Solidarity Spiritist Societ

sábado, 31 de janeiro de 2015

Uma mensagem para mim!


Para Francisco

 

Ontem, pai

hoje, filho

Quem sabe amanhã?

O que Deus reserva para o nosso caminho?


Comemora mais um dia

Todos os dias são dias de festa

Nem sempre como queremos

Mas mesmo assim, aprendeste à bessa!

 

Na casa dos sessenta,

Quanta coisa já vivida

Quanta experiência já adquirida

Nessa encarnação que às vezes é uma encrenca.


Mas vale, ó homem, da oportunidade

Que Deus nos deu como alavanca bendita

Continua ainda agora a caridade

Para que afastes de ti a palavra maldita.


Sim, sim, o passado hoje se revela,

Nas mínimas dores e sorrisos

Muito ganha quem espera

Com aquela esperança que nunca desespera.


Paciência, irmão amigo

A vida abundante a todos espera

Tudo no homem se regenera

Quando Jesus encontra no coração deste o abrigo.


De um amigo Espiritual – Janeiro/2015.

Para Francisco Rebouças
por uma Médium.

Grandeza

Quanto mais avança o Tempo nas trilhas da História, apartando-se da figura sublime, mas amplo esplendor lhe assinala a presença.

Ele não era legislador e a sua palavra colocou os princípios da Misericórdia nos braços da Justiça.

Não era administrador e instituiu na Caridade o campo da assistência fraternal em que os mais favorecidos podem amparar os irmãos em penúria.

Não era escritor e inspirou e ainda inspira as mais belas páginas da humanidade.

Não era advogado e ainda hoje, é o defensor de todos os infelizes.

Não  era  engenheiro  e  continua  edificando  as  mais  sólidas  pontes,  destinadas  à aproximação e ao relacionamento entre as criaturas.

Não  era  médico  e  prossegue  sanando  os  males  do  espírito,  além  de  suscitar  o levantamento  constante  de  mais  hospitais  e  mais  extensas  obras  de  benemerência, capazes de estender alívio e socorro aos doentes.

Ensinou a prática do amor, renunciando à felicidade de ser amado.

Pregou  a  extinção  do  ódio,  desculpando  sem  condições  a  todos  aqueles  que  lhe ultrajaram a existência.

Não dispunha dessa ou daquela posse, na ordem material dos homens, e enriqueceu a Terra de esperança e de alegria.

Não viajou pelos continentes do Planeta, mas conversando com alguns necessitados e desvalidos, na limitada região em que morava, elevando constantemente os destinos da vida comunitária.

Embora  crucificado  e  tido  por  malfeitor,  há  quase  vinte  séculos,  quando  os  povos tentam apagar-lhe os ensinamentos, a Civilização treme nas bases.

Esse homem que conservava consigo a sabedoria e a beleza dos anjos, tem o nome de Jesus Cristo.

O seu imenso amor é a presença de Deus na Terra e a sua vida é e será sempre a luz das nações.

Emmanuel

Livro: Esperança e Luz
Chico Xavier/Espíritos Diversos


Francisco Rebouças

ASSISTÊNCIA COMO DEVER

Emmanuel
É indispensável o culto da solidariedade como simples dever.
Todos possuímos algo para dar.
O níquel da assistência consoladora...
A roupa esquecida ou imprestável...
O pão que sobra à mesa...
A frase reconfortante...
O livro renovador...
A benção de uma prece...

Não nos reportamos, porém, à esmola suplicada. Dizemos da ação espontânea e constante do amor fraterno que procura os companheiros menos  felizes  para  socorrê-los  nas  provas  difíceis  e  deprimentes, copiando  a  Infinita  Bondade  Celestial  que  não  nos  aguarda  atitudes mendicantes para doar-nos a luz do sol.

Se recolhemos a benção do Senhor, em cada instante da estrada, é justo  saibamos  estendê-la  aos  que  nos  cercam, em nome do Cristo Vivo que não nos desampara.

Precisamos  da  lídima  caridade  uns  para  com  os  outros,  como, necessitamos doar que nos sustenta.

Caridade sem tributos de gratidão.
Caridade sem orientação de virtude.
Caridade como saúde da alma.
Caridade como hábito justo.
Caridade como inalienável obrigação.

Livro: Vida e Caminho
Chico Xavier/Autores Diversos


Francisco Rebouças

sexta-feira, 30 de janeiro de 2015

Procure compreender o próximo

Resultado de imagem para capa do livros minutos de sabedoriaPROCURE compreender o próximo.

Não magoe aqueles que o beneficiaram.


Procure compreender as palavras e ações dos outros, especialmente se o amam.


Não fira a sensibilidade alheia, porque você sabe como sofre, quando fazem isto com você.


Como dói ouvir palavras duras, de ingratidão, proferidas pelos lábios da pessoa a quem amamos!

Não faça isso!


Procure compreender os outros!



Livro: Minutos de Sabedoria
Carlos Torres Pastorino


Francisco Rebouças


DISCÍPULOS

       “E qualquer que não levar a sua cruz, e não vier após mim, não pode ser meu discípulo.” — Jesus. (LUCAS, capítulo 14, versículo 27.)
 
       Os círculos cristãos de todos os matizes perma­necem repletos de estudantes que se classificam no discipulado de Jesus, com inexcedível entusiasmo verbal, como se a ligação legítima com o Mestre esti­vesse circunscrita a problema de palavras.

       Na realidade, porém, o Evangelho não deixa dúvidas a esse respeito.

       A vida de cada criatura consciente é um con­junto de deveres para consigo mesmo, para com a família de corações que se agrupam em torno dos seus sentimentos e para com a Humanidade inteira.

       E não é tão fácil desempenhar todas essas obri­gações com aprovação plena das diretrizes evan­gélicas.

Imprescindível se faz eliminar as arestas do pró­prio temperamento, garantindo o equilíbrio que nos é particular, contribuir com eficiência em favor de quantos nos cercam o caminho, dando a cada um o que lhe pertence, e servir à comunidade, de cujo quadro fazemos parte.

Sem que nos retifiquemos, não corrigiremos o roteiro em que marchamos.

Árvores tortas não projetam imagens irrepreen­síveis.

Se buscamos a sublimação com o Cristo, ouça­mos os ensinamentos divinos. Para sermos discípu­los dele é necessário nos disponhamos com firmeza a conduzir a cruz de nossos testemunhos de assimi­lação do bem, acompanhando-lhe os passos.

Aprendizes existem que levam consigo o madei­ro das provas salvadoras, mas não seguem o Senhor por se confiarem à revolta através do endurecimento e da fuga.

Outros aparecem, seguindo o Mestre nas frases bem-feitas, mas não carregam a cruz que lhes toca, abandonando-a à porta de vizinhos e companheiros.

Dever e renovação.

Serviço e aprimoramento.

Ação e progresso.

Responsabilidade e crescimento espiritual.

Aceitação dos impositivos do bem e obediência aos padrões do Senhor.

      Somente depois de semelhantes aquisições é que atingiremos a verdadeira comunhão com o Divino Mestre.

Livro: Fonte Viva
Chico Xavier/Emmanuel

Francisco Rebouças

quinta-feira, 29 de janeiro de 2015

Entre Mensagens e Críticas


 No mundo dos espíritos, porém, o trabalho de auxílio aos companheiros que estavam no campo das provações era bastante intenso. As entidades amigas iniciaram o processo de divulgação de mensagens edificantes através da mediu­nidade. 

 
        Tarefeiros espirituais dedicados envolveram de manei­ra doce e terna vários médiuns, efetuando o sublime inter­câmbio entre as duas realidades da vida. 
 
        Centenas de mensagens foram irradiadas, ressaltando a necessidade de mais trabalho, discrição, zelo pela doutrina espírita e tolerância entre os cooperadores do amor. 
 
        Os médiuns captavam as informações espirituais, cada qual com suas capacidades medianímicas, vestindo as ideias dos benfeitores com o próprio material mental, mantendo­-se fiéis ao fundo das informações superiores. 
 
Todos os grupos receberam à visita fraterna das entida­des amigas, estimulando-os e alertando delicadamente a res­peito da necessidade de entenderem a Casa Espírita como verdadeiro templo, onde o trabalho, a tolerância e a frater­nidade precisam ser colocados em evidência. 
 
        À medida que as mensagens foram sendo recebidas, avaliadas com rigor e divulgadas, o ambiente do Centro co­meçava a mudar vagarosamente. 
 
        Contudo, Israel, que se empenhava na organização de valoroso estudo doutrinário, era envolvido pelos adversários do bem. 
 
Embora suas atividades dignas, respeitosas e fervorosas nos ideais espíritas lhe conferissem notável proteção espiri­tual, os adversários da bondade, com objetivo de atormentá-­lo e atrapalhar a organização da reunião de estudos alertadores, envolveram os frequentadores invigilantes, ferindo-lhes a alma desta forma: 
 
— Israel, não precisamos tanto de estudo, você já está ve­lho, seu método ultrapassado, precisamos é de capacidades no­vas. Por que não aposenta suas ideias antigas? 
 
Ofereça oportunidade aos que estão chegando. Sua época já passou. Vá, faça suas viagens, suas palestras repetitivas e dei­xe o cargo àqueles que apresentam maior competência. Durante todos estes anos você reinou nesta Casa, agora é melhor que você descanse. 
 
O responsável pelas atividades doutrinárias sentiu o coração pulsar mais depressa, mas manteve-se firme, pedin­do a Deus o ajudasse a tolerar e esclarecer o quão importan­te é a continuidade dos estudos espíritas para a manutenção da Casa e da Causa. 
 
Entretanto, os inimigos do bem tentavam de tudo, in­clusive contra sua própria vida, no que foram, naturalmen­te, impedidos pelos benfeitores. 
 
Certa noite, quando as horas avançavam para a madru­gada, os espíritos do Senhor convocaram importante assem­bleia, recrutando os cooperadores encarnados de cada departamento da Casa, incluindo as obras assistenciais, com ob­jetivo de apoiá-los. 
 
Reunidos os representantes dos trabalhos do Cristo, acompanhados dos tutores espirituais responsáveis pelas res­pectivas tarefas, o mentor cumprimentou-os desta maneira: 
 
— Queridos amigos e irmãos! 
 
Neste momento delicado é necessário nos colocarmos em guarda. Os encarnados estão sendo experimentados e precisam estar alerta nas tarefas edificantes. 
 
Primeiramente, continuou o mentor, é necessário lembrar que a nossa Casa Espírita foi edificada por dedicados idealistas com o objetivo de viver e divulgar os ensinos da Doutrina Espíri­ta, revivendo a mensagem cristã. 
 
Não desconhecemos as dificuldades, não ignoramos os pro­blemas. Confiamos, contudo, na proteção espiritual que brota do Mais Alto como chuva luminosa, inspirando e amparando todos os que trabalham com sinceridade na seara do Senhor. 
 
Entretanto, se somos representantes do Espiritismo, não podemos esquecer de valorizarmos a pureza doutrinária, colocan­do-nos à disposição para estudarmos e irradiarmos as verdades codificadas por Allan Kardec. 
 
Neste momento grave, prosseguiu o orientador ilumina­do, pelo qual passa nossa Casa, os adversários têm se valido das imperfeições humanas para semear a discórdia, implantar a com­petição entre os cooperadores invigilantes, mexer com a vaidade, irritar os corações, desestimulando as realizações cristãs. Dessa forma, meus irmãos, somos todos responsáveis pela continuida­de do empreendimento redentor. E, se dispomos de maiores es­clarecimentos, temos o dever de testemunharmos mais. Assim, evitemos a qualquer custo desenvolvermos as fofocas destruido­ras, a maledicência, as disputas etc. 
 
Todos somos importantes e necessários nas funções que abra­çamos. Lembremo-nos do Cristo: 
 
“... Aquele que quiser ser o maior seja o menor e o servidor de todos”. 
 
Aproveitaremos este encontro de estudos, promovido pela diretoria de doutrina sob nossa inspiração, para, durante todo o trabalho, envolvermos quanto pudermos os expositores, iluminan­do-lhes a consciência, esclarecendo suas ideias, ajudando-os na organização do pensamento, a fim de que as palavras orientadoras possam chegar aos corações da maneira mais clara possível, fa­zendo com que seja exaltado o compromisso com a discrição, a tolerância, o zelo pela doutrina espírita e a fraternidade entre os trabalhadores e frequentadores. 
 
Neste momento, o instrutor fez pequena pausa, como se estivesse organizando as ideias, no que foi questionado por um dos cooperadores encarnados. 
 
— Afinal, por que nossa Casa está sendo perseguida? Por que estamos sendo tão atacados desta forma? Querem, os inimi­gos do amor, destruir alguém em particular? 
 
— Não, esclareceu o espírito amigo, os adversários são inimigos gratuitos da Causa e desejam destruir a obra de Jesus no planeta. 
 
Entretanto, os trabalhadores imprudentes cooperam para aumentar o problema, à medida que oferecem brechas no cami­nho. Isso tudo é, de certa forma, compreensível, uma vez que são companheiros em aprendizado rumo a própria perfeição. 
 
No entanto, os obsessores devem ser contidos e educados amorosamente. O Evangelho de Jesus é essencialmente educativo e é uma pena que seja esquecido algumas vezes; e quando isso acontece, os amigos encarnados entram em sintonia com os ad­versários, tornando-se seus representantes na Terra. Porém, aqueles que permanecerem firmes , valorizando pelo próprio exem­plo a mensagem cristã, nos permitirão o auxílio na proporção direta do trabalho no campo do bem, contribuindo para a modi­ficação dos adversários, fazendo com que o equilíbrio retorne na­turalmente. 
 
Do mal sempre se pode tirar o bem, e o que se poderá ex­trair desta situação são as provas para todos os estudantes do Es­piritismo na grande escola em que se converte o Centro Espírita.
  
Por isso, meus amigos, perseveremos! 
 
Uma plêiade de entidades celestes garantirá nossa proteção, desde que pratiquemos as verdades reveladas por Jesus. 
 
Assim, valorizemos as boas atitudes, estudemos e vivamos sempre a mensagem evangélica, evitando com isso as infiltrações indesejadas. 
 
Sendo a Casa Espírita um templo de trabalho e amor, é importante defendê-la da penetração das trevas no campo do nosso ideal. 
 
Procuremos seguir confiantes, na certeza de que o Senhor nos abençoa. 
 
Ao final da preleção, Castro e Israel apresentaram-se para, mais uma vez, solicitar do benfeitor orientação para a continuidade dos trabalhos. 
 
O presidente da instituição aproximou-se do dirigente espiritual com olhos marejados, dirigindo, segundos depois, este pedido de ajuda: 
 
— Caro amigo, temos recebido o teu concurso há anos e, de fato, nos sentimos felizes e honrados pela oportunidade de ser­viço. Entretanto, minha alma está sofrendo! Não sei se vou aguentar mais esta vez! Meu coração está cansado. Tenho su­portado intolerância e desequilíbrios! Por mais que se fale, solici­tando viver os ensinos do Cristo, as criaturas permanecem reni­tentes, desejosas em ser o exemplo da irritação e da incompreen­são. 
 
Já tenho feito tanto por esta Casa! Mas, agora, amigo, con­fesso estar esgotado. Não aguento mais tantas reclamações, nos­sa organização tem se demonstrado ineficiente para o executar das tarefas mais simples. Os tarefeiros apontam dificuldades para os trabalhos de rotina! Durante anos militei firme. Mas, hoje, o labor tem exigido muito de mim e, diante de tantos problemas, tenho pensado em desistir. Quem sabe esteja velho, mesmo! Tal­vez seja a hora de aposentar? Oferecer a vez para outros, livran­do-me das perturbações? 
 
Ouça, amigo querido, clamou o presidente, diga-me, se puder, qual deverá ser a minha atitude? 
 
O   benfeitor amoroso aproximou-se um pouco mais de Castro, envolvendo-o ternamente junto ao peito, falando-lhe desta maneira: 
 
A tua postura, Castro, deverá ser sempre a do homem de bem. 
 
Quem se dispõe a seguir Jesus deve estar consciente dos ca­minhos pedregosos, da cruz que carrega e, ao final da vida terrena, estar preparado para o sublime sacrifício do Gólgota. 
 
O Cristo também não ficou livre da “hora das trevas” a que se refere o Evangelho, ensinando-nos ser preciso suportá-la, para que a obra não se perca. Os adversários são igualmente nossos irmãos em humanidade, permanecendo, simplesmente, engana­dos quanto ao caminho das verdades eternas! 
 
Compreende-os o quanto puderes! São almas sofredoras, guardam angústias e dramas terríveis, querem se libertar dos er­ros, mas não encontram coragem. Trazem a consciência profun­damente comprometida ante as leis universais e terão de enfren­tar a inexorável lei da reparação. 
 
E se queres saber, tu mesmo já fizeste parte das “hostes in­fernais”! Quem de nós, peregrinando pelos caminhos da ignorân­cia, não contribuímos para entravar o progresso? 
 
Agora, que já caminhámos um pouco mais, é mister com­preendermos aqueles que estão na escuridão, fazendo a nossa parte para retribuir à lei divina a mesma misericórdia de que um dia desfrutamos. 
 
Para alcançarmos o Éden da felicidade plena, é preciso sa­bermos nos compreender e tolerar, ajudando-nos mutuamente. O obsessor de hoje será o trabalhador do amanhã e, num futuro que depende de cada um de nós, o anjo, mensageiro do Senhor. Todos fazemos parte do rebanho de Jesus, e nenhuma alma de­verá ser perdida! 
 
Tu, meu amigo, estás rumando para o sublime sacrifício do Calvário, e as trevas, naturalmente, estão te experimentando. Fracassarás agora? Renunciarás ao trabalho? Farás como Simão Pedro? Negarás Jesus no momento mais importante? Abando­narás os irmãos em jornada à própria sorte? Para onde foi o teu ideal? Deixa-te, portanto, ser transpassado pelos cravos da ma­ledicência, suporta as injúrias, as maldades, pois estes sofrimen­tos morais ainda são necessários para o teu crescimento espiri­tual. Muitos dos excursionistas em aprendizado pela Terra pas­sam por provações semelhantes devido a necessidades evolutivas e não atingiram, ainda, a capacidade de sofrer e viver pela felicidade do outro, apagando-se completamente! Se achas ter feito muito por esta Casa, de fato, não entendeste o idealismo espíri­ta! Se apresentas fadiga, busca a água viva do Evangelho, refres­cando-te no oásis dos ensinos de Jesus, perante o deserto dos teus sofrimentos! Já vencemos tantos problemas juntos, nunca te ne­gamos amparo, contudo, quando precisamos contar com tua co­laboração num momento extremo, em que a lucidez e o exemplo cristão precisam caminhar lado a lado, pensas em desistir? Lem­bra-te: Ninguém alcança ascensão espiritual, sem vencer a si mes­mo, e sem dar a vida pelo semelhante. 
 
Bem sabemos das tuas limitações, mas te solicitamos, já que és o representante desta Casa no ambiente físico, a compreensão dos irmãos em desequilíbrio como nós os compreendemos. 
 
Tua presença atuante, dando prosseguimento ao ideal dos fundadores deste núcleo, tem-nos possibilitado a continuidade da obra. Por isso, suporta com coragem, oferecendo o teu trabalho como sacrifício útil àqueles, como todos nós, necessitados de uma Casa bem organizada no campo administrativo e, sobretudo, no campo doutrinário e assistencial, mantendo acesa, a qualquer custo, a luz da verdade, fazendo triunfar neste Templo e nos corações humanos a chama do Evangelho. 
 
Lembra-te do número de crianças atendidas por este Cen­tro, as gestantes carentes, os andarilhos, as entrevistas, os diálo­gos, as vibrações etc. Uma gama enorme de almas encarnadas e desencarnadas recebendo o concurso caridoso do Cristo, através das criaturas de boa vontade. Por todo este trabalho, precisamos continuar laborando sem esmorecer e tu, assim como nós todos, encarnados e desencarnados, fazemos parte de toda esta engre­nagem movida pela misericórdia divina. 
 
Não desconhecemos os perigos que corremos, sabemos que és portador do livre-arbítrio. Se abandonares as tuas realizações agora, falaremos como os espíritos do Mais Alto disseram a Kardec: 
 
“... Se desistires da jornada, outro te substituirá, pois os de­sígnios de Deus não repousam na cabeça de um único homem.” 
 
Contudo, para ti será a perda do coroamento moral do tra­balho, ocorrido pela satisfação de vencer a luta com honestidade, dignidade, com as armas do Evangelho redentor, o qual aponta para a tolerância, a compreensão, a educação, a não-violência e a fraternidade sempre! 
 
Recorda-te dos dias difíceis pelos quais passaram os funda­dores deste hospital-escola, das horas oferecidas em favor da obra, das renúncias ao lazer, das perseguições espirituais pelas quais passaram, dos inúmeros testemunhos, do trabalho na vanguarda mostrando aos irmãos menores o caminho da salvação. Eles igual­mente tiveram a alma ferida, foram vítimas da maledicência e tu sabes qual a posição espiritual ocupada por eles, hoje! Além do mais, continuou o porta-voz da benemerência, nós te alerta­mos a respeito de não ser esta uma invasão comum, igualmente te prevenimos sobre os sofrimentos pelos quais haverias de passar. Portanto, meu irmão, ouve a voz que vem do Alto, solici­tando a nós todos o sacrifício íntimo em benefício do semelhante, continua em confiança na certeza de que, quando voltares para nossa esfera, terás a consciência tranquila por um trabalho bem cumprido. 
 
Continuaremos ao teu lado inspirando-te ideias corretas para não te faltar a palavra consoladora e esclarecedora. Lembra-te contudo, que os adversários do bem só se infiltraram em nossa Casa por encontrarem brechas nos trabalhadores encarnados invigilantes, explorando as dificuldades humanas; e, para vencer este processo, bastará sintonizarem com esferas maiores! 
 
Compreendemos a complexidade do caso, sabemos que o teu coração, às vezes, é ferido pelas incompreensões, mas recorda-te: quanto maior o sacrifício, maiores os méritos. Diante disto, ergue afronte, confia em Deus, sê o homem de bem, e continua lutando pela caridade de maneira intrépida, pois tudo passa, só o bem permanece! 
 
Para vencermos esta luta, será preciso esclarecer os encar­nados acerca da responsabilidade do trabalho na seara espírita, a importância de sintonias superiores, evitando espalharem o vírus perverso e destruidor das fofocas, prevenindo, com a vivência do Evangelho, as terríveis infiltrações. 
 
Castro chorava sensibilizado. Aquelas palavras firmes e caridosas, despertaram-no para a tarefa, encheram-no de ânimo e confiança. Considerou que a função desempenha­da por ele era necessária. 
 
        E, reconhecendo-se como servo pequenino, adminis­trando um tesouro que pertence a Jesus, deixou de lado a auto piedade e decidiu-se por continuar caminhando confian­te na providência divina. 
 
— Israel, meu amigo, disse a entidade abraçando o res­pectivo tarefeiro, como estás enfrentando estas dificuldades? 
 
E o representante das atividades de doutrina, emocio­nado e melancólico, respondeu:
 
— Bom amigo, bem sabemos da tua dedicação e o quanto nos tens suportado, bem sabemos o quanto as tuas inspirações nos têm salvado dos envolvimentos e ataques das sombras. As mensagens espirituais enviadas deste plano nos têm consolado, aumentando nossa confiança, permitindo-nos continuar a tarefa amparados pela tua presença, organizando a plêiade de espíritos trabalhadores do Senhor.
 
Contudo, desta vez nosso coração está um pouco mais ca­rente de ajuda, nossas almas, de fato, perdem um pouco o equi­líbrio. Vendo a nossa Casa, que fora edificada com tanto cari­nho e dedicação, sendo invadida pelas trevas, ficamos conturba­dos. Também confesso que, diante de tantos problemas, não sei, às vezes, como agir.
 
Viemos buscar, junto ao teu coração generoso, o amparo que nos permitirá prosseguirmos um pouco mais animados.
 
As ondas de modismos instaladas em nossa Casa vêm me causando tormentos profundos, fico preocupado pensando, se não tomarmos cuidado com a pureza doutrinária, poderemos nos perder nestas ondas de novidades que surgem a todo momento.
 
Eis que te solicitamos a caridade de nos orientar, a fim de que, apoiados nas tuas palavras, possamos prosseguir fortalecidos. 
 
— Israel, disse o benfeitor, não te deixes abater por este momento, pois o plano dos adversários é, exatamente, desestimular os responsáveis, cansá-los através dos problemas, irritá-­los, para depois, quando saírem da sintonia superior, alcançada pelo trabalho alegre, pela pureza dos propósitos e pela caridade pura, afastá-los das tarefas definitivamente.
 
Se o desânimo te visitar, serás porta aberta aos perseguido­res. Continua cuidando da nossa obra, Israel. É preciso perma­necermos firmes na pureza doutrinária, caminhando, quanto possível, para que as orientações kardequianas não se percam no caminho. Entretanto, se o zelo doutrinário é importante, deve­mos evitar, a qualquer custo, a intolerância, os julgamentos pre­cipitados, limitando-nos a dar demonstrações seguras das orien­tações de Kardec.
 
Diante dos modismos que se agitam, quais ondas destruido­ras, é preciso nos revestirmos de íntima paciência, acompanhada de autoridade moral no campo das orientações. Evita, continuou o orientador, acima de qualquer coisa, as irritações, os conflitos provenientes destes processos, a fim de que a obra possa sobrevi­ver. A pureza doutrinária não deve ser encarada como uma fer­ramenta produtora da discórdia, é, antes de tudo, capacidade nor­mativa, reguladora das tarefas que se desenvolvem em nome da Doutrina Espírita, conjunto de princípios, santo demais para ser alterado por mentes invigilantes e distantes dos estudos doutriná­rios seguros. 
 
Os ensinos de Allan Kardec, para nós, são a água viva que mata a sede dos conhecimentos filosóficos, científicos e religiosos acerca das questões fundamentais da existência humana, con­duzindo-nos para a transformação moral.
 
Diante disto, se grupos se levantarem ameaçando o aban­dono da Casa, não temas! De certa forma, é bem provável que isso venha a acontecer, pois muitos tarefeiros haverão de se dei­xar dominar pelas mentes perversas dos subalternos de Júlio César.
 
Assim, procura agir com fraternidade, simplicidade e firmeza na defesa de nossa Doutrina, tolerando e evitando, o quanto possível, que estes modismos se instalem entre nós. Lembra-te: tu és o representante do aspecto doutrinário em nossa Casa, é natural esperemos de ti raciocínio claro desprovido de personalis­mo, livre do sentimento orgulhoso que impõe opiniões sem bases fundamentadas, ou que interprete as orientações de Kardec para defender pontos de vista pessoais, visando à manipulação dos fa­tos ou acontecimentos em seu próprio benefício. A verdade deve permanecer sempre! A Doutrina Espírita, representando o cora­ção da Instituição, deve pulsar livre de qualquer impedimento, conduzindo as almas à liberdade através das realidades eternas. Por isso, é justo esperarmos de ti firmeza e não intransigência, lucidez e não fanatismo, tato fraterno e não autoritarismo, estudo e não acomodação, firmeza das intenções e não anarquia doutrinária, defendendo com o próprio exemplo os princípios sagra­dos da terceira revelação. 
 
Nesta tarefa, não temas a reação dos trabalhadores, pois estamos contigo também; igualmente te prevenimos a respeito dos perseguidores espirituais e dos tormentos pelos quais haverias de passar, testemunhando o Evangelho.
 
As orientações que fraternalmente passamos para Castro, igualmente te servem. Livra-te rapidamente do desânimo que te ronda, a fim de que os adversários da bondade não encontrem em ti canal de atuação inferior. Ocupa a mente, trabalha com coragem no material referente ao encontro de estudos, esclare­cendo com bondade os necessitados. 
 
Continuamos confiando a ti a tarefa de conduzir o departamento doutrinário, por isso prepara-te, também, para o sublime testemunho do Calvário, suportando os agressores que te fazem percorrer uma Via Sacra de insultos, tendo a certeza de que Deus está conosco.
 
Lembra-te, Israel, prosseguiu o mentor, Pureza doutriná­ria e tolerância sempre! Ainda que não sejas compreendido por todos, prossegue fervoroso, agindo com os pensamentos calcados em Jesus e Kardec. Segue adiante, na certeza de que te estare­mos sustentando! 
 
Maria Souza, continuou o coordenador do bem, está pro­movendo pequeno movimento que, em breve, haverá de se mul­tiplicar consideravelmente sob as orientações das trevas. Contu­do, limita-te a compreender as mentes enfermas e a esclarecê-las de maneira respeitosa e profundamente embasada em Kardec.
 
Estaremos contigo todo o tempo que dedicares ao trabalho espírita, por isso conta conosco, porque depositamos nossas es­peranças nos teus propósitos sempre firmes em levantar a ban­deira, onde quer que seja, da pureza doutrinária. 
 
Terminada a orientação, o mentor abraçou carinhosa­mente os representantes diretos do Centro Espírita, fazen­do, em seguida, prece fervorosa levando-os às lágrimas, ao mesmo tempo em que fortaleciam os sentimentos em Jesus, renovando-se luídica e mentalmente para a continuidade da tarefa.
 
 
Quando acordaram no corpo, sentiam-se, de fato, reno­vados. Embora não guardassem na memória física as infor­mações detalhadas, traziam o coração repleto de coragem e desejo de continuar servindo.
 
A equipe espiritual, porém, trabalhava sem descanso. As mensagens espirituais continuavam sendo transmitidas com intensidade. Redatores espirituais, comprometidos com o ideal, interpretavam os pensamentos das entidades subli­mes tutoras daquela Casa, retransmitindo posteriormente, aos médiuns em sintonia com planos superiores, palavras incentivadoras do trabalho, solicitando vigilância, oração, reforma íntima, tolerância e discrição nas atividades espíritas, a fim de ajudá-los a vencer, pela renovação mental, as influências negativas.
 
Livro: Aconteceu na Casa Espírita

Emanuel Cristiano/Nora

 
Francisco Rebouças 

Lindos Casos de Chico Xavier

FLORES DO CORAÇÃO
 
ggg1.jpgEm Pedro Leopoldo, numa Sessão do LUIZ GONZAGA, em fevereiro de 1956, assistimos ao seguinte: um auditório numeroso superlotava o Centro. Perto do Chico, um grupo de mães sofredoras e pesarosas, chorando o decesso de seus filhos amados. O querido Médium ouviu-as com atenção e considerou amorosamente: Minhas irmãs, consolai-vos com esta verdade: um dia vereis, na Pátria Espi­ritual, os vossos filhos, todos os vossos entes familiares. É preciso, no entanto, que daqui partais triunfantes para vê-los também triunfantes. E, para saírdes daqui triunfantes, faz-se mister que luteis, que não deixeis de lutar. Transformai, pois, esta tristeza do mundo, que vos adoece, pela Tristeza segundo Deus, que tudo sabe. A luta é redentora. É ela que nos fará vencer a morte em busca da vida verdadeira. Estou há 28 anos no exercício da mediunidade. Ainda não passei um dia sem sofrer e chorar. Posso morrer, tenho este direito e isto me consola, mas ficar triste e parar de lutar, nunca. Nosso Dever é lutar, com fé, como uma gratidão a Jesus, que até hoje luta e sofre por nós.

Todos os olhos cheios de lágrimas das mães presentes deixavam de chorar e encheram-se de um novo brilho. Consolaram-se. Em seus corações caíram luzes esclarecedoras, flores do coração de um vero servidor de Nosso Senhor Jesus Cristo!

Livro: Lindos Casos de Chico Xavier
Ramiro Gama

Francisco Rebouças

quarta-feira, 28 de janeiro de 2015

Alienação mental


Reunião pública de 23/1/59
Questão nº 373

Enquanto o vício se nos reflete no corpo, os abusos da consciência se nos estampam na alma, segundo a modalidade de nossos desregramentos.

É assim que atravessam as cinzas da morte, em perigoso desequilíbrio da mente, quantos se consagraram no mundo à crueldade e à injustiça, furtando a segurança e a felicidade dos outros.

Fazedores de guerra que depravaram a confiança do povo com peçonhento apetite de sangue e ouro, legisladores despóticos que perverteram a autoridade, magnatas do comércio que segregaram o pão, agravando a penúria do próximo, profissionais do direito que buscaram torturar a verdade em proveito do crime, expoentes da usura que trancafiaram a riqueza coletiva necessária ao progresso, artistas que venderam a sensibilidade e a cultura, degradando os sentimentos da multidão, e homens e mulheres que trocaram o templo do lar pelas aventuras da deserção, acabando no suicídio ou na delinqüência, encarceram-se nos vórtices da loucura, penetrando, depois, na vida espiritual como fantasmas de arrependimento e remorso, arrastando consigo as telas horripilantes da culpa em que se lhes agregam os pensamentos.

E a única terapêutica de semelhantes doentes é a volta aos berços de sombra em que, através da reencarnação redentora, ressurgem no vaso físico – cela preciosa de tratamento –, na condição de crianças-problemas em dolorosas perturbações.

Todos vós, desse modo, que recebestes no lar anjos tristes, no eclipse da razão, conchegai-os com paciência e ternura, porquanto são, quase sempre, laços enfermos de nosso próprio passado, inteligências que decerto auxiliamos irrefletidamente a perder e que, hoje, retornam à concha de nossos braços, esmolando entendimento e carinho, para que se refaçam, na clausura da inibição e da idiotia, para a bênção da liberdade e para a glória da luz.
 
Livro: Religião dos Espíritos
Chico Xavier/Emmanuel
 
Francisco Rebouças