Flávia Canzi Biondi
Nascimento: 20.06.1970
Desencarne: 06.07.1972
Parentesco: Filha
Em tarde de Autógrafos realizada pelo GRUPO ESPIRITA
EMMANUEL, em São Bernardo do Campo, tomei conhecimento através de noticiários,
que Francisco Cândido Xavier estaria autografando seus livros.
Apesar de frequentar esporadicamente algumas reuniões em
Centros Espíritas, nunca tive a oportunidade de vê-lo e falar-lhe.
Suscitou-me, então, vontade de conhecê-lo e dirigi-me ao
local de autógrafos. Em vista da grande afluência de pessoas, as tarefas
adentravam à madrugada. Quando pude cumprimentar Chico Xavier, impressionei-me.
Aquele homem tinha o poder de transmitir aos presentes muita serenidade e muito
amor,o que presenciava preenchia meu coração de alegria. Fiquei até o final,
que se prolongou até as seis horas do dia seguinte.
Depois disso, interessei-me e procurava saber, dentro do
meio espírita, onde Chico Xavier daria novas tardes de autógrafos. Algum tempo
depois, quando passávamos nossas férias em Santos, minha filha Flavia Canzi
Biondi, subitamente, desencarnara em consequência de pneumonia. Ficamos numa
situação dolorosa.
Minha esposa, inconformada, sofria muito. Aflito, procurei
por todos os meios encontrar algum lenitivo que amenizasse a sua dor.
Uma amiga, a senhora Irene Buzon, convidou Margarida,
minha esposa, a tomar alguns passes no Centro Espírita Irmã Clara, onde pode
conhecer alguns momentos de paz. Passamos a frequentar essa casa de oração e,
estreitando amizade com o dirigente da mesma, senhor Túlio Agnelli, recebemos
seu amável convite para visitar Chico Xavier, pois Túlio mantinha com o médium
profundas relações de amizade.
Desse momento em diante, posso dizer, meu intimo começou a
cobrar-me.
Margarida, um pouco mais refeita e serena, incentivou-me
bastante. Assim, acabamos viajando para Uberaba.
A caminho do Centro, desconhecendo tudo e a todos,
escorava-me nas informações de Túlio, pois esse amigo sabia como se
desenvolviam aquelas tarefas.
Sem ter qualquer contato com o Chico, já no Centro, fui
chamado pelo nome, o que me surpreendeu muito. Estava sendo convidado a fazer
parte da mesa.
Minha aflição era tanta, que nem atinei ao chamado.
Precisou que viessem buscar-me. Mesmo assim, não tive condições de contatar com
Chico.
Uma multidão o rodeava. Na oportunidade, distribuíram-se
alimentos aos irmãos carecedores de ajuda. Um canal de televisão fazia
reportagem de cobertura.
A reunião continuava. Chico encontrava-se no receituário.
Minha ânsia era incontida. Minhas mãos e pernas estavam tremulas. Não sabia o
que fazer.
Levava comigo foto de minha filha e conversava com o seu
retrato. Terminado o receituário, aquele povo todo acercou-se do Chico. Eu
achava que não teria possibilidade de falar-lhe. Estava numa condição bem
egoísta, querendo resolver somente o meu problema. Uma senhora, frequentadora
daquelas reuniões, dona Yolanda Cezar, percebendo o meu desespero sugeriu-me
que apanhasse uma pequena vitrola que estava sobre a mesa e levasse para perto
do Chico. Foi assim que consegui aproximar-me dele.
Imediatamente, dei-lhe a foto de minha filha e expus
alguma coisa, quase nada, pelo meu descontrole e segundo, por todo aquele grande numero de pessoas desejoso de
ouvir-lhe.
Chico percebeu, olhou-me com muita ternura e enviou um
recado confortador no verso da fotografia. Aquelas palavras pareciam mágicas,
acalmaram-me e retornei mais tranquilo. Margarida, ansiosa, esperava-me.
Ao receber a foto com o bilhete, chorava e sorria de
felicidade. Aconteceram outras viagens e, numa delas houve um fato
interessante. Um senhor, para minha surpresa, me agradecia pela execução do
trabalho de mensagens de seu filho. Chamava-me de Rubens e continuava
agradecendo. Estranhei tudo aquilo.
Quando terminou, disse-lhe que não era a pessoa que ele
pensava. Desculpou-se e voltou para junto de seu pessoal.
Mais tarde tornamos a nos encontrar, mas desta vez, num
abraço de felicidade, pois seu filho, ao transmitir sua mensagem,
trazia um recado de Flavinha.
Intrigado e curioso, o senhor Wady Abrahão, este é o seu
nome, não entendia como podia ter havido aquela confusão conosco.
Pediu ao Chico que nos esclarecesse. Este respondeu: “Wadyzinho estava ao seu lado, juntamente com a filha do Pedro e,
quando ele passava, ela vendo-o, foi ao encontro do pai. Seu filho a acompanhou,
levando-o consigo” Me perdoem, prezados leitores, mas
abaixo transcrevo o bilhete de minha filha, que está inserido no contexto do
livro “Somos Seis” da Editora GEEM.
“Temos aqui uma companheirinha que nos recomenda transmitir muito carinho
e saudade ao papai, nosso irmão Pedro Biondi. É a nossa Flavinha cuja solicitação
devo satisfazer, embora sejam muitos os nossos amigos daqui desejosos de se
fazerem notados” Fizemos mais viagens e com a graça de
Deus, em 19.09.1975, Flavinha trouxe-me sua mensagem.
Estava conversando com alguns amigos, quando Chico voltava
do receituário para a continuidade dos trabalhos. Naquele momento, meu coração
calçado na esperança e choroso na saudade, revigorava-se e forçava-me nas
preces rogar a Deus a mensagem de minha filha.
Margarida, nos seus afazeres do lar, não pode
acompanhar-me. Viajei com o Sr. José Gonçalves. Todos os que acompanham o
trabalho maravilhoso da Casa Transitória de São Paulo, sabem de quem falamos.
Dando continuidade às tarefas, Chico psicografava. Quando
acabou, o Sr. Weker Batista, que acompanha os trabalhos com Chico, chamou-me
para que ouvisse a mensagem. Nesse momento, corria em minhas faces as lagrimas
de um pai, que exteriorizava todo o carinho contido no coração inundado de
saudade.
Lembrava-me de Margarida. Imaginava a sua felicidade
quando lhe chegassem aquelas notas sonoras que vinha aos meus ouvidos como
hinos de amor e paz.
Estava perplexo. Flavinha discorria na apresentação de
cada familiar, como se estivessem ali, desfilando em passarela. Eram seus avós,
suas irmãs, minha mãe que desencarnara em 1950 e amigos outros.
Não sabia como agradecer ao Chico. Abraçava-o num
transporte de jubilo imenso. Em vista disso, Margarida fortaleceu-se ainda
mais, e eu, por minha vez, compreendi: ”Minha
filha está conosco e com mamãe que a amparou no seu desencarne”. Hoje, a certeza faz-me levar conforto a outros irmãos que
sofrem o que já sofremos.
Sentimos saudade, é lógico. Lembramos os momentos felizes
passados juntos e sua imagem está gravada em nossos corações.
Mas acima de tudo, agradecemos a Deus pela dádiva que nos
concedeu pelas mãos de Francisco Cândido Xavier.
Esse homem, podemos dizer assim, pois hoje o conhecemos e
sabemos de sua modéstia, do seu amor e sua humildade, nos orienta, trouxe para
os nossos dias o entendimento que nos alerta, nos clareia a visão para a vida
futura.
É Francisco Cândido Xavier, que num programa de Televisão,
há algum tempo atrás, cativou, emocionou e deu nova roupagem ao conteúdo às
vezes depauperado pela nossa ignorância nos assuntos de Deus.
É a esse médium, que devemos reverenciar neste ano de
1977, com o calor do nosso carinho. Nestas paginas, certamente, você leitor
amigo estará tirando suas conclusões com o livre arbítrio que nos foi legado
por Deus, de que, quem amou seu semelhante, que trabalhou para seu semelhante e
que exemplificou para seu semelhante, nestes 50 anos merece ou não nosso
carinho e amizade.
Livro Amor e Luz
Psicografia Chico Xavier/Pedro
Biondi
Francisco Rebouças