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quinta-feira, 31 de outubro de 2013

SEXO E AMOR


       Na sua globalidade, o amor é sentimento vincula­do ao Self enquanto que a busca do prazer sexual está mais pertinente ao ego, responsável por todo tipo de posse.

O sentimento de amor pode levar a uma comunhão sexual, sem que isso lhe seja condição imprescindível. No entanto, o prazer sexual pode ser conseguido pelo impulso meramente instintivo, sem compromisso mais significativo com a outra pessoa, que, normalmente se sente frustrada e usada.

Os profissionais do sexo, porque perdem o com­ponente essencial dos estímulos, em razão do abuso de que se fazem portadores, derrapam nas explosões eró­ticas, buscando recursos visuais que lhes estimulem a mente, a fim de que a função possa responder de ma­neira positiva. Mecanicamente se desincumbem da ta­refa animal e violenta, tampouco satisfazendo-se, porquanto acreditam que estão em tarefa de aliciamento de vidas para o comércio extravagante e nefando da venda das sensações fortes, a que se habituaram.

O amor, como componente para a função sexual, é meigo e judicioso, começando pela carícia do olhar que se enternece e vibra todo o corpo ante a expectativa da comunhão renovadora.

Essa libido tormentosa, veiculada pela mídia e ex­posta nas lojas em forma de artefatos, torna-se aberra­ção que passa para exigências da estroinice, resvalan­do nos abismos de outros vícios que se lhe associam.

Quando o sexo se apresenta exigente e tormento­so, o indivíduo recorre aos expedientes emocionais da violência, da perseguição, da hediondez.

Os grandes carrascos da Humanidade, até onde se os pode entender, eram portadores de transtornos se­xuais, que procuravam dissimular, transferindo-se para situações de relevo político, social, guerreiro, tornan­do-se temerários, porque sabiam da impossibilidade de serem amados.

Quando o amor domina as paisagens do coração, mesmo existindo quaisquer dificuldades de ordem se­xual, faz-se possível superá-las, mediante a transfor­mação dos desejos e frustrações em solidariedade, em arte, em construção do bem, que visam ao progresso das pessoas, assim como da comunidade, tornando-se, portanto, irrelevantes tais questões.

O ser humano, embora vinculado ao sexo pelo atavismo da reprodução, está fadado ao amor, que tem mais vigor do que o simples intercurso genital.

Sem dúvida, por outro lado, as grandes edificações de grandeza da humanidade tiveram no sexo o seu élan de estímulo e de força. Não obstante, persegue-se o su­cesso, a glória efêmera, o poder para desfrutar dos pra­zeres que o sexo proporciona, resvalando-se em equí­voco lamentável e perturbador.

O amor à arte e à beleza igualmente inspirou Mi­guel Ângelo a pintar a capela Sistina, dentre outras obras magistrais, a esculpir la Pietá e o Moisés; o amor à ciência conduziu Pasteur à descoberta dos micróbios; o amor à verdade levou Jesus à cruz, traçando uma rota de segurança para as criaturas humanas de todos os tempos...

O amor é o doce enlevo que embriaga de paz os seres e os promove aos píncaros da auto realização, estimulando o sexo dignificado, reprodutor e cal­mante.
Sexo, em si mesmo, sem os condimentos do amor é impulso violento e fugaz.

Livro: Amor, Imbatível Amor
Divaldo Franco/Joanna de Ângelis

Francisco Rebouças