Emmanuel
Apreciando o
problema daqueles que guardam no mundo as diretivas da experiência, não te
fixes nos companheiros que trazem consigo a cruz do ouro e do poder.
Recordemos a
esquecida autoridade que o Conhecimento Superior determina seja exercida por
nós em nós mesmos.
Quase sempre,
ensinamos a arte do pensamento nobre, receitando exercícios e regras aos amigos
que nos perlustram a senda, guardando o próprio cérebro à feição de barco
desgovernado, em cujas brechas ocultas penetram as sugestões da ignorância e da
sombra.
Indicamos aos
outros recursos providências para que se mantenham indenes de todo mal, através
da pureza dos olhos e dos ouvidos, Empenhando as
próprias percepções à triste aventura da leviandade e do desacerto que acaba
sempre em crítica indébita ou na azedia destruidora.
Estruturamos
planos para a boa palavra naqueles que nos cercam, sem refreiarmos o próprio
verbo no galope insensato da crueldade, indicamos a fé e esperança para o ânimo
alheio, a perder-nos no charco da negação e do derrotismo, exaltamos para
ouvintes confiantes a excelência das horas, no capítulo do trabalho e
realização, mergulhando as mãos no visco da inércia e pregamos a excelsitude da
caridade para os amigos que nos rodeiam, a desfazer-nos em egoísmo e exigência.
Autoridade!...
Autoridade!...
Dela abusaram
todos os tiranos que fizeram da própria soberbia escuro resvaladouro para as
trevas da criminalidade e da morte, e, dela, ainda hoje, nos valemos todos para
acobertar as próprias fraquezas, sobrecarregando os ombros do próximo com
fardos que somos incapazes de suportar.
Lembremo-nos,
porém, de Jesus, no sublime governo da própria lama, passando entre os homens
como a suprema revelação da Divina Luz, e, entesouraremos suficiente humildade
para entregar a Deus todos os patrimônios que nos enriquecem a vida, aprendendo
a disciplinar-nos para refletir-Lhe a Grandeza na condição abençoada de Filhos
do Seu Amor.
Livro: Refúgio
Chico Xavier/Emmanuel
Francisco Rebouças