Muita PAZ!
Francisco Rebouças

DIVINA MÃO

Emmanuel           
 
Meus caros amigos, que as Forças Divinas vos concedam muita paz espiritual.           
 
Guardai o vosso salário de tranquilidade no dever cumprido.
 
Bem poucas consciências encarnadas podem fazer semelhante colheita, nesta hora de humanidade terrestre, em que tantas tempestades sobre o céu.
 
Vivemos uma grande época planetária – época de doar e esperança, discórdia e renovação, sofrimento e ansiedade.
 
Que o Senhor nos dê a Sua Divina Mão.           
 
Que a Paz d´Ele esteja aqui, como sempre, são os sinceros votos do irmão e servo.
 
(Página recebida em Pedro Leopoldo, estado de Minas Gerais, dirigida a um grupo de amigos). 
 
Livro: União em Jesus
Chico Xavier/Espíritos Diversos
 
Francisco Rebouças

O PLÁ DA ROGATIVA

Querida mamãe, aquele beijo com as nossas orações reunidas, pedindo a bênção de Deus, em nosso favor.
 
Hoje é o plá da rogativa. Peço ao seu carinho desculpar a gíria do seu filho; é que tenho recebido a solicitação de amigos do meu campo, solicitação para formular uma prece a Jesus, calibrada na língua que, longe de ser marginal, estará breve estendida convenientemente nos dicionários. Nosso gibi de anotações está precisando de petições que nos coloquem os pensamentos em rota certa. A oração é dedicada a todos os nossos irmãos, em Humanidade, por intermédio de suas mãos maternas, nas mãos de nossos companheiros e companheiras da equipe juvenil do nosso Lar de Amor com Jesus.
 
Pouco a pouco, entesouraremos as estruturas novas, mas, para isso, é preciso construir ambientes próprios, a fim de que a nossa mente se renove.
 
Vó Hermelinda abençoa a sua filha, a que sempre, conforme afirma, lhe foi a filha providencial. Os recados dela, em forma de solicitações a Deus pela paz de nós todos, foram trazidos.
 
Espalhemos, mamãe, os recursos de fortalecimento em auxílio de todos os nossos e sigamos para diante vivendo o clima de renovação que o Céu nos concedeu.
 
O comandante Raul está melhorando e seguirá melhor com o amparo do Senhor.
 
Agora, é a faixa terminal com a bandeirola da prece, enfeitada de preces por sua tranquilidade e alegria.
 
Abraço a todos, presentes e ausentes, e em seu coração querido deixo com música o beijo de muito amor e de muita gratidão do seu filho, sempre seu,
 
Augusto Cezar.  
 
Livro: Falou e Disse
Chico Xavier/Augusto Cezar Netto
 
Francisco Rebouças

sexta-feira, 27 de março de 2015

DEUS NÃO TE FALTARÁ

Emmanuel

 A Difícil é o caminho de elevação.
 
Deus te guiará Espinhos talvez te firam.
 
Deus saberá curar-te.
 
Desenganos surgirão.
 
Deus se te fará reconforto. Incompreensões, por certo, virão sobre ti.
 
Deus te fortalecerá para que as superes.
 
Provações despontaram do cotidiano.
 
Deus te apoiará, a fim de que possas vencê-las.
 
O desânimo te ameaçará.
 
Deus te renovará as energias.
 
É possível venhas a sofrer perdas de importância.
 
Deus te enviará os recursos de que necessites.
 
Em algumas ocasiões, talvez caias.
 
Deus te socorrerá para que te levantes.
 
As crises da senda de aperfeiçoamento, muitas vezes, se multiplicarão, em torno de teus passos.
 
Confia, porém, no amparo de Deus, trabalha, serve e caminha.
 
Deus não te faltará.  
 
Livro: FÉ
Chico Xavier/Emmanuel
 
Francisco Rebouças
 
 

2º Congresso Espírita de Magé e Guapimirim




















Anotem em suas agendas, compareçam, divulguem...

Francisco Rebouças

quinta-feira, 26 de março de 2015

AGRADEÇAMOS

Sabemos que a nossa mente, para evoluir, sofre processos de transformação por vezes violentos e rudes, qual acontece à terra necessitada de amanho para produzir.
 
Nos círculos da natureza, observamos o arado, vergastando o solo e ferindo-o, e se a grande massa rochosa aparece, de improviso, impedindo o esforço do lavrador, notamos que a dinamite comparece, estilhaçando os obstáculos...
 
Assim também a nossa inteligência não se modifica sem a visitação da dificuldade.
 
 A lâmina dos problemas inquietantes como que nos tortura, dia-a-dia, constrangendo-nos à compreensão mais justa da vida e se o endurecimento espiritual é a nota de nossas reações, ante a passagem da máquina renovadora do sofrimento, surgem os impactos diretos da provação sobre a nossa experiência pessoal, desintegrando-nos antigas cristalizações no egoísmo e no orgulho.
 
Ofereçamos o coração do Divino Cultivador que é Jesus.
 
Digne-se o Mestre Divino fazer de nossa existência o que lhe aprouver.
 
Os golpes sublimes da Vontade superior sobre os nossos desejos serão recursos do máximo proveito para o nosso próprio futuro.
 
Se a dor nos procura, em forma de incompreensão do meio ou na máscara de tristes desilusões terrestres, abençoemo-la, acentuando a nossa fé viva em Nosso Senhor e continuemos servindo o próximo, na medida de nossas possibilidades, porque a dor é realmente a Sábia Instrutora, capaz de elevar-nos da Terra para os Céus.
 
Livro: Sentinelas da Alma
Chico Xavier/Meimei
 
Francisco Rebouças

quarta-feira, 25 de março de 2015

FIRMEZA E CONSTÂNCIA

"Portanto, meus amados irmãos, sede firmes e constantes, sempre abundantes na obra do Senhor, sabendo que o vosso trabalho não é vão." - Paulo. (I COR˝NTIOS, 15:58.) 

Muita gente acredita que abraçar a fé será confiar-se ao êxtase improdutivo. A pretexto de garantir a iluminação da alma, muitos corações fogem  luta, trancando-se entre as quatro paredes do santuário doméstico, entre vigílias de adoração e pensamentos profundos acerca dos mistérios divinos, esquecendo-se de que todo o conjunto da vida é Criação Universal de Deus.
 
Fé representa visão.
 
Visão, é conhecimento e capacidade de auxiliar.
 
Quem penetrou a "terra espiritual da verdade", encontrou o trabalho por graça maior.
 
O Senhor e os discípulos não viveram apenas na contempla-lo.
 
Oravam, sim, porque ninguém pode sustentar-se sem o banho interior de silêncio, restaurando as próprias foras nas correntes superiores de energia sublime que fluem dos Mananciais Celestes.
 
A prece e a reflexão constituem o lubrificante sutil em nossa máquina de experiências cotidianas.
 
Importa reconhecer, porém, que o Mestre e os aprendizes lutaram, serviram e sofreram na lavoura ativa do bem e que o Evangelho estabelece incessante trabalho para quantos lhe esposam os princípios salvadores.
 
Aceitar o Cristianismo é renovar-se para as Alturas e só o clima do serviço consegue reestruturar o espírito e santificar-lhe o destino.
 
Paulo de Tarso, invariavelmente peremptório nas advertências e avisos, escrevendo aos coríntios, encareceu a necessidade de nossa firmeza e constância nas tarefas de elevação, para que sejamos abundantes em ações nobres com o Senhor.
 
Agir ajudando, criar alegria, concórdia e esperanças, abrir novos horizontes ao conhecimento superior e melhorar a vida, onde estivermos, é o apostolado de quantos se devotaram  Boa Nova.
 
Procuremos as Águas vivas da prece para lenir o coração, mas não nos esqueçamos de acionar os nossos sentimentos, raciocínios e braços, no progresso e aperfeiçoamento de nós mesmos, de todos e de tudo, compreendendo que Jesus reclama obreiros diligentes para a edificação de seu Reino em toda a Terra. 

Livro: Fonte Viva
Chico Xavier/Emmanuel

Francisco Rebouças

terça-feira, 24 de março de 2015

LAR

O lar – divino tesouro –
Amor de Deus no caminho,
 é o céu em forma de ninho
aberto à renovação.
Seja de pedra ou de ouro,
é sempre a santa oficina
que nos ampara e ilumina,
em busca da perfeição.
Irene S. Pinto 

Espere aprender no mundo
que espanca, fustiga e abrasa
quem desistiu de aprender
nas lições da própria casa.
Antonio Lima 

Onde a criança caminha
sem o aconchego do lar,
a vida por mais segura
começa a degenerar.
Casimiro Cunha 

Anjo lindo, o teu olhar
minha própria vida encerra...
doce filho de min’alma,
tesouro maior da Terra!...
 Anália Franco    
 
Lar e Mãe – vida e sustento
em luminosa fusão...
Lar é Mãe no pensamento,
Mãe é Lar no Coração.
Antonio Nobre 

No lar, beijaram-se; um dia,
dois astros da Eterna Luz:
 - Jesus, Filho de Maria...
Maria, mãe de Jesus...
Belmiro Braga
 
Guia os anjos da calçada,
Dor de criança perdida
É como o pranto da vida
 Chorando desamparada.
Auta de Souza 

Por mais pobre, o lar é sempre
o coração da alegria.
Jesus nasceu sublimando
 o teto da estrebaria.
Meimei 

No lar, templo de amor na lide transitória,
 tornar de novo a ser terna e frágil criança,
 buscando no trabalho, ao fulgor da esperança,
o trilho de ascensão à Suprema Vitória.
Amaral Ornellas     
  
Todo futuro começa
 no caminho e na promessa
de doce Mãe a cantar...
guarda o berço pequenino,
que o berço é flor do destino
no tronco de luz do lar.
João de Deus
 
Livro: União em Jesus
Chico Xavier/Espíritos Diversos
 
 
Francisco Rebouças

TEU LIVRO

Emmanuel
  
A existência na Terra é um livro que estás escrevendo... 
 
Cada dia é uma página ... 
 
Cada hora é uma afirmação de tua personalidade através das pessoas e das situações que te buscam.
 
 Não menosprezes o ensejo de criar uma epopeia de amor em torno de teu nome. 
 
As boas obras são frases de luz que endereças à humanidade inteira. 
 
Em cada resposta aos outros, em cada gesto aos semelhantes, em cada manifestação dos teus pontos de vista e em cada demonstração de tua alma, grafas com tinta perene, a história de tua passagem.
 
Nas impressões que produzes, ergue-se o livro dos teus testemunhos. 
 
A morte é a grande colecionadora que recolherá as folhas de tua biografia, gravada por ti mesmo, nas vidas que te rodeiam. 
 
Não desprezes, assim, a companhia da indulgência, através da senda que o Senhor te deu a trilhar. 
 
Faze uma área de amor ao redor do próprio coração, porque só amor é suficientemente forte e sábio para orientar-se escritura individual, convertendo-a em compêndio de auxilio e esperança para quantos te seguem os passos. 
 
Vive, pois com Jesus, na intimidade do coração, não te afastes d’ele em tuas ações de cada dia e o livro de tua vida converter-se-á num poema de felicidade e num tesouro de bênçãos.
 
Livro: Vida e Caminho
Chico Xavier/Espíritos Diversos
 
Francisco Rebouças  

segunda-feira, 23 de março de 2015

" O Consolador "

268 –Os dez mandamentos recebidos por Moisés no Sinai, base de toda justiça até hoje, no mundo, foram alterados pelas seitas religiosas?

-As seitas religiosas, de todos os tempos, pela influenciação de seus sacerdotes, procuram modificar os textos sagrados; todavia, apesar das alterações transitórias, os dez mandamentos, transmitidos à Terra por intermédio de Moisés, voltam sempre a ressurgir na sua pureza primitiva, como base de todo o direito no mundo, sustentáculo de todos os códigos da justiça terrestre.

269 –Como entender a palavra do Velho Testamento quando nos diz que Deus falou a Moisés no Sinai?

-Estais atualmente em condições de compreender que Moisés trazia consigo as mais elevadas faculdades mediúnicas, apesar de suas características de legislador humano.
 É inconcebível que o grande missionário dos judeus e da Humanidade pudesse ouvir o Espírito de Deus. Estais, porém habilitados a compreender, agora, que a Lei ou a base da Lei, nos dez mandamentos, foi-lhe ditada pelos emissários de Jesus, porquanto todos os movimentos de evolução material e espiritual do orbe se processaram, como até hoje se processam, sob o seu augusto e misericordioso patrocínio.

270 –Apesar de suas expressões tão humanas, Moisés veio ao mundo como missionário divino?

-Examinando-se os seus atos enérgicos de homem, há a considerar as características da época em que se verificou a grande tarefa do missionário hebreu, legítimo emissário do plano superior, para entregar ao mundo terrestre a grande e sublime mensagem da primeira revelação.
 Com expressões diversas, o grande enviado não poderia dar conta exata de suas preciosas obrigações, em face da Humanidade ignorante e materialista.

271 –Moises transmitiu ao mundo a lei definitiva? 

 -O profeta de Israel deu à Terra as bases da Lei divina e imutável, mas não toda a Lei, integral e definitiva.
Aliás, somos obrigados a reconhecer que os homens receberão sempre as revelações divinas de conformidade com a sua posição evolutiva.
Até agora, a Humanidade da era cristã recebeu a grande Revelação em três aspectos essenciais: Moisés trouxe a missão da Justiça; o Evangelho, a revelação insuperável do Amor, e o Espiritismo em sua feição de Cristianismo redivivo, traz, por sua vez, a sublime tarefa da Verdade. No centro das três revelações encontra-se Jesus-Cristo, como o fundamento de toda a luz e de toda a sabedoria. É que, com Amor, a Lei manifestou-se na Terra no seu esplendor máximo; a Justiça e a Verdade nada mais são que os instrumentos divinos de sua exteriorização, com aquele Cordeiro de Deus, alma da redenção de toda a Humanidade. A justiça, portanto, lhe aplanaram os caminhos, e a Verdade, conseguintemente, esclarece os seus divinos ensinamentos.
Eis por que, com o Espiritismo simbolizando a Terceira Revelação da Lei, o homem terreno se prepara, aguardando as sublimadas realizações do seu futuro espiritual, nos
milênios porvindouros.

272 –Qual a significação da lei de talião “olho por olho, dente por dente”, em face da necessidade da redenção de todos os espíritos pelas reencarnações sucessivas?

-A lei de talião prevalece para todos os espíritos que não edificaram ainda o santuário do amor nos corações, e que representam a quase totalidade dos seres humanos.
 Presos, ainda, aos milênios do pretérito, não cogitaram de aceitar e aplicar o Evangelho a si próprios, permanecendo encarcerados em círculos viciosos de dolorosas reencarnações expiatórias e purificadoras.
Moisés proclamou a Lei antiga; muitos séculos antes do Senhor. Como já dito, o profeta hebraico apresentava a Revelação com a face divina da Justiça; mas, com Jesus, o homem do mundo recebeu o código perfeito do Amor. Se Moisés ensinava o “olho por olho, dente por dente”, Jesus-Cristo esclarecia que o “amor cobre a multidão dos pecados”.
Daí a verdade de que as criaturas humanas se redimirão pelo amor e se elevarão a Deus por ele, anulando com o bem; todas as forças que lhes possam encarcerar o coração nos sofrimentos do mundo.
273 –Qual é verdadeiramente o segundo mandamento? – “Não farás imagens esculpidas das coisas que estão nos céus”, etc., segundo alguns textos, ou “Não tomar o seu santo nome em vão”, conforme o ensinamento da igreja católica de Roma?

-A segunda fórmula foi uma tentativa de subversão dos textos primitivos, levada a efeito pela Igreja Romana, a fim de que o seu sacerdócio encontrasse campo livre para desenvolvimento das heranças do paganismo, no que se refere às pomposas demonstrações do culto externo.

274 –Qual a intenção de Moisés no Deuteronômio, recomendando “que ninguém interrogasse os mortos para saber a verdade?”.

-Antes de tudo, faz-se preciso considerar que a afirmativa tem sido objeto injusto de largas discussões por parte dos adversários da nova revelação que o Espiritismo trouxe aos homens, na sua feição de Consolador.
 As expressões sectárias, todavia, devem considerar que a época de Moisés não comportava as indagações do Invisível, porquanto o comércio com os desencarnados se faria com um material humano excessivamente grosseiro e inferior.
Livro: O Consolador
Chico Xavier/Emmanuel

Francisco Rebouças

Lindos Casos de Chico Xavier

AS CARTAS DO DR. GUILLON RIBEIRO (2)
 
Nosso distinto confrade Thomas Menezes, estimado Espírita da cidade de Petrópolis, onde dirige, com segurança, o Centro Bezerra de Menezes, compareceu à nossa residência especialmente para louvar os LINDOS CASOS DE CHICO XAVIER, que, ao seu dizer, lhe confortavam muito, e para nos mostrar, dentre outras. uma carta do Dr. Guillon Ribeiro, que transcrevemos abaixo, como testemunho do que afirmamos: que esse nosso saudoso irmão, através de suas cartas, evan­gelizou muitos corações e resolveu de muitos irmãos casos dolorosos. Nosso caro irmão Thomaz Menezes, em 1933, atravessava uma quadra difícil; como se compreenderá da resposta que recebeu. Pôs em práti­ca os conselhos recebidos e conseguiu solucionar sua situação.
E, hoje, decorridos 26 anos, pode afirmar que Jesus, por intermédio do Dr. Guillon Ribeiro, o ajudou, e lhe deu o remédio de que precisava. Leiamos, pois, a carta, com atenção e carinho, tanto mais que revela lições importantes e que se atualizam com os nossos dias:
 Rio, 31/1/1933.

Prezado irmão Thomaz Menezes.
Paz em Nosso Senhor Jesus Cristo.
Recebi sua estimada carta de 14 do corrente e vivamente me penalizaram as rudes provas por que tem passado pessoalmente, bem como os demais membros da sua família, provas de que nela me in­forma e que culminaram e ficar o seu irmão Eugênio com as facul­dades mentais perturbadas.
Não sei se o amigo conhece alguma coisa da Doutrina Espírita. Como quer que seja, procure conhecê-la bem, porque só ela explica racionalmente essas e todas as outras vicissitudes de ser das dores e dos sofrimentos que lhe são peculiares, em face da justiça, da mise­ricórdia e do amor infinito de Deus, nosso Criador e Pai. Só ela nos dá a conhecer o que é a existência corpórea, em seu verdadeiro significa­do, o que representa, como fator do progresso de nossos Espíritos, objetivando a realização do destino único para que ele nos criou a to­dos — a suprema felicidade, que alcançaremos quando chegarmos àperfeição moral. Ainda mais: só por ela conhecerá todo o valor da pre­ce e aprenderá a valer-se desta, para atrair o amparo, a assistência, e o auxílio dos bons Espíritos que, como mensageiros do Senhor, são os distribuidores das esmolas do seu coração boníssimo.
Digo-lhe isto, porque na prece, feita de coração, com fervor e humildade, é que o amigo e os que o rodeiam encontrarão o conforto de que necessitam, o bálsamo para as feridas que se lhes tem aberto na alma e as energias morais indispensáveis a enfrentarem com pa­ciência, resignação e humildade as provações que ainda lhes estejam reservadas, certos de que, se Deus, que é bom, que é infinitamente bom, permite que as soframos, Ele a cuja revelia não cai um só cabe­lo das nossas cabeças, é que elas são úteis e necessárias aos nossos Espíritos, a fim de que estes sejam o que devem ser, correspondendo aos seus desígnios, isto é, verdadeiros filhos seus, pela observância da lei suprema, que enfeixa em si todas as leis emanadas da sua onis­ciência, a que nos prescreve amá-LO acima de todas as coisas, amando ao próximo como a nós mesmos, perdoando a todos e sempre para sermos perdoados de nossos erros, culpas, faltas e crimes, oriundos todos do orgulho e do egoísmo, que são os nossos maiores inimigos. Fazendo-nos ter olhos de ver somente as coisas da vida material, em detrimento da vida espiritual, que é a verdadeira vida, o orgulho e o ego­ísmo são a causa principal das nossas decepções, aflições e amarguras. E a força nos faltará sempre para combatê-los, para deixarmos. de ser escravos, para deixarmos de ser, pelo ascendente deles, filhos do pe­cado e nos tornamos filhos de Deus pela posse das virtudes que lhe são opostas, se não recorrermos continuamente à prece, entendendo-a no seu verdadeiro significado e fazendo-a, não de lábios apenas, mas com verdadeiro sentimento cristão. Ponha em prática estes conselhos e verá como a alegria sã voltará ao seu Espírito e dos que lhe são caros.
Quanto ao seu irmão Eugênio, o Espírito amigo a quem consultei so­bre ele, respondeu o seguinte:
“Alma sem a força da fé, não resistiu à prova. Só um trabalho espiritual, feito com a unção do sentimento da caridade, e com absoluta confiança em Deus, poderá curá-la. Mas, para isso, é indispensável que ele esteja num meio afetuoso e calmo, sem o que não haverá possibilidade de bom êxito. Lá onde se acha não melhorará, ao con­trário, piorará cada vez mais.
Para os membros da sua família, imploro a Deus coragem e re­signação nas suas provas”.
A isso, nada me resta acrescentar, depois do que acima deixei dito.
O que lhe posso afirmar é que a Jesus e à nossa Mãe Santíssima rogarei com fervor o bálsamo do amor e da misericórdia de seus cora­ções amantíssimos, para o amigo e para todos os membros da sua família.
Paz, humildade e fé.
Fraternas e cordiais saudações do irmão e amigo 
GUILLON RIBEIRO
 
Livro: Lindos Casos de Chico Xavier
Ramiro Gama
Francisco Rebouças

sábado, 21 de março de 2015

SEMENTEIRA E CONSTRUÇÃO

"Porque nós somos cooperadores de Deus; vós sois lavoura de Deus e edifício de Deus." - Paulo. (I CORÍNTIOS, 3: 9.) 
 
Asseverando Paulo a sua condição de cooperador de Deus e designando a lavoura e o edifício do Senhor nos seguidores e beneficiários do Evangelho que o cercavam, traçou o quadro espiritual que sempre existirá na Terra em aperfeiçoamento, entre os que conhecem e os que ignoram a verdade divina.
 
Se já recebemos da Boa Nova a lâmpada acesa para a nossa jornada, somos compulsoriamente considerados colaboradores do ministério de Jesus, competindo-nos a sementeira e a construção dele em todas as criaturas que nos partilham a estrada.
 
Conhecemos, pois, na essência, qual o serviço que a Revelação nos indica, logo nos aproximemos da luz cristã.
 
Se já guardamos a bênção do Mestre, cabe-nos restaurar o equilíbrio das correntes da vida, onde permanecemos, ajudando aos que se desajudam, enxergando algo para os que jazem cegos e ouvindo alguma coisa em proveito dos que permanecem surdos, a fim de que a obra do Reino Divino cresça, progrida e santifique toda a Terra.
 
O serviço é de plantação e edificação, reclamando esforço pessoal e boa-vontade para com todos, porquanto, de conformidade com a própria simbologia do apóstolo, o vegetal pede tempo e carinho para desenvolver-se e a casa sólida não se ergue num dia.
 
Em toda parte, porém, vemos pedreiros que clamam contra o peso do tijolo e da areia e cultivadores que detestam as exigências de adubo e proteção  à planta frágil.
 
O ensinamento do Evangelho, contudo, não deixa margem a qualquer duvida.
 
Se já conheces os benefícios de Jesus, és colaborador dele, na vinha do mundo e na edificação do espírito humano para a Eternidade.
 
Avança na tarefa que te foi confiada e não temas. Se a fé representa a nossa coroa de luz, o trabalho em favor de todos é a nossa bênção de cada dia. 
 
Livro: Pão Nosso
Chico Xavier/Emmanuel
 
Francisco Rebouças

sexta-feira, 20 de março de 2015

AUXÍLIO MORAL

Emmanuel

        Em muitas circunstâncias, afligimo-nos ante a impossibilidade de alterar o pensamento ou o rumo das pessoas queridas.  

         Como auxiliar um filho que se distancia de nós, através de atitudes que consideramos indesejáveis, ou amparar um amigo que persiste em caminho que não nos parece o melhor?  
 
         Às vezes, a criatura em causa é alguém que nos mereceu longo tempo de convivência e carinho; noutros lances da vida, é pessoa que se nos erigia na estrada em baliza de luz.  

         Tudo o que era harmonia passa ao domínio das contradições aparentes, e tudo aquilo que se nos figurava tarefa triunfante, nos oferece a impressão de trabalho deteriorado voltando à estaca zero.  
 
         Chegados a esse ponto de indagação e estranheza é imperioso compreender que todos os temos na edificação espiritual uns dos outros uma parte limitada de serviço e concurso, depois da qual vem a parte de Deus. 
 
        O lavrador promove condições favoráveis ao plantio da lavoura, mas não consegue colocar o embrião na semente; protege a árvore, mas não lhe inventa a seiva. 

         Assim ocorre igualmente conosco, nas linhas da existência. 
 
        Cada qual de nós pode ofertar a outrem apenas a colaboração de que é capaz. 

         Além dela, surge a zona íntima de cada um, na qual opera a Divina Providência, através de processos inesperados e, muitas vezes, francamente inacessíveis ao nosso estreito entendimento. 

         Diante, pois, dos seres diletos que se nos complicam na estrada, o melhor e mais eficiente auxílio moral com que possamos socorrê-los, será sempre o ato de entender-lhes a bênção da oração silenciosa, para que aceitem, onde se colocaram, o Amparo Divino que nunca falha. 
 
         Sejam quais sejam os problemas que nos forem apresentados pelos entes queridos, guardemos a própria serenidade e cumpramos para com eles a parte de serviço e devotamento que lhes devemos, depois da qual é forçoso nos decidamos a entregá-los à oficina da vida, em cujas engrenagens e experiências recolherão, tanto quanto nós todos temos recebido, a parte oculta do Amor e da assistência de Deus.
Livro: Alma e Coração
Chico Xavier/Emmanuel

Francisco Rebouças

quinta-feira, 19 de março de 2015

Pureza

Reunião pública de 16/2/59
Questão nº 632
“Bem-aventurados os puros, porque verão a Deus.”
Estudando a palavra do Mestre Divino, recordemos que no mundo, até hoje, não existiu ninguém quanto Ele, com tanta pureza na própria alma.
Cabe-nos, pois, lembrar como Jesus via no caminho da vida, para reconhecermos com segurança que, embora na Terra, sabia encontrar a Presença Divina em todas as situações e em todas as criaturas.
Para muita gente, a manjedoura era lugar desprezível; entretanto, Ele via Deus na humildade com que a Natureza lhe oferecia materno colo e transformou a estrebaria num poema de excelsa beleza.
Para muita gente, Maria de Magdala era mulher sem qualquer valor, pela condição de obsidiada em que se mostrava na vida pública; no entanto, Ele via Deus naquele coração feminino ralado de sofrimento e converteu-a em mensageira da celeste ressurreição.
Para muita gente, Simão Pedro era homem rude e inconstante, indigno de maior consideração; contudo, Ele via Deus no espírito atribulado do pescador semi-analfabeto que o povo menosprezava e transmutou-o em paradigma da fé cristã, para todos os séculos.
Para muita gente, Judas era negociante de expressão suspeita, capaz de astuciosos ardis em louvor de si mesmo; no entanto, Ele via Deus na alma inquieta do companheiro que os outros menoscabavam e estendeu-lhe braços amigos até ao fim da penosa deserção a que o discípulo distraído se entregou, invigilante.
Para muita gente, Saulo de Tarso era guardião intransigente da Lei Antiga, vaidoso e perverso, na defesa dos próprios caprichos; contudo, Ele via Deus naquele espírito atormentado, e procurou-o pessoalmente, para confiar-lhe embaixada importante.
Se purificares, assim, o coração, identificarás a presença de Deus em toda parte, compreendendo que a esperança do Criador não esmorece em criatura alguma, e perceberás que a maldade e o crime são apenas espinheiro e lama que envolvem o campo da alma – o brilhante divino que virá fatalmente à luz...
 
E aprendendo e servindo, ajudando e amando passarás, na Terra, por mensagem incessante de amor, ensinando os homens que te rodeiam a converter o charco em berço de pão e a entender que, mesmo nas profundezas do pântano, podem surgir lírios perfumados e puros para exaltar a glória de Deus.

Livro: Religião dos Espíritos
Chico Xavier/Emmanuel

Francisco Rebouças

terça-feira, 17 de março de 2015

O AMOR COMO FORÇA DIVINA

Prosseguíamos  na  atividade  por  quase  vinte  horas  ininterruptas  e  preparávamo-nos para o retorno à nossa comunidade espiritual para um breve repouso.

Abdul  silenciara  o  seu  canto  oracional  e  se  encontrava  em  profunda  meditação, permitindo-se  irradiar  diáfanas  energias  que  diluíam  lentamente  a  densa  treva  que  o archote conduzido por Ana iluminava parcamente.

Nesse  momento,  aproximou-se  um  grupo  de  Espíritos  agressivos  como  uma organização  de  bandidos  desencarnados,  quando,  um  deles,  que  parecia  o  chefe,  bradou, estentóreo, interrogando:
— Quem é o responsável pela invasão desta área?

Dr.  White  aproximou-se  sem  alarde  e  explicou  que  ele  era  o  encarregado  de realizar  o  labor  de  atendimento  àqueles  desencarnados  em  aflição,  acompanhado  pelos amigos que o assessoravam. Elucidou que não houvera acontecido qualquer tipo de invasão, considerando-se que aquela era uma terra de ninguém, desde quando fora vergastada pela tragédia coletiva que sobre ela se abatera.

Não  pôde  prosseguir,  porque  o  arrogante,  que  se  vestia  de  maneira  típica  das gangues regionais das grandes urbes, cortou-lhe a palavra com grosseria:

—  Pois saiba que esta área a mim me pertence, portanto, tem proprietário, desde muito  antes  do  a  que  você  se  refere  como  catástrofe.  Fui  informado  por  um  dos  meus subalternos, vigilante a meu soldo, sobre as ocorrências que me interessam e que daqui foi enxotado,  fazendo-o  correr,  esclarecendo-me  que  estranhos  invasores  de  outro  lugar haviam-se apossado do nosso território.

"Chamado  nominalmente  para  resolver  a  prebenda,  venho  com  os  meus servidores exigir-lhes o abandono das ações não solicitadas."

Calmamente, o médico respondeu que aí se encontrava atendendo ao apelo dos Guias espirituais do país, que haviam recorrido à ajuda de todos quantos o desejassem, de ambos  os  planos  da  vida,  a  fim  de  serem  diminuídas  as  aflições  defluentes  da  tragédia coletiva. E esclareceu:

—  Seu apelo havia chegado à nossa comunidade, conforme ocorrera com muitas outras, quando se ouviu o som de uma corneta que tocava a música Silêncio, expressando a dor que se abatia sobre milhares de vidas no planeta terrestre.  Apresentamo-nos ao nosso governador  e  fomos  autorizados  a  participar  do  ágape  da  solidariedade  com  os  irmãos sofredores que estamos atendendo.

—  Isso,  porém  —  interrompeu-o  novamente  com  atrevimento  —  não  justifica  a sua  e  a  intervenção  nefasta  dos  demais,  estrangeiros  que  são,  em  nossos  negócios, desconhecedores dos nossos hábitos e costumes. Desde a época da colonização holandesa aqui,  através  da  Companhia  das  índias,  no  século  XVI,  que  nos  rebelamos,  os  nacionais, contra os invasores de nossas  terras.  Timor Leste, dominada pelos portugueses, há séculos, ainda se encontra atravessada em nossa garganta.  A morte não nos interrompeu os ideais libertários,  e  embora  tenhamos  retornado  ao  solo  amado,  pelos  renascimentos  corporais, volvemos  às  origens,  para  daqui  defendermos  os  nossos  direitos  de  construir  a nacionalidade com as nossas próprias emoções.

"Assim  sendo,  continuaremos  a  libertar  nosso  povo  que  tem  sido  vítima  da intervenção alienígena, pagando qualquer preço. Não há muito, governos perversos e piores do  que  nós,  entregaram-nos  ao  ocidente,  em  cuja  interferência  teve  papel  destacado  o Japão,  gerando  mais  infelicidade  e  enriquecimento  ilícito  dos  seus  chefes,  tanto  o  que dominava  antes,  quanto  aquele  que  o  derrubou  ferozmente,  sem  nenhuma  consideração
pelos ideais nacionais.

"Somos,  portanto,  nós,  os  indonésios,  que  temos  o  direito  de  aplicar  a  justiça, através dos nossos métodos disciplinadores e punitivos, naqueles que são expulsos do corpo pelo fenômeno da morte."

—  Compreendo  a  sua  colocação  patriótica  —  informou  o  nobre  mentor  —  no entanto,  as  fronteiras  a  que  você  se  refere  ficaram  na  geografia  terrestre  que  não  é abrangida por esta área, afinal todas de propriedade divina.

"Ouvindo-se o amigo expor o seu pensamento, tem-se a impressão de tratar-se de um  benfeitor  do  povo  sofrido,  quando  em  verdade  é  um  explorador  impenitente  das energias dos trânsfugas que lhe tombam nas armadilhas perversas, sendo arrastados para os lugares de profundo sofrimento, distantes da esperança e da misericórdia. A isso chama de justiça, de disciplina? Como se atreve a tomar a adaga da justiça real nas próprias mãos, se ainda  não  consegue  dominar  os  ímpetos  asselvajados  que  lhe  constituem  o  caráter enfermo?

"Aqui estamos a convite dos reais governadores do país, portanto, dos respeitáveis embaixadores de Deus, com o objetivo de desalgemar os irmãos infelizes dos seus despojos e libertá-los dos vampiros do Além-túmulo, e tenha certeza de que não arredaremos pé dos nossos  compromissos,  confessando-lhe  que, de  maneira  alguma,  temos  medo  das  suas ameaças e da farândola que o acompanha temente e assustada."

O estúrdio expressou o ódio que o dominava, arengando:

—  Essa tarefa pertence-nos a nós, que utilizamos  os nossos métodos conforme as leis  que  vigem  cá,  sem  a  necessidade  de  qualquer  contributo  de  violadores  dos  direitos alheios.
 
Saberemos expulsá-los dentro de alguns minutos.

Com a expressão asselvajada, segurando um feroz mastim e aplaudido pela malta insana, que tocava tambores e sons estranhos com tubos perfurados, impôs, ríspido:

—  Agora  suspendam  as  ações  e  acabem  com  os  seus  arenzéis,  batendo  em retirada. Deixem os nossos pacientes aos nossos cuidados, conforme sempre sucedeu, pois que sabemos tomar conta de todos eles.

E gargalhou sardônico, esfogueado, transtornado.

Sem  apresentar  qualquer  emoção  perturbadora,  Dr.  White  enfrentou-o, elucidando:

—  O caro amigo encontra-se totalmente equivocado a nosso respeito, porquanto não  o  tememos  e  menos  o  obedeceremos.
 
  Iremos  prosseguir  em  nossa  faina  fraternal  e ficaríamos,  aliás,  muito  gratos,  se  o  seu  grupo  se  diluísse,  e  aqueles  que  o  desejarem queiram auxiliar-nos na empresa em que nos encontramos envolvidos.

O carrasco zombou, cínico, e arremeteu, furibundo:

— Atacar! Dizimemos os impostores e ladrões!

Como se aguardasse essa reação, o nobre médico concentrou-se profundamente diante  dos  agressores  e,  naquele  horrendo  chavascal,  transformou-se  numa  lâmpada esparzindo claridade que fez estacionar a horda que erguia os seus instrumentos de guerra:
flechas, azagaias, lanças e outros de apresentação exótica.

Tomados  de  surpresa,  ouviram  sua  voz  profunda  e  melodiosa,  enérgica  e poderosa, no seu próprio dialeto:

—  Arrependei-vos  e  dobrai-vos  à  vontade  do  Senhor  dos  Mundos.  Chega  o momento,  em  vosso  desvario,  que  somente  se  apresenta  uma  alternativa  para  escolher:

abandonardes o ódio e a perseguição desditosa para abraçardes o amor. Escoam-se os anos e permaneceis hostis ao Bem e à Verdade. Vossa impiedade transborda,  e vossa loucura, ao invés de  inspirar  temor  ou  ódio,  provoca  a  compaixão.
 
Decênios  se  passaram  desde  que aderistes  à  loucura que cultivastes  nos  regimes  da  impiedade  que infelicitou  vosso povo, transferindo-o para além-da-morte, de modo que permanecestes sicários dos vossos irmãos igualmente infelizes,  a  salvo  da  vossa  crueldade  e  loucura. 
 
Ouvi-me!  Sou  a  voz  da  vossa consciência  anulada pela desesperação,  que  perdeu  o  uso  da  razão,  mas que necessita libertar-se.  Agora  é  o  vosso  momento  de  alegria e  emancipação.  Silenciai  o  ódio  nos sentimentos, deixai o medo dos infelizes que vos intimidam e vinde para as nossas fileiras, as do Bem.

Enquanto a voz, firme e doce, penetrava a acústica das almas, vimos cair sobre o tremedal  bátegas  de  luz,  não  mais  os  raios  destrutivos  de  antes,  e  que  tocando  aqueles rebeldes  penetrava-os,  provocando  mudanças  interiores,  levando-os  ao  pranto  e  a exclamações lamuriosas.

—Libertai-vos do mal — prosseguiu o instrumento da Verdade — e adotai o amor a vós mesmos, inicialmente, para depois poderdes amar o vosso próximo e, por fim, a Deus.

Sois todos, como nós outros, filhos do mesmo Pai Generoso que vos espera compassivo. Este é  o  vosso  momento  de  renovação,  aproveitai-o  com  decisão  e  coragem  de  romper  as amarras da ignorância e da perversidade que vos têm infelicitado por tão largo período.

Ao silenciar, num clima psíquico e emocional superior, os desditosos atiraram ao solo as armas que brandiam e, dominados pela força do amor, pediam amparo e adesão à nossa  hoste,  passando  para  o  lado  em  que  nos  encontrávamos,  subitamente  envolto  pela claridade suave que se dilatava do Mensageiro da Luz.

Blasfemando,  o  chefe  do  grupo  ordenava  que  soltassem  os  cães  contra  os desertores e nós outros, ou que disparassem os seus dardos e flechas, inutilmente, porque a debandada foi geral.

À  medida  que  mudavam  de  lado,  atirando-se  aos  nossos  braços  acolhedores, dilatava-se  a  faixa  vibratória  defensiva  que  nos  resguardava  de  qualquer  tipo  de  agressão externa.

—  Vinde, também, vós que estais sedentos de luz e de amor —  dirigiu-se ao chefe aturdido.

Nada obstante, apresentando a fácies de horror, o desditoso comandante  emitiu um estranho ruído e, num esgar pouco comum, após tremer como varas verdes, foi tomado por uma convulsão semelhante à epiléptica, estertorando, e tombou, literalmente, no solo.

Alguns  dos  seus  subordinados,  que  seguravam  os  cães  e  os instrumentos  de guerra,  aparvalhados  com  o  que acontecia, debandaram  em  ruidosa  correria,  gritando desesperadamente.  Logo após, fez-se silêncio, somente interrompido pelo aluvião do choro convulsivo dos candidatos à renovação.

Suavemente, o Guia retomou a postura anterior e, bem-humorado, afirmou:
— Jesus sempre vence!

"Temos  muito  serviço  pela  frente.  Recambiar  os  nossos irmãos assustados  à comunidade própria para agasalhá-los, é o nosso dever.

"Irei recorrer ao auxílio de outros grupos especializados neste tipo de  socorro, que operam nesta área.

"O amor é força divina que sempre triunfa!"
 
Livro: Transição Planetária
Divaldo Franco/Manoel Philomeno de Miranda
 
Francisco Rebouças

segunda-feira, 16 de março de 2015

MODO DE SENTIR

       “Renovai-vos pelo espírito no vos­so modo de sentir.” — Paulo. (EFÉSIOS, capítulo 4, versículo 23.) 

Há muitos séculos o homem raciocina, obedien­te a regras quase inalteradas, comparando fatores externos segundo velhos processos de observação; rege a vida física com grandes mudanças no setor das operações orgânicas fundamentais e maneja a palavra como quem usa os elementos indispensáveis a determinada construção de pedra, terra e cal.

Nos círculos da natureza externa, em si, as mo­dificações em qualquer aspecto são mínimas, exce­ção feita ao progresso avançado nas técnicas da ciência e da indústria.

No sentimento, porém, as alterações são pro­fundas.

Nos povos realmente educados, ninguém se compraz com a escravidão dos semelhantes, ninguém joga impunemente com a vida do próximo, e ninguém aplaude a crueldade sistemática e delibe­rada, quanto antigamente.

Através do coração, o ideal de humanidade vem sublimando a mente em todos os climas do Planeta.

O lar e a escola, o templo e o hospital, as ins­tituições de previdência e beneficência são filhos da sensibilidade e não do cálculo.

Um trabalhador poderá demonstrar altas carac­terísticas de inteligência e habilidade, mas, se não possui devoção para com o serviço, será sempre um aparelho consciente de repetição, tanto quanto o estômago é máquina de digerir, há milênios.

Só pela renovação íntima, progride a alma no rumo da vida aperfeiçoada.

Antes do Cristo, milhares de homens e mulheres morreram na cruz, entretanto, o madeiro do Mestre converteu-se em luz inextinguível pela qualidade de sentimento com que o crucificado se entregou ao sacrifício, influenciando a maneira de sentir das na­ções e dos séculos.

Crescer em bondade e entendimento é estender a visão e santificar os objetivos na experiência comum.

Jesus veio até nós a fim de ensinar-nos, acima de tudo, que o Amor é o caminho para a Vida Abundante.

       Vives sitiado pela dor, pela aflição, pela sombra ou pela enfermidade? Renova o teu modo de sentir, pelos padrões do Evangelho, e enxergarás o Pro­pósito Divino da Vida, atuando em todos os lugares, com justiça e misericórdia, sabedoria e entendi­mento.
 
Livro: Fonte Viva
Chico Xavier/Emmanuel
 
Francisco Rebouças