Jamais
faltarão dissensões enquanto o homem não se despoje dos sombrios andrajos do
egoísmo e do orgulho.
Repontam
em toda parte, desde que a criatura se permita arbitragem indevida, envolvendo
os problemas do próximo.
Semelhante
a escalracho infeliz, prolifera com celeridade e asfixia as mais belas
expressões de vida no jardim, anulando o esforço da ensementação da esperança e
da alegria.
Sutilmente
inicia o contágio, qual ocorre com o morbo e outras variadas formas de
contaminação, culminando por anular nobres esforços.
Quando
surge, já se encontra espalhada.
Sem
dúvida é câncer moral.
Indispensável
vigiar-lhe a metástase no organismo social, de modo a preservar a comunidade em
cujo corpo se instala, utilizando-se da dubiedade moral e das falhas do caráter
em cujas células irrompe.
Policiar
a palavra e refletir com segurança são terapêuticas valiosas para deter-lhe a
proliferação.
Preservar-se
pela oração, resguardando os ouvidos e o coração à sua insidiosa interferência
são medidas preventivas de real valia.
Desde,
porém, que se estabeleçam as redes das tricas e das informações malsãs, inútil
envolver-se, tomando partido.
Salutar
erguer-se pelo trabalho edificante às paisagens de luz, a fim de que, passada a
tempestade da dissensão malévola, possam sobreviver nos seminários do bem as plântulas
valiosas e os abençoados frutos de paz e realização.
Resguarda-te
dos que promovem dissensões.
Atormentados
em si mesmos comprazem-se, na alucinação que os aflige, em espalhar miasmas,
quais cadáveres ao abandono, consumidos pela desarticulação que os vence.
Cerra
os ouvidos diante deles e embora escutando-os à instância deles não irradies as
malsãs informações.
Candidatas-te
ao serviço e ao entendimento, não ao mister de usufruir, de desfrutar
benefícios.
Se
considerares que estás na Terra em reparação espiritual, recuperando o
patrimônio malbaratado, submeter-te-ás facilmente à injunção deles, sem os
sofreres, sem te magoares.
Tornados
teus censores, transformados em teus fiscais, compreenderás que são teus
benfeitores.
O
trilho estreito que obriga a locomotiva à obediência salva-a de desastres
lamentáveis.
O
cautério que dói libera o corpo da enfermidade perniciosa.
A
poda violenta obriga a seiva à renovação da vida no vegetal exaurido.
Assim
a dor, as dificuldades.
Mesmo
acossado, submetido à rigorosa constrição dos companheiros em agonia moral, que
desconhecem a procedência do mal que os vitima, não dissintas.
Se
não concordas, silencia e aguarda o tempo.
Se
executares a tua parte corretamente, o valor do dever cumprido realçará o teu
esforço.
Se
não pretendes a glória do êxito no trabalho, não te preocuparás com a ausência
do sucesso nas tuas realizações.
O
triunfo de fora jamais sacia a sede de paz interior.
Discordar,
quiçá dialogar, apresentando opiniões e fraternalmente sugerindo, são atitudes
relevantes que não podes desconsiderar nem delas te podes evadir. Dissentir,
jamais.
O
Colégio Galileu mantinha dificuldades entre os seus membros. Jesus, porém, como
medida de perfeito equilíbrio não se permitiu dominar ou ceder ante as murmurações,
os distúrbios que assolavam nas paisagens morais dos companheiros desatentos.
Ajudava-os
sem os ferir, sem os azorragar, sem os incriminar.
Sabendo-os
crianças espirituais, mantinha em relação a eles indulgência e abnegação,
socorrendo-os sem termo.
Toma-o
como teu exemplo e faze conforme Suas lições vivas te ensinaram.
Se,
todavia, sentires a fragilidade dominando-te. Reflete que aquele que
sobrecarrega o irmão já cansado, censurando-o ou malsinando-o, faz-se
responsável pela sua desídia como pela sua queda.
Envolve-te
em qualquer situação e lugar onde medrem dissensões — nestes tormentosos dias
de paixões generalizadas e ácidas agressões verbalistas — na lã do Cordeiro de
Deus e faze o teu caminho pavimentado com a humildade e a renúncia, lobrigando,
assim, alcançar as cumeadas da montanha de redenção, donde fruirás a paz da
consciência tranquila e a alegria do dever cumprido.
Livro:
Leis Morais da Vida
Divaldo
Franco/Joanna de Ângelis
Francisco
Rebouças