Reunião pública de 16/2/59
Questão nº 632
Questão nº 632
“Bem-aventurados os puros, porque verão a Deus.”
Estudando a palavra do Mestre Divino, recordemos que no
mundo, até hoje, não existiu ninguém quanto Ele, com tanta pureza na própria
alma.
Cabe-nos, pois, lembrar como Jesus via no caminho da
vida, para reconhecermos com segurança que, embora na Terra, sabia encontrar a
Presença Divina em todas as situações e em todas as criaturas.
Para muita gente, a manjedoura era lugar desprezível;
entretanto, Ele via Deus na humildade com que a Natureza lhe oferecia materno colo
e transformou a estrebaria num poema de excelsa beleza.
Para muita gente, Maria de Magdala era mulher sem
qualquer valor, pela condição de obsidiada em que se mostrava na vida pública;
no entanto, Ele via Deus naquele coração feminino ralado de sofrimento e
converteu-a em mensageira da celeste ressurreição.
Para muita gente, Simão Pedro era homem rude e
inconstante, indigno de maior consideração; contudo, Ele via Deus no espírito
atribulado do pescador semi-analfabeto que o povo menosprezava e transmutou-o
em paradigma da fé cristã, para todos os séculos.
Para muita gente, Judas era negociante de expressão
suspeita, capaz de astuciosos ardis em louvor de si mesmo; no entanto, Ele via
Deus na alma inquieta do companheiro que os outros menoscabavam e estendeu-lhe
braços amigos até ao fim da penosa deserção a que o discípulo distraído se
entregou, invigilante.
Para muita gente, Saulo de Tarso era guardião
intransigente da Lei Antiga, vaidoso e perverso, na defesa dos próprios
caprichos; contudo, Ele via Deus naquele espírito atormentado, e procurou-o
pessoalmente, para confiar-lhe embaixada importante.
Se purificares, assim, o coração, identificarás a
presença de Deus em toda parte, compreendendo que a esperança do Criador não
esmorece em criatura alguma, e perceberás que a maldade e o crime são apenas
espinheiro e lama que envolvem o campo da alma – o brilhante divino que virá
fatalmente à luz...
E aprendendo e servindo, ajudando e amando
passarás, na Terra, por mensagem incessante de amor, ensinando os homens que te
rodeiam a converter o charco em berço de pão e a entender que, mesmo nas
profundezas do pântano, podem surgir lírios perfumados e puros para exaltar a
glória de Deus.
Livro: Religião dos Espíritos
Chico Xavier/Emmanuel
Francisco Rebouças