Solidarity Spiritist Societ

quinta-feira, 29 de janeiro de 2015

Entre Mensagens e Críticas


 No mundo dos espíritos, porém, o trabalho de auxílio aos companheiros que estavam no campo das provações era bastante intenso. As entidades amigas iniciaram o processo de divulgação de mensagens edificantes através da mediu­nidade. 

 
        Tarefeiros espirituais dedicados envolveram de manei­ra doce e terna vários médiuns, efetuando o sublime inter­câmbio entre as duas realidades da vida. 
 
        Centenas de mensagens foram irradiadas, ressaltando a necessidade de mais trabalho, discrição, zelo pela doutrina espírita e tolerância entre os cooperadores do amor. 
 
        Os médiuns captavam as informações espirituais, cada qual com suas capacidades medianímicas, vestindo as ideias dos benfeitores com o próprio material mental, mantendo­-se fiéis ao fundo das informações superiores. 
 
Todos os grupos receberam à visita fraterna das entida­des amigas, estimulando-os e alertando delicadamente a res­peito da necessidade de entenderem a Casa Espírita como verdadeiro templo, onde o trabalho, a tolerância e a frater­nidade precisam ser colocados em evidência. 
 
        À medida que as mensagens foram sendo recebidas, avaliadas com rigor e divulgadas, o ambiente do Centro co­meçava a mudar vagarosamente. 
 
        Contudo, Israel, que se empenhava na organização de valoroso estudo doutrinário, era envolvido pelos adversários do bem. 
 
Embora suas atividades dignas, respeitosas e fervorosas nos ideais espíritas lhe conferissem notável proteção espiri­tual, os adversários da bondade, com objetivo de atormentá-­lo e atrapalhar a organização da reunião de estudos alertadores, envolveram os frequentadores invigilantes, ferindo-lhes a alma desta forma: 
 
— Israel, não precisamos tanto de estudo, você já está ve­lho, seu método ultrapassado, precisamos é de capacidades no­vas. Por que não aposenta suas ideias antigas? 
 
Ofereça oportunidade aos que estão chegando. Sua época já passou. Vá, faça suas viagens, suas palestras repetitivas e dei­xe o cargo àqueles que apresentam maior competência. Durante todos estes anos você reinou nesta Casa, agora é melhor que você descanse. 
 
O responsável pelas atividades doutrinárias sentiu o coração pulsar mais depressa, mas manteve-se firme, pedin­do a Deus o ajudasse a tolerar e esclarecer o quão importan­te é a continuidade dos estudos espíritas para a manutenção da Casa e da Causa. 
 
Entretanto, os inimigos do bem tentavam de tudo, in­clusive contra sua própria vida, no que foram, naturalmen­te, impedidos pelos benfeitores. 
 
Certa noite, quando as horas avançavam para a madru­gada, os espíritos do Senhor convocaram importante assem­bleia, recrutando os cooperadores encarnados de cada departamento da Casa, incluindo as obras assistenciais, com ob­jetivo de apoiá-los. 
 
Reunidos os representantes dos trabalhos do Cristo, acompanhados dos tutores espirituais responsáveis pelas res­pectivas tarefas, o mentor cumprimentou-os desta maneira: 
 
— Queridos amigos e irmãos! 
 
Neste momento delicado é necessário nos colocarmos em guarda. Os encarnados estão sendo experimentados e precisam estar alerta nas tarefas edificantes. 
 
Primeiramente, continuou o mentor, é necessário lembrar que a nossa Casa Espírita foi edificada por dedicados idealistas com o objetivo de viver e divulgar os ensinos da Doutrina Espíri­ta, revivendo a mensagem cristã. 
 
Não desconhecemos as dificuldades, não ignoramos os pro­blemas. Confiamos, contudo, na proteção espiritual que brota do Mais Alto como chuva luminosa, inspirando e amparando todos os que trabalham com sinceridade na seara do Senhor. 
 
Entretanto, se somos representantes do Espiritismo, não podemos esquecer de valorizarmos a pureza doutrinária, colocan­do-nos à disposição para estudarmos e irradiarmos as verdades codificadas por Allan Kardec. 
 
Neste momento grave, prosseguiu o orientador ilumina­do, pelo qual passa nossa Casa, os adversários têm se valido das imperfeições humanas para semear a discórdia, implantar a com­petição entre os cooperadores invigilantes, mexer com a vaidade, irritar os corações, desestimulando as realizações cristãs. Dessa forma, meus irmãos, somos todos responsáveis pela continuida­de do empreendimento redentor. E, se dispomos de maiores es­clarecimentos, temos o dever de testemunharmos mais. Assim, evitemos a qualquer custo desenvolvermos as fofocas destruido­ras, a maledicência, as disputas etc. 
 
Todos somos importantes e necessários nas funções que abra­çamos. Lembremo-nos do Cristo: 
 
“... Aquele que quiser ser o maior seja o menor e o servidor de todos”. 
 
Aproveitaremos este encontro de estudos, promovido pela diretoria de doutrina sob nossa inspiração, para, durante todo o trabalho, envolvermos quanto pudermos os expositores, iluminan­do-lhes a consciência, esclarecendo suas ideias, ajudando-os na organização do pensamento, a fim de que as palavras orientadoras possam chegar aos corações da maneira mais clara possível, fa­zendo com que seja exaltado o compromisso com a discrição, a tolerância, o zelo pela doutrina espírita e a fraternidade entre os trabalhadores e frequentadores. 
 
Neste momento, o instrutor fez pequena pausa, como se estivesse organizando as ideias, no que foi questionado por um dos cooperadores encarnados. 
 
— Afinal, por que nossa Casa está sendo perseguida? Por que estamos sendo tão atacados desta forma? Querem, os inimi­gos do amor, destruir alguém em particular? 
 
— Não, esclareceu o espírito amigo, os adversários são inimigos gratuitos da Causa e desejam destruir a obra de Jesus no planeta. 
 
Entretanto, os trabalhadores imprudentes cooperam para aumentar o problema, à medida que oferecem brechas no cami­nho. Isso tudo é, de certa forma, compreensível, uma vez que são companheiros em aprendizado rumo a própria perfeição. 
 
No entanto, os obsessores devem ser contidos e educados amorosamente. O Evangelho de Jesus é essencialmente educativo e é uma pena que seja esquecido algumas vezes; e quando isso acontece, os amigos encarnados entram em sintonia com os ad­versários, tornando-se seus representantes na Terra. Porém, aqueles que permanecerem firmes , valorizando pelo próprio exem­plo a mensagem cristã, nos permitirão o auxílio na proporção direta do trabalho no campo do bem, contribuindo para a modi­ficação dos adversários, fazendo com que o equilíbrio retorne na­turalmente. 
 
Do mal sempre se pode tirar o bem, e o que se poderá ex­trair desta situação são as provas para todos os estudantes do Es­piritismo na grande escola em que se converte o Centro Espírita.
  
Por isso, meus amigos, perseveremos! 
 
Uma plêiade de entidades celestes garantirá nossa proteção, desde que pratiquemos as verdades reveladas por Jesus. 
 
Assim, valorizemos as boas atitudes, estudemos e vivamos sempre a mensagem evangélica, evitando com isso as infiltrações indesejadas. 
 
Sendo a Casa Espírita um templo de trabalho e amor, é importante defendê-la da penetração das trevas no campo do nosso ideal. 
 
Procuremos seguir confiantes, na certeza de que o Senhor nos abençoa. 
 
Ao final da preleção, Castro e Israel apresentaram-se para, mais uma vez, solicitar do benfeitor orientação para a continuidade dos trabalhos. 
 
O presidente da instituição aproximou-se do dirigente espiritual com olhos marejados, dirigindo, segundos depois, este pedido de ajuda: 
 
— Caro amigo, temos recebido o teu concurso há anos e, de fato, nos sentimos felizes e honrados pela oportunidade de ser­viço. Entretanto, minha alma está sofrendo! Não sei se vou aguentar mais esta vez! Meu coração está cansado. Tenho su­portado intolerância e desequilíbrios! Por mais que se fale, solici­tando viver os ensinos do Cristo, as criaturas permanecem reni­tentes, desejosas em ser o exemplo da irritação e da incompreen­são. 
 
Já tenho feito tanto por esta Casa! Mas, agora, amigo, con­fesso estar esgotado. Não aguento mais tantas reclamações, nos­sa organização tem se demonstrado ineficiente para o executar das tarefas mais simples. Os tarefeiros apontam dificuldades para os trabalhos de rotina! Durante anos militei firme. Mas, hoje, o labor tem exigido muito de mim e, diante de tantos problemas, tenho pensado em desistir. Quem sabe esteja velho, mesmo! Tal­vez seja a hora de aposentar? Oferecer a vez para outros, livran­do-me das perturbações? 
 
Ouça, amigo querido, clamou o presidente, diga-me, se puder, qual deverá ser a minha atitude? 
 
O   benfeitor amoroso aproximou-se um pouco mais de Castro, envolvendo-o ternamente junto ao peito, falando-lhe desta maneira: 
 
A tua postura, Castro, deverá ser sempre a do homem de bem. 
 
Quem se dispõe a seguir Jesus deve estar consciente dos ca­minhos pedregosos, da cruz que carrega e, ao final da vida terrena, estar preparado para o sublime sacrifício do Gólgota. 
 
O Cristo também não ficou livre da “hora das trevas” a que se refere o Evangelho, ensinando-nos ser preciso suportá-la, para que a obra não se perca. Os adversários são igualmente nossos irmãos em humanidade, permanecendo, simplesmente, engana­dos quanto ao caminho das verdades eternas! 
 
Compreende-os o quanto puderes! São almas sofredoras, guardam angústias e dramas terríveis, querem se libertar dos er­ros, mas não encontram coragem. Trazem a consciência profun­damente comprometida ante as leis universais e terão de enfren­tar a inexorável lei da reparação. 
 
E se queres saber, tu mesmo já fizeste parte das “hostes in­fernais”! Quem de nós, peregrinando pelos caminhos da ignorân­cia, não contribuímos para entravar o progresso? 
 
Agora, que já caminhámos um pouco mais, é mister com­preendermos aqueles que estão na escuridão, fazendo a nossa parte para retribuir à lei divina a mesma misericórdia de que um dia desfrutamos. 
 
Para alcançarmos o Éden da felicidade plena, é preciso sa­bermos nos compreender e tolerar, ajudando-nos mutuamente. O obsessor de hoje será o trabalhador do amanhã e, num futuro que depende de cada um de nós, o anjo, mensageiro do Senhor. Todos fazemos parte do rebanho de Jesus, e nenhuma alma de­verá ser perdida! 
 
Tu, meu amigo, estás rumando para o sublime sacrifício do Calvário, e as trevas, naturalmente, estão te experimentando. Fracassarás agora? Renunciarás ao trabalho? Farás como Simão Pedro? Negarás Jesus no momento mais importante? Abando­narás os irmãos em jornada à própria sorte? Para onde foi o teu ideal? Deixa-te, portanto, ser transpassado pelos cravos da ma­ledicência, suporta as injúrias, as maldades, pois estes sofrimen­tos morais ainda são necessários para o teu crescimento espiri­tual. Muitos dos excursionistas em aprendizado pela Terra pas­sam por provações semelhantes devido a necessidades evolutivas e não atingiram, ainda, a capacidade de sofrer e viver pela felicidade do outro, apagando-se completamente! Se achas ter feito muito por esta Casa, de fato, não entendeste o idealismo espíri­ta! Se apresentas fadiga, busca a água viva do Evangelho, refres­cando-te no oásis dos ensinos de Jesus, perante o deserto dos teus sofrimentos! Já vencemos tantos problemas juntos, nunca te ne­gamos amparo, contudo, quando precisamos contar com tua co­laboração num momento extremo, em que a lucidez e o exemplo cristão precisam caminhar lado a lado, pensas em desistir? Lem­bra-te: Ninguém alcança ascensão espiritual, sem vencer a si mes­mo, e sem dar a vida pelo semelhante. 
 
Bem sabemos das tuas limitações, mas te solicitamos, já que és o representante desta Casa no ambiente físico, a compreensão dos irmãos em desequilíbrio como nós os compreendemos. 
 
Tua presença atuante, dando prosseguimento ao ideal dos fundadores deste núcleo, tem-nos possibilitado a continuidade da obra. Por isso, suporta com coragem, oferecendo o teu trabalho como sacrifício útil àqueles, como todos nós, necessitados de uma Casa bem organizada no campo administrativo e, sobretudo, no campo doutrinário e assistencial, mantendo acesa, a qualquer custo, a luz da verdade, fazendo triunfar neste Templo e nos corações humanos a chama do Evangelho. 
 
Lembra-te do número de crianças atendidas por este Cen­tro, as gestantes carentes, os andarilhos, as entrevistas, os diálo­gos, as vibrações etc. Uma gama enorme de almas encarnadas e desencarnadas recebendo o concurso caridoso do Cristo, através das criaturas de boa vontade. Por todo este trabalho, precisamos continuar laborando sem esmorecer e tu, assim como nós todos, encarnados e desencarnados, fazemos parte de toda esta engre­nagem movida pela misericórdia divina. 
 
Não desconhecemos os perigos que corremos, sabemos que és portador do livre-arbítrio. Se abandonares as tuas realizações agora, falaremos como os espíritos do Mais Alto disseram a Kardec: 
 
“... Se desistires da jornada, outro te substituirá, pois os de­sígnios de Deus não repousam na cabeça de um único homem.” 
 
Contudo, para ti será a perda do coroamento moral do tra­balho, ocorrido pela satisfação de vencer a luta com honestidade, dignidade, com as armas do Evangelho redentor, o qual aponta para a tolerância, a compreensão, a educação, a não-violência e a fraternidade sempre! 
 
Recorda-te dos dias difíceis pelos quais passaram os funda­dores deste hospital-escola, das horas oferecidas em favor da obra, das renúncias ao lazer, das perseguições espirituais pelas quais passaram, dos inúmeros testemunhos, do trabalho na vanguarda mostrando aos irmãos menores o caminho da salvação. Eles igual­mente tiveram a alma ferida, foram vítimas da maledicência e tu sabes qual a posição espiritual ocupada por eles, hoje! Além do mais, continuou o porta-voz da benemerência, nós te alerta­mos a respeito de não ser esta uma invasão comum, igualmente te prevenimos sobre os sofrimentos pelos quais haverias de passar. Portanto, meu irmão, ouve a voz que vem do Alto, solici­tando a nós todos o sacrifício íntimo em benefício do semelhante, continua em confiança na certeza de que, quando voltares para nossa esfera, terás a consciência tranquila por um trabalho bem cumprido. 
 
Continuaremos ao teu lado inspirando-te ideias corretas para não te faltar a palavra consoladora e esclarecedora. Lembra-te contudo, que os adversários do bem só se infiltraram em nossa Casa por encontrarem brechas nos trabalhadores encarnados invigilantes, explorando as dificuldades humanas; e, para vencer este processo, bastará sintonizarem com esferas maiores! 
 
Compreendemos a complexidade do caso, sabemos que o teu coração, às vezes, é ferido pelas incompreensões, mas recorda-te: quanto maior o sacrifício, maiores os méritos. Diante disto, ergue afronte, confia em Deus, sê o homem de bem, e continua lutando pela caridade de maneira intrépida, pois tudo passa, só o bem permanece! 
 
Para vencermos esta luta, será preciso esclarecer os encar­nados acerca da responsabilidade do trabalho na seara espírita, a importância de sintonias superiores, evitando espalharem o vírus perverso e destruidor das fofocas, prevenindo, com a vivência do Evangelho, as terríveis infiltrações. 
 
Castro chorava sensibilizado. Aquelas palavras firmes e caridosas, despertaram-no para a tarefa, encheram-no de ânimo e confiança. Considerou que a função desempenha­da por ele era necessária. 
 
        E, reconhecendo-se como servo pequenino, adminis­trando um tesouro que pertence a Jesus, deixou de lado a auto piedade e decidiu-se por continuar caminhando confian­te na providência divina. 
 
— Israel, meu amigo, disse a entidade abraçando o res­pectivo tarefeiro, como estás enfrentando estas dificuldades? 
 
E o representante das atividades de doutrina, emocio­nado e melancólico, respondeu:
 
— Bom amigo, bem sabemos da tua dedicação e o quanto nos tens suportado, bem sabemos o quanto as tuas inspirações nos têm salvado dos envolvimentos e ataques das sombras. As mensagens espirituais enviadas deste plano nos têm consolado, aumentando nossa confiança, permitindo-nos continuar a tarefa amparados pela tua presença, organizando a plêiade de espíritos trabalhadores do Senhor.
 
Contudo, desta vez nosso coração está um pouco mais ca­rente de ajuda, nossas almas, de fato, perdem um pouco o equi­líbrio. Vendo a nossa Casa, que fora edificada com tanto cari­nho e dedicação, sendo invadida pelas trevas, ficamos conturba­dos. Também confesso que, diante de tantos problemas, não sei, às vezes, como agir.
 
Viemos buscar, junto ao teu coração generoso, o amparo que nos permitirá prosseguirmos um pouco mais animados.
 
As ondas de modismos instaladas em nossa Casa vêm me causando tormentos profundos, fico preocupado pensando, se não tomarmos cuidado com a pureza doutrinária, poderemos nos perder nestas ondas de novidades que surgem a todo momento.
 
Eis que te solicitamos a caridade de nos orientar, a fim de que, apoiados nas tuas palavras, possamos prosseguir fortalecidos. 
 
— Israel, disse o benfeitor, não te deixes abater por este momento, pois o plano dos adversários é, exatamente, desestimular os responsáveis, cansá-los através dos problemas, irritá-­los, para depois, quando saírem da sintonia superior, alcançada pelo trabalho alegre, pela pureza dos propósitos e pela caridade pura, afastá-los das tarefas definitivamente.
 
Se o desânimo te visitar, serás porta aberta aos perseguido­res. Continua cuidando da nossa obra, Israel. É preciso perma­necermos firmes na pureza doutrinária, caminhando, quanto possível, para que as orientações kardequianas não se percam no caminho. Entretanto, se o zelo doutrinário é importante, deve­mos evitar, a qualquer custo, a intolerância, os julgamentos pre­cipitados, limitando-nos a dar demonstrações seguras das orien­tações de Kardec.
 
Diante dos modismos que se agitam, quais ondas destruido­ras, é preciso nos revestirmos de íntima paciência, acompanhada de autoridade moral no campo das orientações. Evita, continuou o orientador, acima de qualquer coisa, as irritações, os conflitos provenientes destes processos, a fim de que a obra possa sobrevi­ver. A pureza doutrinária não deve ser encarada como uma fer­ramenta produtora da discórdia, é, antes de tudo, capacidade nor­mativa, reguladora das tarefas que se desenvolvem em nome da Doutrina Espírita, conjunto de princípios, santo demais para ser alterado por mentes invigilantes e distantes dos estudos doutriná­rios seguros. 
 
Os ensinos de Allan Kardec, para nós, são a água viva que mata a sede dos conhecimentos filosóficos, científicos e religiosos acerca das questões fundamentais da existência humana, con­duzindo-nos para a transformação moral.
 
Diante disto, se grupos se levantarem ameaçando o aban­dono da Casa, não temas! De certa forma, é bem provável que isso venha a acontecer, pois muitos tarefeiros haverão de se dei­xar dominar pelas mentes perversas dos subalternos de Júlio César.
 
Assim, procura agir com fraternidade, simplicidade e firmeza na defesa de nossa Doutrina, tolerando e evitando, o quanto possível, que estes modismos se instalem entre nós. Lembra-te: tu és o representante do aspecto doutrinário em nossa Casa, é natural esperemos de ti raciocínio claro desprovido de personalis­mo, livre do sentimento orgulhoso que impõe opiniões sem bases fundamentadas, ou que interprete as orientações de Kardec para defender pontos de vista pessoais, visando à manipulação dos fa­tos ou acontecimentos em seu próprio benefício. A verdade deve permanecer sempre! A Doutrina Espírita, representando o cora­ção da Instituição, deve pulsar livre de qualquer impedimento, conduzindo as almas à liberdade através das realidades eternas. Por isso, é justo esperarmos de ti firmeza e não intransigência, lucidez e não fanatismo, tato fraterno e não autoritarismo, estudo e não acomodação, firmeza das intenções e não anarquia doutrinária, defendendo com o próprio exemplo os princípios sagra­dos da terceira revelação. 
 
Nesta tarefa, não temas a reação dos trabalhadores, pois estamos contigo também; igualmente te prevenimos a respeito dos perseguidores espirituais e dos tormentos pelos quais haverias de passar, testemunhando o Evangelho.
 
As orientações que fraternalmente passamos para Castro, igualmente te servem. Livra-te rapidamente do desânimo que te ronda, a fim de que os adversários da bondade não encontrem em ti canal de atuação inferior. Ocupa a mente, trabalha com coragem no material referente ao encontro de estudos, esclare­cendo com bondade os necessitados. 
 
Continuamos confiando a ti a tarefa de conduzir o departamento doutrinário, por isso prepara-te, também, para o sublime testemunho do Calvário, suportando os agressores que te fazem percorrer uma Via Sacra de insultos, tendo a certeza de que Deus está conosco.
 
Lembra-te, Israel, prosseguiu o mentor, Pureza doutriná­ria e tolerância sempre! Ainda que não sejas compreendido por todos, prossegue fervoroso, agindo com os pensamentos calcados em Jesus e Kardec. Segue adiante, na certeza de que te estare­mos sustentando! 
 
Maria Souza, continuou o coordenador do bem, está pro­movendo pequeno movimento que, em breve, haverá de se mul­tiplicar consideravelmente sob as orientações das trevas. Contu­do, limita-te a compreender as mentes enfermas e a esclarecê-las de maneira respeitosa e profundamente embasada em Kardec.
 
Estaremos contigo todo o tempo que dedicares ao trabalho espírita, por isso conta conosco, porque depositamos nossas es­peranças nos teus propósitos sempre firmes em levantar a ban­deira, onde quer que seja, da pureza doutrinária. 
 
Terminada a orientação, o mentor abraçou carinhosa­mente os representantes diretos do Centro Espírita, fazen­do, em seguida, prece fervorosa levando-os às lágrimas, ao mesmo tempo em que fortaleciam os sentimentos em Jesus, renovando-se luídica e mentalmente para a continuidade da tarefa.
 
 
Quando acordaram no corpo, sentiam-se, de fato, reno­vados. Embora não guardassem na memória física as infor­mações detalhadas, traziam o coração repleto de coragem e desejo de continuar servindo.
 
A equipe espiritual, porém, trabalhava sem descanso. As mensagens espirituais continuavam sendo transmitidas com intensidade. Redatores espirituais, comprometidos com o ideal, interpretavam os pensamentos das entidades subli­mes tutoras daquela Casa, retransmitindo posteriormente, aos médiuns em sintonia com planos superiores, palavras incentivadoras do trabalho, solicitando vigilância, oração, reforma íntima, tolerância e discrição nas atividades espíritas, a fim de ajudá-los a vencer, pela renovação mental, as influências negativas.
 
Livro: Aconteceu na Casa Espírita

Emanuel Cristiano/Nora

 
Francisco Rebouças