Sim, com a morte orgânica ocorre uma desagregação de moléculas, que
prosseguem em transformação.
Não, porém, o aniquilamento da vida.
Desintegra-se a forma, todavia não se dilui a essência.
A modificação que se opera no mundo corporal produz o desaparecimento
físico, sem embargo permanecem os liames da afetividade, as evocações queridas,
as ocorrências do quotidiano alimentadas pela vida do Espírito imortal, que se
emancipou das limitações carnais, sobrevivendo às contingências do desgaste
inevitável, que se finou na disjunção material transitória.
Triunfa a vida sempre sobre a extinção do corpo.
A porta do túmulo que se fecha para determinadas expressões abre-se, em
triunfo, para outras realizações da vida.
O encerramento de uma existência humana, no cometimento da morte,
equivaleria a lamentável falha da Organização da Vida.
O princípio que agrega as células e as organiza para o ministério da
investidura humana, com o desconectar das engrenagens pelas quais se manifesta,
prossegue em incessante curso de aprimoramento e ascensão, na busca da
felicidade a que está destinado.
Em face da ocorrência da morte que te visita o lar, não te permitas a
surpresa insensata, que se transforma em alucinação e rebeldia.
Desde logo conjectura com segurança em torno desse fatalismo biológico,
que é a morte do corpo, armando-te com os esclarecimentos com que interpretarás
os possíveis enigmas em torno do pós-desencarnação.
Se ainda não foste visitado por esta rude aflição, não creias que serás
poupado, vivendo em clima de ilusória exceção.
Se todavia, já sorves o travo da saudade e resguardas as feridas, ainda
em dores produzidas pela partida dos seres amados, retifica conceituações e
reformula observações.
Não penses em termos finalistas.
Examina a majestade da vida em toda parte e faze paralelos otimistas.
Teus amores não se acabaram, transferiram-se de habitat e prosseguem
vivendo.
Ouvem os teus pensamentos, sentem as tuas aspirações, sofrem tuas
revoltas, fruem tuas esperanças, amam-te.
Se os amaste, realmente, não recalcitres em razão da sua partida para
outras dimensões da existência.
Sê-lhes grato pelas horas ditosas que te concederam, pelos sorrisos que
musicaram o lar da tua alma, e, em nome deles, esparze a dádiva da alegria com
outros seres tão sofridos ou mais amargurados do que tu mesmo, preparando-te a
teu turno, para o reencontro, oportunamente.
O silêncio da sepultura é pobreza dos sentidos físicos que não conseguem
alcançar mais sutis percepções!.
Pensa nos teus finados com carinho e dialogarás com eles, senti-los-ás e
vibrarás ante a cariciosa presença com que te vêm diminuir a pungente dor da
saudade.
... E não raro, quando parcialmente desprendido pelo sono,
reencontrá-los-ás esperando-te que estão nas ditosas paisagens do mundo a que
fazem jus e onde habitarás, também, mais tarde...
Se, todavia, não conseguires o medicamento da esperança na hora grave da
angústia, ora. Deixa-te arrastar pelas vibrações sublimes da prece de que
sairás lenificado e confiante para concluíres a própria jornada, lobrigando a
libertação a que aspiras em forma de plenitude junto aos que amas e te esperam
na Vida Verdadeira.
SÉTIMA PARTE
DA LEI DE SOCIEDADE
766. A vida social está em a Natureza?
“Certamente. Deus fez o homem para
viver em sociedade. Não lhe deu inutilmente a
palavra e todas as outras faculdades necessárias
à vida de relação.”
775. Qual
seria, para a sociedade, o resultado do relaxamento dos laços de família?
“Uma
recrudescência do egoísmo.”
‘O
Livro dos Espíritos”
Livro: Leis Morais da Vida
Divaldo Franco/Joanna de Ângelis
Francisco Rebouças