“Quanto ao mais, irmãos, tudo o que é verdadeiro, tudo o que é honesto, tudo o que é justo, tudo o que é puro, tudo o que é amável, tudo o que é de boa fama, se há alguma virtude e se há algum louvor, nisso pensai.” — Paulo. (FILIPENSES, CAPÍTULO 4, VERSÍCULO 8.)
O roteiro contido no Evangelho de Jesus, para que o homem conquiste os
valores morais que todo filho de Deus precisa possuir, exige que ele se
disponha a realizar a sua renovação íntima rumo aos planos mais altos nos
caminhos da espiritualidade superior. O discípulo atento aos ensinamentos e
exemplos alí contidos, entenderá que renovar pensamentos, palavras e atos não é
tão fácil como parece à primeira vista, demanda muita capacidade de
renúncia e controle de si mesmo.
Não são poucas as situações em que perdemos o equilíbrio diante de
alguém ou alguma coisa e que logo nos valemos da esfarrapada desculpa que perdi
a paciência! Em variadas oportunidades que nos acontecem na vida de
relação na sociedade, nos deixamos arrastar pelos maus hábitos do homem velho
que continua a nos escravizar desde eras remotas e, sem que percebamos,
exasperamo-nos, praticamos desatinos, proferimos impropérios e blasfêmias das
quais nos arrependemos depois.
O fato de nestas ocasiões não encontrarmos em nosso patrimônio moral
essa rara e precisos virtude, buscamos argumentos que nos possam patrocinar a
velha e infundada desculpa de que o outro nos tirou do sério, sem precisar
assumir o fato de que na verdade, não poderíamos perder o que não possuímos.
“No caminho da fé, para que se lhe consolide o valor, é possível
encontres obstáculos, através dos quais possas demonstrar as tuas aquisições de
sinceridade e coragem, tais quais sejam: a incompreensão dos bons, a agressão
dos desesperados, o sarcasmo dos irreverentes, a perturbação dos irmãos ainda
ignorantes, a exigência dos críticos, a deserção de companheiros, a perseguição
dos adversários, as horas de crise, as sombras da tristeza, os braseiros da
aflição, os imperativos da renúncia, a necessidade do
sacrifício pessoal e o golpe de amargas desilusões, mas, se tiveres
humildade, na marcha em direção aos elevados objetivos que te propões a
atingir, não te faltarão apoio e assistência constante, na senda a percorrer,
porque a humildade se transforma em amor e o amor se te fará luz e bênção, na
jornada para Deus.” (1)
Será sempre melhor que nos mantenhamos em permanente vigilância, é
preciso que cada indivíduo tenha plena consciência de que ainda estamos
distantes de afirmar com convicção que já possuímos paciência suficiente para vivenciá-la
da forma como demonstram os que já verdadeiramente a possuem.
A doutrina Espírita nos assevera que ninguém alcançará o Reino de Deus
com aparências. As virtudes serão alcançadas mediante o esforço pessoal, pelo
trabalho contínuo e perseverante da individualidade própria, agindo sobre si
mesma, todos quantos alegam que perderam a paciência, involuntariamente
demonstram que jamais a tiveram.
Paciência é uma ferramenta de progresso do Espírito Imortal, que uma vez
conquistando jamais a perderá, pois não se trata de um objeto de uso como uma joia,
uma roupa, uma soma em dinheiro etc., mais honesto seria reconhecer e dizer
para si mesmo, não tenho paciência preciso reconhecer e confessar.
As virtudes são riquezas cujo valor imperecível Jesus recomenda
sobremaneira em seu Evangelho, sob estas sugestivas palavras: “Ajuntai
riquezas que o ladrão não rouba, a traça não rói, o tempo não consome e a morte
não arrebata.” (2).
Francisco Rebouças.
Referências:
(1) Xavier, Francisco Cândido, pelo Espírito Emmanuel.
Livro: Convivência, cap. No Transito da Fé; e
(2) Evangelho de Mateus; 6-19:20.
