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segunda-feira, 10 de novembro de 2014

COXOS E ESTROPIADOS


Emmanuel



Em  matéria  de   auxílio   aos   que   te   reclamam   a   luz   da  fraternidade, não   te   deixes guiar pelas aparências.

Não julgues o mordomo do ouro terrestre por afortunado detentor da riqueza.

Muitas   vezes,   sob   anotações   e  fichas bancárias, é um trabalhador  desesperado,   vergando   ao   peso  de inquietantes  compromissos,   quando   não   seja   triste sedento de paz entre as grades da sovinice.

Não   suponhas   o   homem   representativo   da   vida   pública   como  sendo o guardião da felicidade.

Em   muitas   ocasiões,   embora   ostente   o   bastão   do   poder,   não  passa   de infortunada vítima de amargas provas a lhe roubarem o contentamento e a segurança.

Não   consideres   a   mulher   exteriormente   enfeitada   por   joias   de   alto   preço,   por veículo de maldade e perturbação.

Quase   sempre,   no   imo   da   própria   alma,   sente-se   asfixiada   por   chagas dolorosas de amargura e desencanto, que lhe aniquilam as melhores aspirações. 

Não  creias   que  o  artista   da  inteligência,   admirável  pelos  valores  intelectuais  com que assombra a mente popular seja sempre o instigador da devassidão.  

Muitas   vezes,   na  intimidade  dele  mesmo   é  um  mutilado  psicológico,   de   quem  as vicissitudes da Terra furtaram a esperança e a alegria.  

Coxos e estropiados não se encontram simplesmente nos desvãos da indigência.  

Respiram   com   mais   frequência,   segundo   o   símbolo   evangélico, nas grandes   e luzidas   assembleias   do   mundo,   onde   se   discutem   as   mais   pesadas   responsabilidades humanas. 

Jesus quando nos pediu atenção para com os irmãos infelizes incluiu igualmente os nossos  companheiros  que conduzem  consigo a  bolsa recheada com aflitivos desenganos na vida íntima.

Fujamos   ao   exibicionismo   dos   elogios   mútuos   e   das vazias  competições   em   que medimos   nossas   forças   com   os   próprios  afeiçoados   em   torneios   inúteis   de   vaidade   e ilusão.

Que   o   entendimento   nos   ilumine   o   espírito   na   jornada   para  diante   e compadecendo-nos  uns dos  outros,  saibamos pavimentar com  a  verdadeira fraternidade o caminho de nossa libertação.




Livro: canais da Vida
Chico Xavier/Emmanuel



Francisco Rebouças