Emmanuel
A família consanguínea é lavoura de luz da alma, dentro da
qual triunfam somente aqueles que se enriquecem de paciência, renúncia e boa
vontade.
De quando a quando, o amor nos congrega, em pleno campo da
vida, regenerando-nos a sementeira do destino.
Geralmente, não se reúnem a nós os companheiros que já
demandaram a esfera superior aureolados por vencedores, e sim afeiçoados menos
estimáveis de outras épocas, a fim de restaurarmos o tecido da fraternidade,
indispensável ao agasalho de nossa alma, na jornada para frente.
Muitas vezes, na condição de pais e filhos, cônjuges ou
parentes, não passamos de devedores em resgate de antigos compromissos.
Se for pai, não abandones teu filho aos processos
evolutivos da natureza animal, qual se fora menos digno de atenção que a
hortaliça de tua casa.
Os filhos são comparáveis a “tratos de terra espiritual”
que devolverás, invariavelmente, à Espiritualidade na pauta da sementeira que
lhes ofertes.
Se for filho, não desprezes teus pais, relegando-os ao
esquecimento e
subestimando-lhes os corações quando te parecem em
desacordo com os teus ideais de elevação e nobreza, porque também, um dia,
precisarás da alheia compreensão para que se te aperfeiçoe na individualidade a
região agora menos burilada e menos atendida.
O companheiro mais idoso, em toda parte, é o espelho do
teu próprio futuro.
Aprende a usar a bondade, em doses intensivas, ajustando-a
ao entendimento e à vigilância, para que a experiência em família não se te
desapareça no tempo, sem proveito para o grande caminho.
Quem não auxilia a alguns, não se acha habilitado ao
socorro de muitos.
Quem não tolera o pequeno desgosto doméstico, sabendo
sacrificar-se com espontaneidade e alegria, a benefício dos irmãos de tarefa ou
de lar, debalde se erguerá por salvador de criaturas e situações que ele mesmo
desconhece.
Cultiva o trabalho, o silêncio e a generosidade e
conquistarás o respeito, sem o qual ninguém consegue ausentar-se do mundo em
paz consigo mesmo.
Se não praticas no grupo familiar ou no esforço isolado a
comunhão com Jesus, não te demores a buscar-lhe na vizinhança, a inspiração e a
diretriz, no culto do Evangelho.
Não percas o tesouro das horas em reclamações improfícuas
ou destrutivas.
Procura atender e auxiliar a todos em casa para que todos
em casa te entendam e auxiliem na solução dos problemas do cotidiano.
O lar é o porto de onde a alma se retira para Além do
Mundo e quem não transporta no coração o lastro da experiência cristã,
dificilmente escapará de surpresas inquietantes e dolorosas.
Procura o Evangelho com todos ou sozinho.
Recorda que todo dia é dia de começar.
Livro: Nós
Chico Xavier/Emmanuel
Francisco
Rebouças