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quinta-feira, 3 de março de 2016

OS TRÊS CRIVOS

Irmão X
...Certa   feita,  um  homem esbaforido  achegou-se  a Sócrates e sussurrou-lhe   aos ouvidos:
- Escuta, na condição de teu amigo, tenho alguma coisa muito grave para dizer-te, em particular ...
-   Espera!...   ajuntou  o  sábio   prudente.   Já  passaste   o  que  me vais  dizer  pelos  três crivos? 
- T rês crivos?! – pergunto ao visitante, espantado. 
-   Sim,   meu  caro   amigo,   três   crivos.   Observemos   se   tua confidência   passou   por eles.   O   primeiro,   é   o   crivo   da verdade.   Guardas   absoluta   certeza,   quanto   àquilo   que pretendes comunicar? 
- Bem, ponderou o interlocutor , assegurar mesmo, não posso... Mas ouvi dizer e...então... 
-   Exato.   Decerto   peneiras-te   o   assunto   pelo   segundo  crivo, o   da   bondade.   Ainda que não seja real o que julgas saber, será pelo menos bom o que me queres contar? 
Hesitando,o homem replicou: 
- Isso não!... Muito pelo contrário... 
-   Ah!   –   tornou   o   sábio   –   então   recorramos   ao   terceiro crivo:   o   da  utilidade,   e notemos o proveito do que tanto te aflige. 
- Útil?!...– aduziu o visitante ainda agitado. 
– Útil não é...
- Bem – rematou o filósofo num sorriso,-se o que tens a confiar não é verdadeiro,
nem bom e nem útil, esqueçamos o problema e não te preocupes com  ele, já  que nada
valem casos sem edificações para nós...
Aí está, meu amigo, a lição de Sócrates, em questões de maledicência...

Livro: Aulas da Vida
Chico Xavier/Espíritos Diverso

Francisco Rebouças