Emmanuel
ANTE o mundo moderno, em doloroso e acelerado processo
de transição, procuremos em Cristo Jesus o clima de nossa reconstrução
espiritual para a Vida Eterna.
Multipliquemos as assembleias cristãs, quais a desta
noite, em que elevamos o coração ao altar da fé renovadora.
Em torno de nossas atividades religiosas, temos a
paisagem de há quase dois mil anos...
Profundas transformações políticas assinalam o cominho
das nações, asfixiantes dificuldades pesam sobre os interesses coletivos, em
toda a comunidade planetária, e, cima de tudo, lavra a discórdia, em toda
parte, desintegrando o idealismo santificante.
Este é o plano a que os nossos discípulos são
chamados.
O momento, por isto mesmo, é de luz para as trevas,
amor para o ódio, esclarecimento para a ignorância, bom ânimo para o desalento.
Não bastará, portanto, a movimentação verbalística.
Não prevalece a plataforma doutrinária tão somente.
Imprescindível renovar o coração, convertendo-o em
vaso de graças divinas para a extensão das dádivas recebidas.
Espiritismo, na condição de mera fenomenologia, é
simples indagação. Indispensável reconhecer, entretanto, que as respostas do
Céu às perquirições da Terra nunca faltaram.
A Grandeza Divina absorve a pequenez humana em todos
os ângulos de nossa jornada evolutiva.
Edificar um castelo teórico ou dogmático, onde a mente
repouse à distância da luta constitui apenas fuga aos problemas – evasão
delituosa de quem recebeu do Alto os dons sublimes do conhecimento para que a
Benção do Senhor se comunique a todos os homens.
Esta, razão que nos compete ao chamamento novo.
A morte do corpo não nos desvenda os gozos do paraíso,
nem nos arrebata aos tormentos do inferno.
Nós, os desencarnados, somos também criaturas humanas
em diferentes círculos vibratórios, tão necessitados de aplicação do Evangelho
Redentor, quanto os companheiros que marcham pelo roteiro carnal.
A sepultura não é milagroso acesso às zonas de luz
integral ou da sombra completa. Somos defrontados por novas modalidades da
Divina Sabedoria a se traduzirem por mistérios mais altos.
Transformemo-nos, meus amigos, naquelas “cartas vivas”
do Mestre dos Mestres a que o Apóstolo Paulo se refere em suas advertências
imortais.
Indaguemos, estudemos, movimentemo-nos na esfera científica
e filosófica, todavia, não nos esquecemos do “amemo-nos uns aos outros” como o
Senhor nos amou. Sem amor, os mais alucinantes oráculos são igualmente aquele
“sino que tange” sem resultados práticos para as nossas necessidade
espirituais.
Não valem divergências da interpretação nos setores da
fé.
Estamos distantes da época em que os filhos da Terra
se dirigirão ao Pai com idêntica linguagem, porquanto, para isto, seria
indispensável a sintonia absoluta entre nós outros e o Celeste Embaixador das Boas
Novas da Salvação.
Reveste-se a hora atual de nuvens ameaçadoras.
Não no iludamos . O amor ilumina a justiça, mas, a
justiça é à base da Lei Misericordiosa.
O mundo atormentado atravessa angustioso período de
aferição.
Irmanemo-nos, desse modo, em Jesus, para que a
tormenta não nos colha, de surpresa, o coração.
Abracemos-nos na obra redentora a derrubar as
fronteiras que separam os templos veneráveis uns aos outros.
Nossa época é de ascensão do homem à estratosfera, de
intercâmbio fácil das nações e de avanço da medicina em todas as frentes,
contudo, é também de lágrimas, reajustamento e luta.
Entrelacemos as mãos, no testemunho da luz e da paz
que nos felicitam.
Lembremo-nos de que somos os herdeiros diretos da
confiança e do amor daqueles que tombaram nos circos do martírio pro trezentos
anos consecutivos.
Espiritismo sem Evangelho é apenas sistematização de
ideias para transposição da atividade mental, sem maior eficiência na
construção do porvir humano.
Trabalharemos, entretanto, quanto estiver ao nosso
alcance, a fim de que o cristianismo redivivo prevaleça entre nós constitua
patrimônio indesejável e inútil e para que, unidos fraternalmente, sejamos
colaboradores sinceros do Mestre, sem esquecer-lhe as sagradas palavras: _ “Eu
sou o Caminho, a Verdade e a Vida. Ninguém vai ao Pai senão por Mim”.
Livro: Doutrina e Aplicação
Chico Xavier/Espíritos Diversos
Francisco Rebouças