Algema
tenebrosa é a carne louca,
Onde
o espírito, em lágrimas, se prende
Perambulando
como um triste duende,
Bebendo
o pus das fístulas da boca.
Viver
entre os sentidos incompletos,
Na
existência das coisas fragmentárias,
Começando
nas dores solitárias,
Da
vida melancólica dos fetos.
Vaso
de tegumentos e de humores
É o
corpo, imagem viva do defunto,
O
miserabilíssimo transunto
Das
condições mais tristes e inferiores.
Desprezar
toda a luz, radiosa e viva
Para
viver na carne é descer quase
Da consciência
divina à horrenda fase
Da
irracionalidade primitiva.
Carne!...
Nossa amargura original,
Antes
sobre o planeta nunca houvesse
O
princípio ancestral da tua espécie,
Nos
mistérios da vida universal...
Livro:
Lira Imortal
Chico
Xavier/Espíritos Diversos
Francisco Rebouças