“Em
verdade vos digo que o Céu e a Terra não passarão sem que tudo o que se acha na
lei esteja perfeitamente cumprido, enquanto reste um único iota e um único
ponto.” JESUS - MATEUS, 5: 18.¹
Foi
Jesus Cristo o começo da mais pura e sublime moral evangélica, que vem desde há
muito, renovando a concepção do homem sobre o mundo, a vida, e a finalidade da
existência da humanidade, nas incontáveis moradas que Ele nos havia afirmado que existiam na casa de seu Pai.
“O Cristo foi o iniciador
da mais pura, da mais sublime moral, da moral evangélico cristã, que há de
renovar o mundo, aproximar os homens e torná-los irmãos; que há de fazer brotar
de todos os corações a caridade e o amor do próximo e estabelecer entre os
humanos uma solidariedade comum; de uma moral, enfim, que há de transformar a
Terra, tornando-a morada de Espíritos superiores aos que hoje a habitam. E a
lei do progresso, a que a Natureza está submetida, que se cumpre, e o
Espiritismo é a alavanca de que Deus se utiliza para fazer que a Humanidade
avance.
São chegados os
tempos em que se hão de desenvolver as ideias, para que se realizem os
progressos que estão nos desígnios de Deus. Têm elas de seguir a mesma rota que
percorreram as ideias de liberdade, suas precursoras. Não se acredite, porém,
que esse desenvolvimento se efetue sem lutas. Não; aquelas ideias precisam,
para atingirem a maturidade, de abalos e discussões, a fim de que atraiam a
atenção das massas. Uma vez isso conseguido, a beleza e a santidade da moral tocarão
os espíritos, que então abraçarão uma ciência que lhes dá a chave da vida
futura e descerra as portas da felicidade eterna. Moisés abriu o caminho; Jesus
continuou a obra; o Espiritismo a concluirá. - Um Espírito israelita.
(Mulhouse, 1861.)”²
Suas
lições tão bem exemplificadas em cada uma de suas atitudes para com seus
semelhantes mostrava a todos que os homens são na verdade filhos do mesmo Pai, sendo
por isso mesmo irmãos, e que cada indivíduo deve se esforçar para fazer brotar
de seu coração a caridade e o amor pelo próximo a fim de que seja possível se
estabelecer entre os humanos uma solidariedade fundamentada em uma moral, capaz
de transformar a Terra, tornando-a morada de Espíritos melhores. Para essa
finalidade, nossa ciência vem desde sempre recebendo a ajuda providencial da
Espiritualidade amiga para desvendar os “mistérios”,
e resolver paulatinamente os mais intricados problemas alusivos ao progresso material
da Humanidade.
Foi
através desse auxílio que conseguiu constatar o absurdo da escravidão do homem
pelo próprio homem e estatuiu as leis trabalhistas, visando uma melhoria na
vida do trabalhador através de leis mais justas; percebeu o desrespeito aos
direitos sociais da mulher que as civilizações antigas mantinham em regime de
cativeiro e facilitou-lhe acesso às universidades e profissões; anotou os
desastres morais causados pela falta de comunicação e criou a grande imprensa,
hoje representada pela benção da internet para se relacionar simultaneamente
com o mundo; percebeu a dificuldade que fazia a criatura humana tombar
prematuramente na morte, esmagada em atividades excessivamente pesadas e
inventou as máquinas e os demais equipamentos; incomodou-se com o sofrimento
causado pelas graves e contagiosas moléstias e fabricou a vacina; comoveu-se
com a situação dos doentes e feridos em gritos alucinantes de dor e inventou a
anestesia, além de uma série imensa de outras medidas estabelecidas para o bem
estar desfrutado pelo indivíduo na sociedade de hoje.
Entretanto
apesar de todas essas melhorias e facilidades proporcionados pelas descobertas
científicas em todos os campos, os homens ainda se encontram despojados, de
esperança, de paz, vivenciando dias de incertezas, infelicidades de toda ordem,
estressados, depressivos, à beira da loucura e do suicídio, assim sendo, para
grandiosa parcela de nossa sociedade, que tombaram no sofrimento moral, a
ciência da Terra não dispõe de recursos para acabar em definitivo com seus
sofrimentos.
“Os que vivem na
certeza das promessas divinas são os que guardam a fé no poder relativo que
lhes foi confiado e, aumentando-o pelo próprio esforço, prosseguem nas
edificações definitivas, com vistas à eternidade.
Os que, no
entanto, permanecem desalentados quanto às suas possibilidades, esperando em
promessas humanas, dão a ideia de fragmentos de cortiça, sem finalidade
própria, ao sabor das águas, sem roteiro e sem ancoradouro.
Naturalmente,
ninguém poderá viver na Terra sem confiar em alguém de seu círculo mais
próximo; mas, a afeição, o laço amigo, o calor das dedicações elevadas não
podem excluir a confiança em si mesmo, diante do Criador.
Na esfera de cada
criatura, Deus pode tudo; não dispensa, porém, a cooperação, a vontade e a
confiança do filho para realizar. Um pai que fizesse, mecanicamente, o quadro de
felicidades dos seus descendentes, exterminaria, em cada um, as faculdades mais
brilhantes.
Por que te
manterás indeciso, se o Senhor te conferiu este ou aquele trabalho justo?
Faze-o retamente, porque se Deus tem confiança em ti para alguma coisa, deves
confiar em ti mesmo, diante d’Ele.²
Urgente
se faz que humanidade compreenda definitivamente, que só com Evangelho de Jesus
no coração, poderá o homem encontrar consolação e esclarecimento, para suas
dores e desditas, pois foi Jesus
quem reunindo a multidão no topo do monte, desfraldou a bandeira da caridade e,
proclamando as bem-aventuranças eternas, prometeu que estaria conosco até ao
final dos tempos, quando alcançaríamos o patamar de Espíritos Perfeitos, no
feliz convívio com o nosso Pai e Criador.
Bibliografia:
1- JESUS
- MATEUS, 5: 18.
2- KARDEC, Allan. O Evangelho Segundo o Espiritismo – FEB, 112ª
edição. cap. I, item 9.
3 - XAVIER, F. Cândido. Livro - Caminho Verdade e Vida.
FEB, cap.14.
Francisco
Rebouças