(...) Se uns combatem
o Espiritismo por ignorância, outros o fazem precisamente porque lhe sentem
toda a importância, que nele pressentem o futuro e nele vêem um poderoso elemento
regenerador. É preciso muito se persuadir de que certos adversários se
converteram.
Se eram menos
convencidos das verdades que ele encerra, não lhe farão tanta
oposição. Sentem que
a garantia de seu futuro está no bem que ele faz; fazer ressaltar esse bem aos
seus olhos, longe de acalmá-los, é acrescentar à causa de sua irritação.
Tal foi, no século
XV, a numerosa classe dos escreventes copistas que teriam de boa vontade feito
queimar Gutenberg e todos os impressores; assim não teria sido em lhes demonstrando
os benefícios da imprensa, que ia suplantá-los, que os teria apaziguado.
Quando uma coisa está
na verdade e que o tempo de sua eclosão chegou, apesar de tudo ela caminha
sozinha. A poderosa ação do Espiritismo está atestada pela sua expansão persistente,
apesar do pouco esforço que fez para se difundir. É um fato constatado, que os
adversários do Espiritismo dispensaram mil vezes mais força para abatê-lo, sem
a isto chegar, do que seus partidários não o empregaram para propagá-lo. Ele
avança por assim dizer sozinho, semelhante a um curso de água que se infiltra
nas terras, e abre uma passagem à direita se se o detém à esquerda, e pouco
a pouco mina as pedras mais duras e acaba por fazer desmoronar as montanhas.
(...).
Fonte:Revista
Espírita – Janeiro/ 1867.
Francisco Rebouças
