Reunião pública de 16/1/59
Questão nº 220
Automaticamente, por força da lógica, elege o homem na
contabilidade uma das forças de base ao próprio caminho.
Contas maiores legalizam as relações do comércio e
contas menores regulamentam o equilíbrio do lar.
Débitos pagos melhoram as credenciais de qualquer
cidadão, enquanto que os compromissos menosprezados desprestigiam a ficha de
qualquer um.
Assim também, para lá do sepulcro, surge o registro
contábil da memória como elemento de aferição do nosso próprio valor.
A faculdade de recordar é o agente que nos premia ou
nos pune, ante os acertos e os desacertos da rota.
Dessa forma, se os atos louváveis são recursos de
abençoada renovação e profunda alegria nos recessos da alma, as ações infelizes
se erguem, além do túmulo, por fantasmas de remorso e aflição no mundo da
consciência.
Crimes perpetrados, faltas cometidas, erros
deliberados, palavras delituosas e omissões lamentáveis esperam-nos a lembrança,
impondo-nos, em reflexos dolorosos, o efeito de nossas quedas e o resultado de
nossos desregramentos, quando os sentidos da esfera física não mais nos
acalentam as ilusões.
Não olvideis, assim, que, além da morte, a vida
nos aguarda em perpetuidade de grandeza e de luz, e que, nessas mesmas
dimensões de glorificação e beleza, a memória imperecível é sempre o espelho
que nos retrata o passado, a fim de que a sombra, reinante em nós, se dissolva,
nas lições do presente, impelindo-nos a seguir, desenleados da treva, no
encalço da perfeição com que nos acena o futuro.
Livro: Religião dos Espíritos
Chico Xavier/Emmanuel
Francisco Rebouças