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terça-feira, 28 de julho de 2020

A Responsabilidade da escolha

Entrai pela porta estreita, porque larga é a porta da perdição e espaçoso o caminho que a ela conduz, e muitos são os que por ela entram. - Quão pequena é a porta da vida! quão apertado o caminho que a ela conduz! e quão poucos a encontram!

(S. MATEUS, cap. VII, vv. 13 e 14.)

O livre arbítrio é uma faculdade inerente ao ser humano, em todo momento estamos fazendo bom ou mau uso dele, e por essa razão nos submetemos às conseqüências positivas ou negativas desse uso equilibrado ou desequilibrado conformidade com a Lei Causa e Efeito, que nada mais é que a confirmação do ensino de Jesus quando nos asseverou, que “a cada um seria dado segundo as suas obras”.

Diante dos efeitos negativos causados por dores e sofrimentos inúmeros pelos quais passamos, muitos de nós admitindo a possibilidade de estar sendo injustiçados, seguem com a velha e viciada visão do Deus cruel, vingador, irracível, que os submetem a situações desagradáveis por motivos de orgulho próprio ao ser contrariado em suas determinações.

Deus é tão violento quanto qualquer ser humano, que se vinga de quem não cumpre suas determinações, condenando o desgraçado por sua desobediência a castigos cruéis e desumanos, não levando em consideração certas circunstâncias, como por exemplo, quando o indivíduo infringe suas Leis por pura ignorância, sem intenção de maldade.

Admitem que o pobre coitado submetido à fúria cruel e irracional de um “Deus” vingativo que desmente o que se aprende sobre ser ELE pai amoroso, justo e bom. A doutrina espírita vem esclarecer esse inadmissível conceito sobre a Paternidade Divina, assegurando que Deus ama a todos os seus filhos, e já reservou para cada um deles a conquista da paz e da felicidade verdadeiras.

Encontramos em O Livro dos Espíritos, capítulo I, as seguintes instruções para nossas reflexões sobre esse Pai que nos dão uma pequena idéia do seu infinito amor e bondade conforme segue.

“12. Embora não possamos compreender a natureza íntima de Deus, podemos formar ideia de algumas de Suas perfeições?

“De algumas, sim. O homem as compreende melhor à proporção que se eleva acima da matéria. Entrevê-as pelo pensamento.”

13. Quando dizemos que Deus é eterno, infinito, imutável, imaterial, único, onipotente, soberanamente justo e bom, temos idéia completa de Seus atributos?

“Do vosso ponto de vista, sim, porque credes abranger tudo. Sabei, porém, que há coisas que estão acima da inteligência do homem mais inteligente, as quais a vossa linguagem, restrita às vossas idéias e sensações, não tem meios de exprimir. A razão, com efeito, vos diz que Deus deve possuir em grau supremo essas perfeições, porquanto, se uma Lhe faltasse, ou não fosse infinita, já Ele não seria superior a tudo, não seria, por conseguinte, Deus. Para estar acima de todas as coisas, Deus tem que se achar isento de qualquer vicissitude e de qualquer das imperfeições que a imaginação possa conceber.”

Deus é eterno. Se tivesse tido princípio, teria saído do nada, ou, então, também teria sido criado, por um ser anterior. É assim que, de degrau em degrau, remontamos ao infinito e à eternidade.

É imutável. Se estivesse sujeito a mudanças, as leis que regem o Universo nenhuma estabilidade teriam.

É imaterial. Quer isto dizer que a sua natureza difere de tudo o que chamamos matéria. De outro modo, ele não seria imutável, porque estaria sujeito às transformações da matéria.

É único. Se muitos Deuses houvesse, não haveria unidade de vistas, nem unidade de poder na ordenação do Universo.

É onipotente. Ele o é, porque é único. Se não dispusesse do soberano poder, algo haveria mais poderoso ou tão poderoso quanto ele, que então não teria feito todas as coisas.

As que não houvesse feito seriam obra de outro Deus.

É soberanamente justo e bom. A sabedoria providencial das leis divinas se revela, assim nas mais pequeninas coisas, como nas maiores, e essa sabedoria não permite se duvide nem da justiça nem da bondade de Deus.”

No Capítulo VI, do Evangelho Segundo o Espiritismo – O Cristo Consolador, João XIV, vv.15 a 17 e 26, o Espírito de Verdade, vem nos trazer os esclarecimentos que nos faltavam a cerca do assunto afirmando-nos: “Mas, ingratos, os homens afastaram-se do caminho reto e largo que conduz ao reino de meu Pai e enveredaram pelas ásperas sendas da impiedade”.

Os Espíritos Superiores mensageiros da boa-nova nos asseveram que é estreita a porta da salvação, porque a grandes esforços sobre si mesmo é obrigado o homem que a queira transpor, para vencer suas más tendências, coisa a que poucos se dispõem a fazer, e que é larga a porta da perdição, porque são numerosas as paixões más que ainda trazemos arraigadas em nosso espírito milenar, e por isso mesmo o maior número de criaturas envereda pelo caminho do mal na hora que é chamado a escolher o caminho a trilhar usando o seu livre arbítrio, e assumindo, portanto as consequências das suas escolhas, representando para nós o complemento da máxima: "Muitos são os chamados e poucos os escolhidos”.

A Terra na situação atual de mundo de expiação, nela predomina o mal. Não foi Deus que nos impôs as dores e os sofrimentos, e sim nossa ignorância e descaso em obedecer as Leis de Amor e Caridade que Jesus resumiu em “Amar a Deus sobre todas as coisas e ao próximo como a si mesmo”, pois só assim será capaz de nos libertar de nossa secular ignorância, para entender que Deus é manancial inesgotável de amor em benefício de todas as suas criaturas.

Francisco Rebouças.