Orgulhoso, que se fizesse detestado.
Intimorato, que ficasse temido.
Cruel como os potentados da época.
Insensível à dor alheia como as pedras do Templo.
Poderoso, que esmagasse todos os reinos da Terra. Ambicioso a ponto de fazer Jerusalém a capital do mundo.
Hábil na dissimulação.
Nobre na linhagem de casta e raça.
Astuto na arte da guerra.
Servidor da Lei antiga, propenso às intrigas do Sinédrio; que
sacrificasse animais em holocausto a Deus, demorando-se em
abluções e aparentando respeito à Fé...
Generoso para cada judeu, oferecendo a cada tribo um Reino de
triunfo, mesmo que, perecível, finasse na urna fria do túmulo.
E Ele veio.
Humilde, porém, como servo de todos.
Simples e acessível.
Compassivo para com as dores do mundo.
Desprovido de qualquer poder terreno.
Sem pretensão de qualquer natureza, senão o desejo de servir ao
próprio Pai.
Honesto como a verdade.
Nascido num estábulo.
Traído pelo beijo de um devotado amigo.
Sábio e discreto como jamais outro homem houvera.
Oferecendo um reino a cada homem que se dispusesse a
encontrá-Lo sem aparências exteriores, no íntimo da própria
alma.
Fez-se um rei diferente.
Não poderia ser amado.
Nem compreendido.
A austeridade não agrada.
O dever não se mancomuna com a ociosidade e o crime.
Paradigma do amor, não se ligaria às correntes do ódio que até hoje ligam os maus aos males de todos os tempos.
Seu lugar não era no mundo.
Deveria passar como passou, qual luminoso astro desconhecido, deixando na treva espessa um rastro de luz a perder-se no Infinito.
Meu irmão.
Não houve lugar para Ele entre os homens. Nem os seus O reconheceram...
Também não haverá lugar na Terra para ti se O segues resoluto.
Não te detenhas, porém. Como Ele próprio, faze todo o bem e segue no rumo da Imortalidade.
José Petitinga