DA
INTERVENÇÃO DOS ESPÍRITOS
“Isso
é mais difícil. Contudo, de certo modo o faz, pedindo, num instante de desprendimento,
a um Espírito simpático que o assista nessa missão. Demais, os Espíritos só
aceitam missões que possam desempenhar até ao fim.
“Encarnado,
mormente em mundo onde a existência é material, o Espírito se acha muito
sujeito ao corpo para poder dedicar-se inteiramente a outro Espírito, isto é,
para poder assisti-lo pessoalmente. Tanto assim que os que ainda se não
elevaram bastante são também assistidos por outros, que lhes estão acima, de
tal sorte que, se por qualquer circunstância um vem a faltar, outro lhe supre a
falta.”
511. A cada indivíduo achar-se-á
ligado, além do Espírito protetor, um mau Espírito, com o fim de impeli-lo ao
erro e de lhe proporcionar ocasiões de lutar entre o bem e o mal?
“Ligado,
não é o termo. É certo que os maus Espíritos procuram desviar do bom caminho o
homem, quando se lhes depara ocasião. Sempre, porém, que um deles se liga a um
indivíduo, fá-lo por si mesmo, porque conta ser atendido. Há então luta entre o
bom e o mau, vencendo aquele por quem o homem se deixe influenciar.”
512. Podemos ter muitos Espíritos
protetores?
“Todo
homem conta sempre Espíritos, mais ou menos elevados, que com ele simpatizam,
que lhe dedicam afeto e por ele se interessam, como também tem junto de si outros
que o assistem no mal.”
513. Os Espíritos que conosco
simpatizam atuam em cumprimento de missão?
“Não
raro, desempenham missão temporária; porém, as mais das vezes, são apenas atraídos
pela identidade de pensamentos e sentimentos, assim para o bem como para o mal.”
a) - Parece lícito inferir-se daí
que os Espíritos a quem somos simpáticos podem ser bons ou maus, não?
“Sim,
qualquer que seja o seu caráter, o homem sempre encontra Espíritos que com ele
simpatizem.”
514. Os
Espíritos familiares são os mesmos a quem chamamos Espíritos simpáticos ou
Espíritos protetores?
“Há gradações na proteção e na simpatia. Dai-lhes os nomes
que quiserdes. O Espírito familiar é antes o amigo da casa.”
Das explicações acima e das observações feitas sobre a
natureza dos Espíritos que se afeiçoam ao homem, pode-se deduzir o seguinte:
O Espírito protetor, anjo de guarda, ou bom gênio é o que
tem por missão acompanhar o homem na vida e ajudá-lo a progredir. É sempre de
natureza superior, com relação ao protegido.
Os Espíritos familiares se ligam a certas pessoas por laços
mais ou menos duráveis, com o fim de lhes serem úteis, dentro dos limites do
poder, quase sempre muito restrito, de que dispõe. São bons, porém muitas vezes
pouco adiantados e mesmo um tanto
levianos.
Ocupam-se de boamente com as particularidades da vida íntima
e só atuam por ordem ou com permissão dos Espíritos protetores.
Os Espíritos simpáticos são os que se sentem atraídos para o
nosso lado por afeições particulares e ainda por uma certa semelhança de gostos
e de sentimentos, tanto para o bem como para o mal. De ordinário, a duração de
suas relações se acha subordinada às circunstâncias.
O mau gênio é um Espírito imperfeito ou perverso, que se
liga ao homem para desviá-lo do bem. Obra, porém, por impulso próprio e não no
desempenho de missão. A tenacidade da sua ação está em relação direta com a
maior ou facilidade de acesso que encontre por parte do homem, que goza sempre
da liberdade de escutar-lhe a voz ou de lhe cerrar os ouvidos.
Fonte: O
Livro dos Espíritos FEB, 76ª edição.
Francisco Rebouças
