“Vigiai e orai para não entrardes
em tentação”. JESUS (MARCOS, 14: 38.)
Quando
Jesus nos pede para “Vigiar” não se
refere apenas ao observar, significa principalmente precaver-se e cuidar-se com
atenção e carinho redobrados para não ser pego de surpresa pelas tentações sugeridas
pelas atrações do mundo material.
Faz
mais o Mestre, solicita que estejamos atentos e precavidos diante das nossas
más inclinações, e quem se cuida bem, igualmente trabalha por defender-se, das
funestas propostas que nos são sugeridas por mentes ainda adoentadas e
desequilibradas.
A virtude
“A
virtude, no mais alto grau, é o conjunto de todas as qualidades essenciais que constituem
o homem de bem. Ser bom, caritativo, laborioso, sóbrio, modesto, são qualidades
do homem virtuoso. Infelizmente, quase sempre as acompanham pequenas
enfermidades morais que as desornam e atenuam. Não é virtuoso aquele que faz
ostentação da sua virtude, pois que lhe falta a qualidade principal: a
modéstia, e tem o vício que mais se lhe opõe: o orgulho. A virtude,
verdadeiramente digna desse nome, não gosta de estadear-se. Adivinham-na; ela,
porém, se oculta na obscuridade e foge à admiração das massas. S. Vicente de
Paulo era virtuoso; eram virtuosos o digno cura d'Ars e muitos outros quase
desconhecidos do mundo, mas conhecidos de Deus. Todos esses homens de bem
ignoravam que fossem virtuosos; deixavam-se ir ao sabor de suas santas
inspirações e praticavam o bem com desinteresse completo e inteiro esquecimento
de si mesmos.
À
virtude assim compreendida e praticada é que vos convido, meus filhos; a essa virtude
verdadeiramente cristã e verdadeiramente espírita é que vos concito a
consagrar-vos.
Afastai,
porém, de vossos corações tudo o que seja orgulho, vaidade, amor-próprio, que sempre
desadornam as mais belas qualidades. Não imiteis o homem que se apresenta como
modelo e trombeteia, ele próprio, suas qualidades a todos os ouvidos complacentes.
A virtude que assim se ostenta esconde muitas vezes uma imensidade de pequenas
torpezas e de odiosas covardias.
Em
princípio, o homem que se exalça, que ergue uma estátua à sua própria virtude, anula,
por esse simples fato, todo mérito real que possa ter. Entretanto, que direi
daquele cujo único valor consiste em parecer o que não é? Admito de boamente
que o homem que pratica o bem experimenta uma satisfação íntima em seu coração;
mas, desde que tal satisfação se exteriorize, para colher elogios, degenera em
amor-próprio.
O
vós todos a quem a fé espírita aqueceu com seus raios, e que sabeis quão longe
da perfeição está o homem, jamais esbarreis em semelhante escolho. A virtude é
uma graça que desejo a todos os espíritas sinceros. Contudo, dir-lhes-ei: Mais
vale pouca virtude com modéstia, do que muita com orgulho. Pelo orgulho é que
as humanidades sucessivamente se hão perdido; pela humildade é que um dia elas
se hão de redimir. François-Nicolas Madeleine.” (Paris, 1863.) (1)
Quando
o Mestre nos sugere estar em Oração,
não fala para ninguém somente adorar a Deus e aquietar-se sem ação dignificante,
acima de tudo, deseja que estejamos em comunhão com o Poder Divino que representa
crescimento incessante para a luz, na procura de desenvolver em nosso mundo
íntimo o verdadeiro Amor, que é serviço infatigável na seara do bem e da paz. Alerta-nos
para o fato de que tudo aquilo ou todo aquele que repousa em excesso é candidato
em potencial à inutilidade.
“O engrandecimento da vida exige o tributo individual do trabalho.
Situar
em posições distintas as próprias tarefas diante da família e da profissão, da
Doutrina que abraça e da coletividade a que deve servir, atendendo a todas as
obrigações com o necessário equilíbrio.
O
dever, lealmente cumprido, mantém a saúde da consciência.
Examinar
os temas de serviço que lhe digam respeito, para não estagnar os próprios
recursos na irresponsabilidade destrutiva ou na rotina perniciosa.
Da
busca incessante da perfeição, procede a competência real.” (2)
Alerta-nos
para o fato de que o tesouro escondido transforma-se em cadeia de usura, que a
água estagnada, cria larvas de insetos patogênicos, dessa forma, não te
mantenhas equivocadamente na atitude de vigilância
e oração, fugindo à luta com a qual a Terra te desafia a construir
teu progresso pessoal.
Lembra-te
que desfrutas para isso, das bênçãos da Inteligência e das mãos, que paradas
impõem paralisia ao coração que, da inércia, cai na cegueira e desta na
desilusão e no erro. Vive com alegria e confiança, não permita que a vida escape,
sublime, ao redor de ti, e trabalha infatigavelmente, dilatando as tuas
possibilidades de ser útil ao bem, aprendendo a ajudar aos outros em teu
próprio benefício, porque essa é mais sublime fórmula de vigiar e orar para não
cairmos em tentação.
Bibliografia:
1- Kardec, Allan. O Evangelho
Segundo o Espiritismo, FEB, Cap. XVII, item 8.
2- Xavier, Francisco Cândido,
livro: Conduta Espírita, pelo Espírito André Luiz – Cap. 8.
Francisco
Rebouças
