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quinta-feira, 9 de fevereiro de 2017

Sob o comando da Vontade

A mente humana pode ser comparada a uma grande fábrica, subdividida em diversos departamentos.  Entre outros, destacamos o Departamento do Querer, em que operam os propósitos e as aspirações, cultivando o incentivo e o estimulo ao trabalho; o Departamento do Pensamento, dilatando os patrimônios da inteligência, e da cultura com vistas ao que se pretende realizar; o Departamento da Elaboração, amealhando as riquezas do objetivo e da sensibilidade no detalhamento do projeto; o Departamento da Realização, que deverá por em prática os recursos necessários à conquista do planejado, aprendendo com as experiências vivenciadas nos obstáculos de cada dia; além de outros tantos que serão necessários para um adequado investimento nos valores do Espírito Imortal que somos.
Todos esses Departamentos estarão subordinados ao comandado do Gabinete da Vontade, isto porque, a vontade é quem governa a mente do homem e precisa por essa mesma razão ser devidamente esclarecida para ter equilíbrio e se tornar a guardiã da empreitada, visto que o querer, o pensamento, a elaboração e a realização, são etapas reconhecidamente importantes, mas, a Vontade é o fator determinante para que tudo se realize.
Sabemos que o cérebro é reconhecidamente o dínamo que produz a energia mental, segundo a capacidade de reflexão que lhe é inerente, no entanto, na Vontade temos o controle que o dirige nesse ou naquele rumo. Sem ela, devidamente esclarecida e empenhada a serviço do progresso moral do ser humano, o Querer desequilibrado arrojará o indivíduo a aflitivos séculos de sofrimentos, o Pensamento desordenado pode aprisionar-se na sujeira da criminalidade, a Elaboração pode gerar perigosos métodos de ação, com objetivos sombrios, e a Realização pode não ter o devido cuidado, determinação, e disciplina que lhe é exigida, e poderá cair em deplorável e condenável relaxamento.
A vontade por essa razão, é indispensável em qualquer projeto de conquista material, moral ou espiritual, para que o indivíduo alcance realmente seus objetivos nobres na vida. Não aquela vontade desanimada, fraca sem os ingredientes da motivação da dedicação da perseverança, pois, como nos falam os Espíritos Superiores, em muitos casos queremos, mas se não for como a gente quer, tudo bem. Ora, claro está, que pensando dessa forma, demonstramos a nossa fraqueza de comportamento acima de nossa Vontade de vencer, permanecendo assim, na mesma condição anterior.
No Livro dos Espíritos, encontramos importante orientação sobre o assunto conforme segue.
909. Poderia sempre o homem, pelos seus esforços, vencer as suas más inclinações?
“Sim, e, frequentemente, fazendo esforços muito insignificantes. O que lhe falta é a vontade. Ah! Quão poucos dentre vós fazem esforços!”
911. Não haverá paixões tão vivas e irresistíveis, que a vontade seja impotente para dominá-las?
“Há muitas pessoas que dizem: Quero, mas a vontade só lhes está nos lábios.
Querem, porém muito satisfeitas ficam que não seja como “querem”. Quando o homem crê que não pode vencer as suas paixões, é que seu Espírito se compraz nelas, em consequência da sua inferioridade. Compreende a sua natureza espiritual aquele que as procura reprimir.
Vencê-las é, para ele, uma vitória do Espírito sobre a matéria.”
912. Qual o meio mais eficiente de combater-se o predomínio da natureza corpórea?
“Praticar a abnegação.” ¹
Nas respostas acima, dadas pelos Espíritos Superiores, podemos facilmente deduzir, que está na hora de rever nossos conceitos, para que possamos identificar enfrentar e combater de forma diferente, responsável e inteligente as más tendências de que ainda somos portadores, não jogando a culpa de nossas dores, sofrimentos e fracassos ao acaso, aos outros ou à má sorte.
“Segundo a ideia falsíssima de que lhe não é possível reformar a sua própria natureza, o homem se julga dispensado de empregar esforços para se corrigir dos defeitos em que de boa-vontade se compraz, ou que exigiriam muita perseverança para serem extirpados.
E assim, por exemplo, que o indivíduo, propenso a encolerizar-se, quase sempre se desculpa com o seu temperamento. Em vez de se confessar culpado, lança a culpa ao seu organismo, acusando a Deus, dessa forma, de suas próprias faltas. É ainda uma consequência do orgulho que se encontra de permeio a todas as suas imperfeições.
Indubitavelmente, temperamentos há que se prestam mais que outros a atos violentos, como há músculos mais flexíveis que se prestam melhor aos atos de força. Não acrediteis, porém, que aí resida a causa primordial da cólera e persuadi-vos de que um Espírito pacífico, ainda que num corpo bilioso, será sempre pacífico, e que um Espírito violento, mesmo num corpo linfático, não será brando; somente, a violência tomará outro caráter. Não dispondo de um organismo próprio a lhe secundar a violência, a cólera tornar-se-á concentrada, enquanto no outro caso será expansiva.
O corpo não dá cólera àquele que não na tem, do mesmo modo que não dá os outros vícios. Todas as virtudes e todos os vícios são inerentes ao Espírito. A não ser assim, onde estariam o mérito e a responsabilidade? O homem deformado não pode tornar-se direito, porque o Espírito nisso não pode atuar; mas, pode modificar o que é do Espírito, quando o quer com vontade firme. Não vos mostra a experiência, a vós espíritas, até onde é capaz de ir o poder da vontade, pelas transformações verdadeiramente miraculosas que se operam sob as vossas vistas? Compenetrai-vos, pois, de que o homem não se conserva vicioso, senão porque quer permanecer vicioso; de que aquele que queira corrigir-se sempre o pode. De outro modo, não existiria para o homem a lei do progresso. - Hahnemann. (Paris, 1863.)” ²
Urge educar a mente, disciplinando a Vontade, para a transformação dos hábitos perniciosos em atitudes salutares dando os primeiros passos na direção da elevação moral, que é a finalidade de nossa existência. Essa simples atitude nos induzirá a conquista maiores, com o consequente crescimento da conscientização da importância das nobres ações no trabalho do bem e na expansão da paz em nossos caminhos.

Bibliografia:
1-Kardec, Allan. O Livro dos Espíritos, FEB. 76ª edição.
2- Kardec, Allan, O Evangelho Segundo o Espiritismo, FEB.112ª edição.

Francisco Rebouças