Depois das considerações por nós tecidas, em torno da
fortuna amoedada na Terra, examinemos aquela riqueza de inutilidades que todos
devemos alijar, a fim de entrarmos na posse dos tesouros do espírito.
Por toda parte, vemos o excesso de particularidades e
bagatelas, de caprichos e ilusões que absorvem o tempo e desfiguram a vida.
Há ricos de ouro tão inutilmente preocupados com os
patrimônios que lhes não pertencem, como há pobres flagelados sem proveito pela
obsessão da necessidade.
Há homens inteligentes tão obcecados pelas maneiras de
expressão que chegam a olvidar a lavoura de luz que lhes cabe atender, tanto
quanto, há pessoas de ambiente rústico, tão atormentadas pelas ideias de
inferioridade intelectuais que passam as horas, entre a revolta e o desespero,
alheias às preciosas oportunidades de cultura e aprimoramento que lhes
enobrecem a estrada.
Vemos jovens, tão engodados pelas seduções da carne
moça, que mais se assemelham a flores envenenadas e velhos tão absurdamente
entregues à lamentação e à tristeza que mais se parecem espinheiros de
sofrimento, quando a uns e outros pede a existência testemunhos de compreensão
e atividade, educação e serviço.
Seja onde for, lembremo-nos de que as horas são
recursos Divinos que não devemos reter em vão.
Na abastança ou na carência, na direção ou na
subalternidade, na juventude ou na madureza, simplifiquemos o caminho e
aprendamos a trabalhar.
Todos somos ricos de alguma coisa que precisamos
movimentar na exaltação do Bem.
Ainda mesmo as criaturas mais duramente provadas no
mundo, quais sejam aquelas que se prendem ao leito de imobilidade física e
tortura mental, são ricas do ensejo de ensinar paciência e calma, entendimento
e fé viva.
Empobreçamo-nos de aflição inútil, olvidemos o luxo
dos detalhes vazios e, abraçando a simplicidade, onde estivermos, valorizemos as
riquezas de Deus que repousam em nossas mãos.
Atende, enquanto é hoje, ao círculo de trabalho que te
coube no imenso pomar da vida e guarda a certeza de que do teu suor e do teu
carinho na lavoura do Eterno Bem, nascerá, em teu favor, o celeiro de alegria e
vitória com que te enriquecerás no Abençoado Amanhã.
Livro: Perante Jesus
Chico Xavier/Emmanuel
Francisco Rebouças