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sábado, 15 de agosto de 2015

Capacete da esperança

“Tendo por capacete a esperança na salvação.” – Paulo. (1ª Epístola aos Tessalonicenses, 5:8.)

O capacete é a defesa da cabeça em que a vida situa a sede de manifestação do pensamento e Paulo  não  podia  lembrar  outro símbolo  mais  adequado  à  vestidura do cérebro  cristão,  além  do capacete da esperança na salvação.

Se o sentimento, muitas vezes, está sujeito aos ataques da cólera violenta, o raciocínio, em  muitas  ocasiões,  sofre  o  assédio do desânimo, à frente da luta pela vitória do bem,  que não pode esmorecer em tempo algum.

Raios  anestesiantes  são  desfechados  sobre  o  ânimo  dos  aprendizes por todas as forças contrárias ao Evangelho salvador.

A exigência de todos e a indiferença de muitos procuram cristalizar a energia do discípulo, dispersando-lhe os impulsos nobres ou neutralizando-lhe os ideais de renovação.

Contudo, é imprescindível esperar sempre o desenvolvimento dos princípios latentes do bem, ainda mesmo quando  o  mal transitório estenda raízes em todas as direções.

É necessário esperar o fortalecimento do fraco, à maneira do lavrador que não perde a confiança nos grelos tenros; aguardar a alegria e a coragem dos tristes, com a mesma expectativa do floricultor que conta com revelações  de  perfume  e  beleza  no jardim cheio de ramos nus.

É imperioso reconhecer, todavia, que a serenidade do cristão nunca representa atitude inoperante, por agir e melhorar continuadamente pessoas, coisas e situações, em todas as particularidades do caminho.

Por isso mesmo, talvez, o apóstolo não se refere à touca protetora.

Chapéu, quase sempre, indica passeio, descanso, lazer, quando não defina convenção no traje exterior, de acordo com a moda estabelecida.

Capacete, porém, é indumentária de luta, esforço, defensiva.

E o discípulo de Jesus é um combatente efetivo contra o mal, que não dispõe de muito tempo para cogitar de si mesmo, nem pode  exigir  demasiado  repouso,  quando  sabe  que  o  próprio Mestre permanece em trabalho ativo e edificante.

Resguardemos, pois, o nosso pensamento com o capacete da esperança fiel e prossigamos para a vitória suprema do bem.

Livro: Fonte Viva
Chico Xavier/Emmanuel


Francisco Rebouças