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quinta-feira, 31 de outubro de 2013

GOVERNO INTERNO

       “Antes subjugo o meu corpo e o reduzo à servidão, para que, pre­gando aos outros, eu mesmo não venha de algum modo a ficar repro­vado.” — Paulo. (1ª EPÍSTOLA AOS CORÍNTIOS, CAPÍTULO 9, VERSÍCULO 27.) 
Efetivamente, o corpo é miniatura do Universo.
É imprescindível, portanto, saber governá-lo. Representação em material terrestre da personalidade espiritual, é razoável esteja cada um atento às suas disposições. Não é que a substância passiva haja adquirido poder superior ao da vontade humana, todavia, é imperioso reconhecer que as tendências inferiores procuram subtrair-nos o poder de domínio.
É indispensável esteja cada homem em dia com o governo de si mesmo.
A vida interior, de alguma sorte, assemelha-se à vida de um Estado. O espírito assume a auto chefia, auxiliado por vários ministérios, quais os da reflexão, do conhecimento, da compreensão, do respeito e da ordem. As ideias diversas e simultâneas constituem apelos bons ou maus do parlamento íntimo. Existem, no fundo de cada mente, extensas potencialidades de progresso e sublimação, reclamando trabalho.
O governador supremo que é o espírito, no cos­mo celular, redige leis benfeitoras, mas nem sempre mobiliza os órgãos fiscalizadores da própria vontade. E as zonas inferiores continuam em antigas desor­dens, não lhes importando os decretos renovadores que não hostilizam, nem executam. Em se verificando semelhante anomalia, passa o homem a ser um enig­ma vivo, quando se não converte num cego ou num celerado.
Quem espera vida sã, sem autodisciplina, não se distancia muito do desequilíbrio ruinoso ou total.
        É necessário instalar o governo de nós mesmos em qualquer posição da vida. O problema fundamen­tal é de vontade forte para conosco, e de boa-vontade para com os nossos irmãos.
 
Livro: Pão Nosso
Chico Xavier/Emmanuel
 
Francisco Rebouças