O
processo de evolução constitui para o Espírito um grande desafio.
Acostumado
às vibrações mais fortes no campo dos sentidos físicos, somente quando a dor o
visita é que ele começa a aspirar por impressões mais elevadas, nas quais
encontre lenitivo, anelando por conquistas mais importantes.
Vivendo
em luta constante contra os fatores constringentes do estágio em que se
demora, vez por outra experimenta paz, que passa a querer em forma duradoura.
No
começo, são as dores com intervalos de bem-estar que o assinalam, até conseguir
a tranqüilidade com breves presenças do sofrimento, culminando com a plenitude
sem aflição.
De degrau
em degrau ascende, caindo para levantar-se, atraído pelo sublime tropismo do
Amor.
Conseguir
o estágio mais alto, significa-lhe triunfar.
Aturdido
e inseguro, descobre uma conspiração
quase geral contra o seu fatalismo. São as suas heranças passadas que agora
ressurgem, procurando retê-lo na área estreita do imediatismo, em nível
inferior de consciência, onde apenas se nutre, dorme e se reproduz, com
indiferença pelas emoções do belo, do nobre, do sadio.
Anestesiado
pelas necessidades vegetativas, busca apenas o gozo, que termina por causar-lhe
saturação, passando a um estado de tédio que antecipa a necessidade premente de
outros valores.
Lentamente
desperta para realidades que antes não o sensibilizavam e, de repente, passam
a significar-lhe meta a conseguir, sentindo-se estimulado a abandonar a
inoperância.
O
psiquismo divino, nele latente, responde ao apelo das forças superiores e
desatrela-se do cárcere celular, qual antena que capta a emissão de mensagens
alcançadas somente nas ondas em que sintoniza.
O
primeiro desafio, o de penetrar emoções novas, o atrai, impelindo-o a tentames
cada vez mais complexos, portanto, mais audaciosos.
Experimentando
este prazer ético e estético, diferente da brutalidade do primarismo, acostuma-se
com ele e esforça-se para novos cometimentos que, a partir de então, já não
cessam, desde que, encerrado um ciclo, qual espiral infinita, outro prazer se
abre atraente, parecendo-lhe cada vez mais fácil.
Tudo na
vida são desafios às resistências.
A “lei de
entropia” degrada a energia que
tende à consumpção, para manter o equilíbrio térmico de todas as coisas.
O
envelhecimento e a morte são fenômenos inevitáveis no cosmo biológico e no
universo.
Os
batimentos cardíacos são desafios à resistência do músculo que os experimenta;
os peristálticos são teste constante para as fibras que os sofrem; a
circulação do sangue é quesito essencial para a irrigação das células; a
respiração constitui fator básico, sem o qual a vida perece. Tudo isso e muito
mais, na área dos automatismos fisiológicos, a interferir nos de natureza psicológica.
É natural
que o mesmo suceda no campo moral do ser, que nunca retrocede e não deve
estacionar sob pretexto algum.
No progresso, a
evolução é inevitável.
A felicidade é o
ponto final.
Não cabe ao homem
retroceder na luta, senão para reabastecer-se de forças e prosseguir nos
embates.
O crescimento de
qualquer ideal é resultado dos estágios inferiores vencidos, das etapas
superadas, dos desafios enfrentados.
A sequóia culmina
a altura e o volume máximos, célula a célula.
O universo se
renova e prossegue, molécula a molécula.
Facilidade é
perda de estímulo com prejuízo para a ação.
Toda a vida do
Mestre foi um suceder incessante de desafios.
Embates no Seu
meio social e familial constituíram-lhe os primeiros impedimentos, que foram
ultrapassados, em razão da superior finalidade para a qual viera.
Ele não aceitou
carregar o fardo do mundo em caráter de redenção dos outros, mas ensinou cada
um a conduzir o seu próprio compromisso em paz de consciência; não assumiu as
tarefas alheias, nem deixou de demonstrar como fazê-las; no entanto, altaneiro,
sem presunção, tampouco sem submissão covarde.
Os
desafios da sociedade injusta e arbitraria chegaram-Lhe provocadores, mediante
situações, pessoas e circunstâncias; apesar disso, sem deter-se, Ele continuou
íntegro, enfrentando-os sem ira ou medo.
Passou
aquele tempo; todavia, permanecem os resíduos doentios.
Alterou-se
a paisagem, não os valores, que prosseguem relativamente os mesmos, gerando
obstáculos e insatisfações.
Enfrenta
os desafios da tua vida, serena-mente.
Não
aguardes comodidades que não mereces. Realiza a tua marcha, indômito, preservando
os teus valores íntimos e aumentando-os na ação diária.
Quem teme
a escuridão, perde-se na noite.
Sê tu
aquele que acende a lâmpada e clareia as sombras.
Desafiado, Jesus venceu. Segue-O e nunca te
detenhas ante os desafios para o teu crescimento espiritual.
Livro: Jesus e Atualidade
Divaldo Franco/Joanna de Ângelis
Francisco Rebouças