No mundo dos espíritos,
porém, o trabalho de auxílio aos companheiros que estavam no campo das
provações era bastante intenso. As entidades amigas iniciaram o processo de
divulgação de mensagens edificantes através da mediunidade.
Tarefeiros espirituais dedicados envolveram de maneira doce e terna vários
médiuns, efetuando o sublime intercâmbio entre as duas realidades da vida.
Centenas de mensagens foram irradiadas, ressaltando a necessidade de mais
trabalho, discrição, zelo pela doutrina espírita e tolerância entre os
cooperadores do amor.
Os médiuns captavam as informações espirituais, cada qual com suas capacidades
medianímicas, vestindo as ideias dos benfeitores com o próprio material mental,
mantendo-se fiéis ao fundo das informações superiores.
Todos os grupos receberam
à visita fraterna das entidades amigas, estimulando-os e alertando
delicadamente a respeito da necessidade de entenderem a Casa Espírita como
verdadeiro templo, onde o trabalho, a tolerância e a fraternidade precisam ser
colocados em evidência.
À
medida que as mensagens foram sendo recebidas, avaliadas com rigor e
divulgadas, o ambiente do Centro começava a mudar vagarosamente.
Contudo, Israel, que se empenhava na organização de valoroso estudo
doutrinário, era envolvido pelos adversários do bem.
Embora suas atividades
dignas, respeitosas e fervorosas nos ideais espíritas lhe conferissem notável
proteção espiritual, os adversários da bondade, com objetivo de atormentá-lo
e atrapalhar a organização da reunião de estudos alertadores, envolveram os
frequentadores invigilantes, ferindo-lhes a alma desta forma:
— Israel, não precisamos
tanto de estudo, você já está velho, seu método ultrapassado, precisamos é de
capacidades novas. Por que não aposenta suas ideias antigas?
Ofereça oportunidade aos
que estão chegando. Sua época já passou. Vá, faça suas viagens, suas palestras
repetitivas e deixe o cargo àqueles que apresentam maior competência. Durante
todos estes anos você reinou nesta Casa, agora é melhor que você descanse.
O responsável pelas
atividades doutrinárias sentiu o coração pulsar mais depressa, mas manteve-se
firme, pedindo a Deus o ajudasse a tolerar e esclarecer o quão importante é a
continuidade dos estudos espíritas para a manutenção da Casa e da Causa.
Entretanto, os inimigos
do bem tentavam de tudo, inclusive contra sua própria vida, no que foram,
naturalmente, impedidos pelos benfeitores.
Certa noite, quando as
horas avançavam para a madrugada, os espíritos do Senhor convocaram importante
assembleia, recrutando os cooperadores encarnados de cada departamento da Casa,
incluindo as obras assistenciais, com objetivo de apoiá-los.
Reunidos os
representantes dos trabalhos do Cristo, acompanhados dos tutores espirituais
responsáveis pelas respectivas tarefas, o mentor cumprimentou-os desta
maneira:
— Queridos amigos e
irmãos!
Neste momento delicado é
necessário nos colocarmos em
guarda. Os encarnados estão sendo experimentados e precisam
estar alerta nas tarefas edificantes.
Primeiramente, continuou
o mentor, é necessário lembrar que a nossa Casa Espírita foi edificada por
dedicados idealistas com o objetivo de viver e divulgar os ensinos da Doutrina
Espírita, revivendo a mensagem cristã.
Não desconhecemos as
dificuldades, não ignoramos os problemas. Confiamos, contudo, na proteção
espiritual que brota do Mais Alto como chuva luminosa, inspirando e amparando
todos os que trabalham com sinceridade na seara do Senhor.
Entretanto, se somos
representantes do Espiritismo, não podemos esquecer de valorizarmos a pureza
doutrinária, colocando-nos à disposição para estudarmos e irradiarmos as
verdades codificadas por Allan Kardec.
Neste momento grave, prosseguiu
o orientador iluminado, pelo qual passa nossa Casa, os adversários têm se
valido das imperfeições humanas para semear a discórdia, implantar a competição
entre os cooperadores invigilantes, mexer com a vaidade, irritar os corações,
desestimulando as realizações cristãs. Dessa forma, meus irmãos, somos todos
responsáveis pela continuidade do empreendimento redentor. E, se dispomos de
maiores esclarecimentos, temos o dever de testemunharmos mais. Assim, evitemos
a qualquer custo desenvolvermos as fofocas destruidoras, a maledicência, as
disputas etc.
Todos somos importantes e
necessários nas funções que abraçamos. Lembremo-nos do Cristo:
“... Aquele que quiser
ser o maior seja o menor e o servidor de todos”.
Aproveitaremos este
encontro de estudos, promovido pela diretoria de doutrina sob nossa inspiração,
para, durante todo o trabalho, envolvermos quanto pudermos os expositores,
iluminando-lhes a consciência, esclarecendo suas ideias, ajudando-os na
organização do pensamento, a fim de que as palavras orientadoras possam chegar
aos corações da maneira mais clara possível, fazendo com que seja exaltado o
compromisso com a discrição, a tolerância, o zelo pela doutrina espírita e a
fraternidade entre os trabalhadores e frequentadores.
Neste momento, o
instrutor fez pequena pausa, como se estivesse organizando as ideias, no que
foi questionado por um dos cooperadores encarnados.
— Afinal, por que nossa
Casa está sendo perseguida? Por que estamos sendo tão atacados desta forma?
Querem, os inimigos do amor, destruir alguém em particular?
— Não, esclareceu o
espírito amigo, os adversários são inimigos gratuitos da Causa e desejam
destruir a obra de Jesus no planeta.
Entretanto, os
trabalhadores imprudentes cooperam para aumentar o problema, à medida que
oferecem brechas no caminho. Isso tudo é, de certa forma, compreensível, uma
vez que são companheiros em aprendizado rumo a própria perfeição.
No entanto, os obsessores
devem ser contidos e educados amorosamente. O Evangelho de Jesus é
essencialmente educativo e é uma pena que seja esquecido algumas vezes; e
quando isso acontece, os amigos encarnados entram em sintonia com os adversários,
tornando-se seus representantes na Terra. Porém, aqueles que permanecerem
firmes , valorizando pelo próprio exemplo a mensagem cristã, nos permitirão o
auxílio na proporção direta do trabalho no campo do bem, contribuindo para a
modificação dos adversários, fazendo com que o equilíbrio retorne naturalmente.
Do mal sempre se pode
tirar o bem, e o que se poderá extrair desta situação são as provas para todos
os estudantes do Espiritismo na grande escola em que se converte o Centro
Espírita.
Por isso, meus amigos,
perseveremos!
Uma plêiade de entidades
celestes garantirá nossa proteção, desde que pratiquemos as verdades reveladas
por Jesus.
Assim, valorizemos as
boas atitudes, estudemos e vivamos sempre a mensagem evangélica, evitando com
isso as infiltrações indesejadas.
Sendo a Casa Espírita um
templo de trabalho e amor, é importante defendê-la da penetração das trevas no
campo do nosso ideal.
Procuremos seguir
confiantes, na certeza de que o Senhor nos abençoa.
Ao final da preleção,
Castro e Israel apresentaram-se para, mais uma vez, solicitar do benfeitor
orientação para a continuidade dos trabalhos.
O presidente da
instituição aproximou-se do dirigente espiritual com olhos marejados,
dirigindo, segundos depois, este pedido de ajuda:
— Caro amigo, temos
recebido o teu concurso há anos e, de fato, nos sentimos felizes e honrados
pela oportunidade de serviço. Entretanto, minha alma está sofrendo! Não sei se
vou aguentar mais esta vez! Meu coração está cansado. Tenho suportado
intolerância e desequilíbrios! Por mais que se fale, solicitando viver os
ensinos do Cristo, as criaturas permanecem renitentes, desejosas em ser o
exemplo da irritação e da incompreensão.
Já tenho feito tanto por
esta Casa! Mas, agora, amigo, confesso estar esgotado. Não aguento mais tantas
reclamações, nossa organização tem se demonstrado ineficiente para o executar
das tarefas mais simples. Os tarefeiros apontam dificuldades para os trabalhos
de rotina! Durante anos militei firme. Mas, hoje, o labor tem exigido muito de
mim e, diante de tantos problemas, tenho pensado em
desistir. Quem sabe esteja velho, mesmo! Talvez seja a hora
de aposentar? Oferecer a vez para outros, livrando-me das perturbações?
Ouça, amigo querido, clamou
o presidente, diga-me, se puder, qual deverá ser a minha atitude?
O benfeitor
amoroso aproximou-se um pouco mais de Castro, envolvendo-o ternamente junto ao
peito, falando-lhe desta maneira:
A tua postura, Castro,
deverá ser sempre a do homem de bem.
Quem se dispõe a seguir
Jesus deve estar consciente dos caminhos pedregosos, da cruz que carrega e, ao
final da vida terrena, estar preparado para o sublime sacrifício do Gólgota.
O Cristo também não ficou
livre da “hora das trevas” a que se refere o Evangelho, ensinando-nos ser
preciso suportá-la, para que a obra não se perca. Os adversários são igualmente
nossos irmãos em humanidade, permanecendo, simplesmente, enganados quanto ao
caminho das verdades eternas!
Compreende-os o quanto
puderes! São almas sofredoras, guardam angústias e dramas terríveis, querem se
libertar dos erros, mas não encontram coragem. Trazem a consciência profundamente
comprometida ante as leis universais e terão de enfrentar a inexorável lei da
reparação.
E se queres saber, tu
mesmo já fizeste parte das “hostes infernais”! Quem de nós, peregrinando pelos
caminhos da ignorância, não contribuímos para entravar o progresso?
Agora, que já caminhámos
um pouco mais, é mister compreendermos aqueles que estão na escuridão, fazendo
a nossa parte para retribuir à lei divina a mesma misericórdia de que um dia
desfrutamos.
Para alcançarmos o Éden
da felicidade plena, é preciso sabermos nos compreender e tolerar,
ajudando-nos mutuamente. O obsessor de hoje será o trabalhador do amanhã e, num
futuro que depende de cada um de nós, o anjo, mensageiro do Senhor. Todos
fazemos parte do rebanho de Jesus, e nenhuma alma deverá ser perdida!
Tu, meu amigo, estás
rumando para o sublime sacrifício do Calvário, e as trevas, naturalmente, estão
te experimentando. Fracassarás agora? Renunciarás ao trabalho? Farás como Simão
Pedro? Negarás Jesus no momento mais importante? Abandonarás os irmãos em
jornada à própria sorte? Para onde foi o teu ideal? Deixa-te, portanto, ser
transpassado pelos cravos da maledicência, suporta as injúrias, as maldades,
pois estes sofrimentos morais ainda são necessários para o teu crescimento
espiritual. Muitos dos excursionistas em aprendizado pela Terra passam por
provações semelhantes devido a necessidades evolutivas e não atingiram, ainda,
a capacidade de sofrer e viver pela felicidade do outro, apagando-se
completamente! Se achas ter feito muito por esta Casa, de fato, não entendeste
o idealismo espírita! Se apresentas fadiga, busca a água viva do Evangelho,
refrescando-te no oásis dos ensinos de Jesus, perante o deserto dos teus
sofrimentos! Já vencemos tantos problemas juntos, nunca te negamos amparo,
contudo, quando precisamos contar com tua colaboração num momento extremo, em
que a lucidez e o exemplo cristão precisam caminhar lado a lado, pensas em
desistir? Lembra-te: Ninguém alcança ascensão espiritual, sem vencer a si mesmo,
e sem dar a vida pelo semelhante.
Bem sabemos das tuas
limitações, mas te solicitamos, já que és o representante desta Casa no
ambiente físico, a compreensão dos irmãos em desequilíbrio como nós os
compreendemos.
Tua presença atuante,
dando prosseguimento ao ideal dos fundadores deste núcleo, tem-nos
possibilitado a continuidade da obra. Por isso, suporta com coragem, oferecendo
o teu trabalho como sacrifício útil àqueles, como todos nós, necessitados de
uma Casa bem organizada no campo administrativo e, sobretudo, no campo
doutrinário e assistencial, mantendo acesa, a qualquer custo, a luz da verdade,
fazendo triunfar neste Templo e nos corações humanos a chama do Evangelho.
Lembra-te do número de
crianças atendidas por este Centro, as gestantes carentes, os andarilhos, as
entrevistas, os diálogos, as vibrações etc. Uma gama enorme de almas
encarnadas e desencarnadas recebendo o concurso caridoso do Cristo, através das
criaturas de boa vontade. Por todo este trabalho, precisamos continuar
laborando sem esmorecer e tu, assim como nós todos, encarnados e desencarnados,
fazemos parte de toda esta engrenagem movida pela misericórdia divina.
Não desconhecemos os
perigos que corremos, sabemos que és portador do livre-arbítrio. Se abandonares
as tuas realizações agora, falaremos como os espíritos do Mais Alto disseram a Kardec:
“... Se desistires da
jornada, outro te substituirá, pois os desígnios de Deus não repousam na
cabeça de um único homem.”
Contudo, para ti será a
perda do coroamento moral do trabalho, ocorrido pela satisfação de vencer a
luta com honestidade, dignidade, com as armas do Evangelho redentor, o qual
aponta para a tolerância, a compreensão, a educação, a não-violência e a fraternidade
sempre!
Recorda-te dos dias
difíceis pelos quais passaram os fundadores deste hospital-escola, das horas
oferecidas em favor da obra, das renúncias ao lazer, das perseguições
espirituais pelas quais passaram, dos inúmeros testemunhos, do trabalho na
vanguarda mostrando aos irmãos menores o caminho da salvação. Eles igualmente
tiveram a alma ferida, foram vítimas da maledicência e tu sabes qual a posição
espiritual ocupada por eles, hoje! Além do mais, continuou o porta-voz da
benemerência, nós te alertamos a respeito de não ser esta uma invasão comum,
igualmente te prevenimos sobre os sofrimentos pelos quais haverias de passar.
Portanto, meu irmão, ouve a voz que vem do Alto, solicitando a nós todos o
sacrifício íntimo em benefício do semelhante, continua em confiança na certeza
de que, quando voltares para nossa esfera, terás a consciência tranquila por um
trabalho bem cumprido.
Continuaremos ao teu lado
inspirando-te ideias corretas para não te faltar a palavra consoladora e
esclarecedora. Lembra-te contudo, que os adversários do bem só se infiltraram em
nossa Casa por encontrarem brechas nos trabalhadores
encarnados invigilantes, explorando as dificuldades humanas; e, para vencer
este processo, bastará sintonizarem com esferas maiores!
Compreendemos a
complexidade do caso, sabemos que o teu coração, às vezes, é ferido pelas
incompreensões, mas recorda-te: quanto maior o sacrifício, maiores os méritos.
Diante disto, ergue afronte, confia em Deus, sê o homem de bem, e continua
lutando pela caridade de maneira intrépida, pois tudo passa, só o bem
permanece!
Para vencermos esta luta,
será preciso esclarecer os encarnados acerca da responsabilidade do trabalho
na seara espírita, a importância de sintonias superiores, evitando espalharem o
vírus perverso e destruidor das fofocas, prevenindo, com a vivência do
Evangelho, as terríveis infiltrações.
Castro chorava
sensibilizado. Aquelas palavras firmes e caridosas, despertaram-no para a
tarefa, encheram-no de ânimo e confiança. Considerou que a função desempenhada
por ele era necessária.
E, reconhecendo-se como servo pequenino, administrando um tesouro que pertence
a Jesus, deixou de lado a auto piedade e decidiu-se por continuar caminhando
confiante na providência divina.
— Israel, meu amigo,
disse a entidade abraçando o respectivo tarefeiro, como estás enfrentando
estas dificuldades?
E o representante das
atividades de doutrina, emocionado e melancólico, respondeu:
— Bom amigo, bem sabemos
da tua dedicação e o quanto nos tens suportado, bem sabemos o quanto as tuas
inspirações nos têm salvado dos envolvimentos e ataques das sombras. As
mensagens espirituais enviadas deste plano nos têm consolado, aumentando nossa
confiança, permitindo-nos continuar a tarefa amparados pela tua presença,
organizando a plêiade de espíritos trabalhadores do Senhor.
Contudo, desta vez nosso
coração está um pouco mais carente de ajuda, nossas almas, de fato, perdem um
pouco o equilíbrio. Vendo a nossa Casa, que fora edificada com tanto carinho
e dedicação, sendo invadida pelas trevas, ficamos conturbados. Também confesso
que, diante de tantos problemas, não sei, às vezes, como agir.
Viemos buscar, junto ao
teu coração generoso, o amparo que nos permitirá prosseguirmos um pouco mais
animados.
As ondas de modismos
instaladas em
nossa Casa vêm me causando tormentos profundos, fico
preocupado pensando, se não tomarmos cuidado com a pureza doutrinária,
poderemos nos perder nestas ondas de novidades que surgem a todo momento.
Eis que te solicitamos a
caridade de nos orientar, a fim de que, apoiados nas tuas palavras, possamos
prosseguir fortalecidos.
— Israel, disse o
benfeitor, não te deixes abater por este momento, pois o plano dos adversários
é, exatamente, desestimular os responsáveis, cansá-los através dos problemas,
irritá-los, para depois, quando saírem da sintonia superior, alcançada pelo
trabalho alegre, pela pureza dos propósitos e pela caridade pura, afastá-los
das tarefas definitivamente.
Se o desânimo te visitar,
serás porta aberta aos perseguidores. Continua cuidando da nossa obra, Israel.
É preciso permanecermos firmes na pureza doutrinária, caminhando, quanto
possível, para que as orientações kardequianas não se percam no caminho.
Entretanto, se o zelo doutrinário é importante, devemos evitar, a qualquer
custo, a intolerância, os julgamentos precipitados, limitando-nos a dar
demonstrações seguras das orientações de Kardec.
Diante dos modismos que
se agitam, quais ondas destruidoras, é preciso nos revestirmos de íntima
paciência, acompanhada de autoridade moral no campo das orientações. Evita, continuou
o orientador, acima de qualquer coisa, as irritações, os conflitos provenientes
destes processos, a fim de que a obra possa sobreviver. A pureza doutrinária
não deve ser encarada como uma ferramenta produtora da discórdia, é, antes de
tudo, capacidade normativa, reguladora das tarefas que se desenvolvem em nome
da Doutrina Espírita, conjunto de princípios, santo demais para ser alterado
por mentes invigilantes e distantes dos estudos doutrinários seguros.
Os ensinos de Allan
Kardec, para nós, são a água viva que mata a sede dos conhecimentos
filosóficos, científicos e religiosos acerca das questões fundamentais da
existência humana, conduzindo-nos para a transformação moral.
Diante disto, se grupos
se levantarem ameaçando o abandono da Casa, não temas! De certa forma, é bem
provável que isso venha a acontecer, pois muitos tarefeiros haverão de se deixar
dominar pelas mentes perversas dos subalternos de Júlio César.
Assim, procura agir com
fraternidade, simplicidade e firmeza na defesa de nossa Doutrina, tolerando e
evitando, o quanto possível, que estes modismos se instalem entre nós.
Lembra-te: tu és o representante do aspecto doutrinário em
nossa Casa, é natural esperemos de ti raciocínio claro desprovido
de personalismo, livre do sentimento orgulhoso que impõe opiniões sem bases
fundamentadas, ou que interprete as orientações de Kardec para defender pontos
de vista pessoais, visando à manipulação dos fatos ou acontecimentos em seu
próprio benefício. A verdade deve permanecer sempre! A Doutrina Espírita,
representando o coração da Instituição, deve pulsar livre de qualquer
impedimento, conduzindo as almas à liberdade através das realidades eternas.
Por isso, é justo esperarmos de ti firmeza e não intransigência, lucidez e não
fanatismo, tato fraterno e não autoritarismo, estudo e não acomodação, firmeza
das intenções e não anarquia doutrinária, defendendo com o próprio exemplo os
princípios sagrados da terceira revelação.
Nesta tarefa, não temas a
reação dos trabalhadores, pois estamos contigo também; igualmente te prevenimos
a respeito dos perseguidores espirituais e dos tormentos pelos quais haverias
de passar, testemunhando o Evangelho.
As orientações que
fraternalmente passamos para Castro, igualmente te servem. Livra-te rapidamente
do desânimo que te ronda, a fim de que os adversários da bondade não encontrem
em ti canal de atuação inferior. Ocupa a mente, trabalha com coragem no
material referente ao encontro de estudos, esclarecendo com bondade os
necessitados.
Continuamos confiando a
ti a tarefa de conduzir o departamento doutrinário, por isso prepara-te,
também, para o sublime testemunho do Calvário, suportando os agressores que te
fazem percorrer uma Via Sacra de insultos, tendo a certeza de que Deus está
conosco.
Lembra-te, Israel, prosseguiu
o mentor, Pureza doutrinária e tolerância sempre! Ainda que não sejas
compreendido por todos, prossegue fervoroso, agindo com os pensamentos calcados
em Jesus e Kardec. Segue adiante, na certeza de que te estaremos sustentando!
Maria Souza, continuou o
coordenador do bem, está promovendo pequeno movimento que, em breve, haverá de
se multiplicar consideravelmente sob as orientações das trevas. Contudo,
limita-te a compreender as mentes enfermas e a esclarecê-las de maneira
respeitosa e profundamente embasada em Kardec.
Estaremos contigo todo o
tempo que dedicares ao trabalho espírita, por isso conta conosco, porque
depositamos nossas esperanças nos teus propósitos sempre firmes em levantar a
bandeira, onde quer que seja, da pureza doutrinária.
Terminada a orientação, o
mentor abraçou carinhosamente os representantes diretos do Centro Espírita,
fazendo, em seguida, prece fervorosa levando-os às lágrimas, ao mesmo tempo em
que fortaleciam os sentimentos em Jesus, renovando-se luídica e mentalmente
para a continuidade da tarefa.
Quando acordaram no
corpo, sentiam-se, de fato, renovados. Embora não guardassem na memória física
as informações detalhadas, traziam o coração repleto de coragem e desejo de
continuar servindo.
A equipe espiritual, porém, trabalhava sem descanso. As mensagens
espirituais continuavam sendo transmitidas com intensidade. Redatores
espirituais, comprometidos com o ideal, interpretavam os pensamentos das
entidades sublimes tutoras daquela Casa, retransmitindo posteriormente, aos
médiuns em sintonia com planos superiores, palavras incentivadoras do trabalho,
solicitando vigilância, oração, reforma íntima, tolerância e discrição nas
atividades espíritas, a fim de ajudá-los a vencer, pela renovação mental, as
influências negativas.
Livro: Aconteceu na Casa Espírita
Emanuel Cristiano/Nora
Francisco
Rebouças