Reunião
pública de 23/1/59
Questão nº 373
Questão nº 373
Enquanto o vício se nos reflete
no corpo, os abusos da consciência se nos estampam na alma, segundo a
modalidade de nossos desregramentos.
É assim que atravessam as cinzas
da morte, em perigoso desequilíbrio da mente, quantos se consagraram no mundo à
crueldade e à injustiça, furtando a segurança e a felicidade dos outros.
Fazedores de guerra que
depravaram a confiança do povo com peçonhento apetite de sangue e ouro,
legisladores despóticos que perverteram a autoridade, magnatas do comércio que
segregaram o pão, agravando a penúria do próximo, profissionais do direito que
buscaram torturar a verdade em proveito do crime, expoentes da usura que
trancafiaram a riqueza coletiva necessária ao progresso, artistas que venderam
a sensibilidade e a cultura, degradando os sentimentos da multidão, e homens e
mulheres que trocaram o templo do lar pelas aventuras da deserção, acabando no
suicídio ou na delinqüência, encarceram-se nos vórtices da loucura, penetrando,
depois, na vida espiritual como fantasmas de arrependimento e remorso,
arrastando consigo as telas horripilantes da culpa em que se lhes agregam os
pensamentos.
E a única terapêutica de semelhantes
doentes é a volta aos berços de sombra em que, através da reencarnação
redentora, ressurgem no vaso físico – cela preciosa de tratamento –, na
condição de crianças-problemas em dolorosas perturbações.
Todos vós, desse modo, que recebestes no lar anjos tristes, no eclipse
da razão, conchegai-os com paciência e ternura, porquanto são, quase sempre,
laços enfermos de nosso próprio passado, inteligências que decerto auxiliamos
irrefletidamente a perder e que, hoje, retornam à concha de nossos braços, esmolando
entendimento e carinho, para que se refaçam, na clausura da inibição e da
idiotia, para a bênção da liberdade e para a glória da luz.
Livro: Religião dos Espíritos
Chico Xavier/Emmanuel
Francisco
Rebouças