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domingo, 14 de junho de 2015

JESUS E O OBSERVADOR

Quem o visse cercado pela multidão, em cuja fase estavam as marcas iniludíveis  do  desconforto,  das  aflições  e  das  ansiedades,  talvez ficasse  à  distância,  sem  ter  a  menor  ideia  do  que  ele  pudesse fazer àquelas gentes.

Quem o visse exprobrando a conduta reprochável dos maus sacerdotes infelizes  governantes,  certamente  recearia,  afastando -se  do círculo em que Ele estava.

Quem  o  acompanhasse  pelas  longas  viagens,  sempre  cercado  pelas dores  do  povo,  sem  agasalhos  nem  alforjes,  sob  a  canícula  ou  as chuvas, suporia estar ao lado de um visionário, um sonhador.

Quem  se  detivesse  no  exame  das  Suas  palavras  renovadoras,  em  dias de  rapina  e  crueldade,  entoando  Salmos  de  amor  e  esperança, evitaria  a  participação  no  grupo  que  Ele  compunha,  receando consequências.

Quem  penetrasse  no  círculo  mais  íntimo  dos  que  O  seguiriam,
dominados  pelo  magnetismo  d'Ele,  suporia  estar  entre  fanáticos  que pretendesse  lutar  contra  tudo,  afervorados  pela  implantação  de  um Reino impossível.

Quem,  todavia  resolvesse  mergulhar  na  Sua  Aura,  reflexionando demoradamente  os  conceitos  que  Ele  emitia,  sentindo  as  angústias das multidões que Ele saciava com o verbo divino, seguindo -O pelas trilhas  da  compaixão  e  da  misericórdia,  vivendo  as  esperanças  que Ele acenava em relação aos dias do futuro e se facultasse senti -Lo no  imo  do  coração,  amá-Lo-ia  por  certo,  entregasse  totalmente  ao mistério  da  fraternidade  até  a  imolação,  como  parte  essencial  da Era  Nova  que  Ele  iniciava, mas  que  somente  se  concretizaria  nos confins dos tempos futuros.

Jesus não é uma mensagem de uma época, um tempo uma Civilização. É  o  pão  de  sustento  do  século,  a  água  refrescante  das  eras  e  a esperança modelar de todos os povos. Segurança do mundo moderno, é o  Luzeiro  em  cuja  claridade  solar  todas  as  trevas  se  dissipam,  a aquecer  por  todo  o  sempre  sofrido  coração  do  espírito  humano desejoso de felicidade, de plenitude da paz.
Livro: Espelho da Alma
Divaldo Franco/ Ignotus

Francisco Rebouças