Nem todos os que dizem: Senhor! Senhor! entrarão no reino dos céus.
Todos os que reconhecem a missão de
Jesus dizem: Senhor! Senhor! - Mas, de que serve lhe chamarem Mestre ou Senhor,
se não lhe seguem os preceitos? Serão cristãos os que o honram com exteriores
atos de devoção e, ao mesmo tempo, sacrificam ao orgulho, ao egoísmo, à cupidez
e a todas as suas paixões? Serão seus discípulos os que passam os dias em oração
e não se mostram nem melhores, nem mais caridosos, nem mais indulgentes para
com seus semelhantes? Não, porquanto, do mesmo modo que os fariseus, eles têm a
prece nos lábios e não no coração. Pela forma poderão impor-se aos homens; não,
porém, a Deus. Em vão dirão eles a Jesus: "Senhor! não profetizamos, isto
é, não ensinamos em teu nome; não expulsamos em teu nome os demônios; não
comemos e bebemos contigo?" Ele lhes responderá: "Não sei quem sois;
afastai-vos de mim, vós que cometeis iniquidades, vós que desmentis com os atos
o que dizeis com os lábios, que caluniais o vosso próximo, que espoliais as
viúvas e cometeis adultério. Afastai-vos de mim, vós cujo coração destila ódio
e fel, que derramais o sangue dos vossos irmãos em meu nome, que fazeis corram
lágrimas, em vez de secá-las. Para vós, haverá prantos e ranger de dentes,
porquanto o reino de Deus é para os que são brandos, humildes e caridosos. Não
espereis dobrar a justiça do Senhor pela multiplicidade das vossas palavras e
das vossas genuflexões. O caminho único que vos está aberto, para achardes
graça perante ele, é o da prática sincera da lei de amor e de caridade."
São eternas as palavras de Jesus, porque são a verdade. Constituem não só a salvaguarda da vida celeste, mas também o penhor da paz, da tranquilidade e da estabilidade nas coisas da vida terrestre. Eis por que todas as instituições humanas, políticas, sociais e religiosas, que se apoiarem nessas palavras, serão estáveis como a casa construída sobre a rocha. Os homens as conservarão, porque se sentirão felizes nelas. As que, porém, forem uma violação daquelas palavras, serão como a casa edificada na areia. o vento das renovações e o rio do progresso as arrastarão.
E.S.E.
– Cap. XVIII, item 9