Um grupo de jovens formado
por: César Cunha dos Santos, Emanuel Bragança Veloso, Guilherme Azevedo do
Valle, Frank Dutt-Ross e José Carlos Alves de Freitas visitaram, no dia
11.03;1979, a cidade de Uberaba, em Minas Gerais, conseguindo entrevistar o médium
Francisco Cândido Xavier, num bate-papo descontraído e informal, fazendo-lhe perguntas
que tornam esta reportagem de grande importância, não só para o nosso tablóide,
mas, também, para toda pessoa que procura vivenciar e aprender o Espiritismo, desde
que as perguntas, sendo de uma atualidade notória, como não podia deixar de
ser, trouxeram respostas edificantes e esclarecedoras. O grupo entrevistador
faz parte da Juventude Espírita Abel Gomes, do Grupo Espírita André Luiz, aqui
do Rio de Janeiro.
35 - MEDIUNIDADE
SEM MEDO
P
- Chico, você alguma vez sentiu medo de ser médium? O que você acha do médium que
tem medo?
R - Não posso julgar os
companheiros que sintam receio da mediunidade, porque a minha mediunidade
realmente começou muito cedo, eu não tive oportunidade de sentir medo, isso
para mim começou em criança em minha vida, e passou a fazer parte de minha
existência atual.
36 - CRISE
MUNDIAL
P
- Chico você vê o desequilíbrio da Terra em termos políticos e sociais? E do
Brasil?
R - Eu penso com aquela
assertiva do nosso André Luiz, que é um mentor que nós todos respeitamos, se
cada um de nós consertar de dentro o que está desajustado, tudo por fora estará
certo.
37 - ANO INTERNACIONAL DA CRIANÇA
P
- Nós estamos no ANO INTERNACIONAL DA CRIANÇA, ANO I DA CRIANÇA BRASILEIRA, qual
o seu recado para todas as pessoas que lidam com Evangelização nos Centros Espíritas,
orfanatos e outras instituições?
R - Nós acreditamos que
essa legenda é um convite mais acentuado a nós todos, que estamos no planeta
terrestre, para que abramos os olhos para compreender a condição do Espírito
que reinicia ou que inicia os seus passos na viagem da existência planetária.
Creio que nós deveríamos,
com essa legenda: ANO INTERNACIONAL DA CRIANÇA, acordar o coração para o dever
que nos cabe junto aos nossos pequeninos, isso especialmente quanto às nossas
irmãs, as mulheres (digo isso com muito respeito) que a elas foi confiada a
chave da vida, da maternidade tão sublimada quanto possível, não do ponto de
vista de santificação compulsória, mas, de compromisso atendido, de respeito quanto
aos deveres assumidos. Eu acho que isso poderia colocar o nosso tempo novamente
em órbita. Imaginemos, por exemplo, determinada mãe muito jovem, com possibilidade
de criar seu filho com a robustez necessária, que peça os serviços de uma ama
para acalentar e nutrir a criança, subtraindo-se à presença da criança e
fugindo ao diálogo com a criança.
Não estamos julgando
ninguém, mas, creio que todos nós, aqueles que nascemos de mães extremamente
pobres no mundo material, tivemos o suficiente amor para crescer bendizendo o
nome de Deus, e para não perdermos, pelo menos, o nosso sentido de fé numa vida
melhor, embora estejamos carregando, como sempre, muitas imperfeições; então,
as nossas irmãs de hoje enriquecidas pela civilização, pelos patrimônios
materiais que estão assinalando nossa vida em toda parte, que elas pudessem
também fazer isso.
Sem a idéia de querer
desprestigiá-las, eu acho que nós temos grande vantagem, em nos ajustando ao
espírito de proteção à criança de que nós todos estamos necessitados, para não
perdermos o futuro melhor, porque Deus determina e cria, mas o homem e a mulher
são colaboradores de Deus.
38 - VISITA À
PENITENCIÁRIA
Continuando a entrevista,
o médium Francisco narrou fatos interessantes ocorridos durante uma visita que
fez à Penitenciária de São Paulo.
No momento, comentava-se
sobre o livro Falou e Disse, sua linguagem, colocação de recados etc..., e com
aquele seu modo simples de falar, sua humildade para colocar fatos e situações,
ele começou:
- Sabe que na
Penitenciária de São Paulo, o livro está entrando muito? Já fui lá duas vezes,
antes de ficar doente. A Diretoria da Casa pediu àqueles que quisessem ouvir a prece
e a palestra, se inscrevessem - 542 se inscreveram. Eu estive com esses 542 companheiros.
Foi um encontro tão agradável que tive vontade de passar férias na cadeia..Não
para ficar descansando, mas pra conversar toda noite com os que pudessem conversar,
mesmo na cela - porque lá têm espíritos brilhantes, maravilhosos.
P
- Na cela, há espíritos maravilhosos?
R- Ali dentro da
Penitenciária.
P
- Na condição de preso, né?
R - De presos. Desses 542,
um me disse:
- “Pois é, Chico Xavier,
nós somos tratados por números. Muitos são os presos e os cárceres, então têm
que colocar número, n.o 3, n.o 14, isso dá muito desgosto.” Então eu disse
assim: - Meu filho, quem é de nós hoje que não é tratado por número? É número
de telefone, de carro, de casa, do CEP, não sei de que, do CIC, nós ainda estamos
com mais números que você. Só que agora estamos na cela ambulante e vocês estão
na fixa. Eles riram muito.
Há muita gente boa presa,
nós temos que compreender a situação deles...
39 - CARINHO AOS
REEDUCANDOS
P
- Chico, os espíritos brilhantes que estão lá dentro, têm a tarefa de ajudar a
recuperar os outros que estão nessa situação, é por isso que estão lá dentro?
Ou cometeram e estragaram a reencarnação?
R - Absolutamente, e a
gente tem que compreender a situação deles, porque eles todos estão com o
coração na flor dos olhos, mas, pedindo entendimento.
Terminada a reunião, na
hora de sair da sala, eu disse ao Diretor: Eu quero sair daqui, mas, antes eu
quero beijar e abraçar a todos. Ele falou para mim: - “Deus me livre. Não, senhor.
Você não vai abraçar, nem beijar ninguém.” Então eu disse a ele: - Não senhor doutor,
eu não viria aqui fazer prece, para depois me distanciar dos nossos irmãos. Não
está certo. Haverá tempo, o senhor disse que só precisará do salão daqui a uma
hora e tanto....sendo assim...eu lhe peço licença para abraçar. - “Chico, nesse
salão, no outro dia, mataram um guarda de 23 anos. Afiaram a colher até virar
punhal. Mataram e não se soube quem matou. Aqui tem criminosos com sentenças de
200 a 300 anos, eles podem te matar...”
-
Pouco importa, vim aqui para o encontro e o senhor não me permite abraçar?
- “Então você vai fazer o
seguinte: você vai abraçar através da mesa. - (Deus me livre).
- Tem que recuar esse povo
que veio com você (umas 40 pessoas). Ficam só duas senhoras tomando note porque
seus encontros serão rápidos e nós vamos colocar 18 baionetas armadas em cima.
Se houver qualquer coisa você morre também.” Eu fiquei na frente e comecei a
abraçar os 542. Eu abraçava e beijava; muitos que falavam comigo, um
segredinho, podia falar assim...meio minuto. Dos 542, só um, de uns 40 anos, chegou
perto de mim e ficou impassível como uma estátua. O Diretor estava ali perto de
mim e eu pedi às duas senhoras que dessem a cada um, uma rosa; quando aquele chegou
e ficou parado eu disse a ele: - O senhor permite que eu o abrace? - “Perfeitamente”,
respondeu-me. Então eu o abracei, mas ele estava ereto.
- O senhor deixa que eu o
beije? - “Pode beijar.” Eu beijei de uma lado, de outro, beijei quatro vezes,
aí duas lágrimas rolaram dos olhos dele. Então ele disse: -“Muito obrigado.” E
foi embora. Foi o único que ficou ereto, mas chorou...Mas todos receberam o
abraço.
40 - ASSISTÊNCIA
AOS DOENTES MENTAIS E ÀS CRIANÇAS
P - Eu quero aproveitar a
oportunidade, embora, fugindo um pouco ao assunto de até agora abordado. Está
havendo um movimento no Brasil entre pessoas ligadas à área de saúde mental,
isto é, a Hospitais Psiquiátricos Espíritas, pessoas espíritas, Psicólogos, Enfermeiros,
Assistentes Sociais e que, de repente, estão sentindo a necessidade de se unirem
através de uma Associação, para olharem com mais cuidado para essa área de saúde
mental, onde a Doutrina Espírita nos traz tantas informações importantes, mas, precisam
ser adequadas à ciência - (A parte do Chico - “dosadas na transmissão...”) inclusive
para atender de uma forma técnica, a fim de ser reconhecida pela ciência
oficial e se possa penetrar em outros locais além dos Hospitais Espíritas, o
que, muitas vezes, não conseguem. Gostaríamos de saber ser você tem alguma
coisa a dizer para eles, alguma colaboração, pois conseguiram, reunir em
janeiro, em Goiânia, a 1ª Associação Brasileira Espírita de Profissionais de
Saúde Mental.
R - Acho que é um
empreendimento dos melhores, porque eu creio que por muito generosas que sejam
as nossas leis, elas não podem substituir a cooperação espontânea, do
sentimento humano de confraternização. Essa legenda Espírita, rotula a
Sociedade, e dá a ela um caráter essencial espírita, mas vamos esperar que
outras entidades surjam com a amplitude possível, sem qualquer limitação, para
que as pessoas de boa vontade possam dialogar com os nossos irmãos doentes ou
semi-doentes, ou ainda ameaçados por desequilíbrio mental. Diálogos estes, que
são praticados em nossas Reuniões Espíritas, porque as chamadas tarefas de
Evangelização não são senão outra coisa senão diálogos na base de uma
Espiritualidade Superior, buscando a criatura para um conhecimento mais elevado
e para a responsabilidade de viver. Se nós pudéssemos fazer isso dentro do
respeito às leis estabelecidas e sem qualquer caráter de críticas às entidades
médicas ou às instruções de psicologia, e mais nitidamente materialista, sem qualquer
idéia de desprestigiá-las, e com a devida humildade cristã para cooperarmos em
nome da fé, com essas autoridades, em benefício de nossos irmãos doentes, isso será
um empreendimento maravilhoso. Ainda há poucos dias numa palestra, disse o nosso
Emmanuel: “Nós exigimos demais das nossas autoridades e as autoridades estão prontas
para nos auxiliar. Elas administram as verbas do Estado, com o máximo escrúpulo
e o maior carinho. Não podemos duvidar da honestidade dos homens que nos governam,
conquanto as críticas que se façam a eles. Vamos pensar que o Ministro da Saúde,
poderá, sem dúvida, oferecer as melhores perspectivas de assistência, mas, ele não
pode vir à nossa casa nos ensinar como tomar um purgante; isso é função nossa.”
O Estado de Santa Catarina, há pouco tempo, numa consulta do Governo Central da
República, aos Estados, sem a solução do problema de assistência ao menor (isso
devia ser recordado, agora, no ano Internacional da Criança), muitos Estados
responderam com argumentos, propondo determinadas vantagens nas verbas
públicas, mas, eu admirei imensamente a responsabilidade do Estado de Santa
Catarina que disse assim: “O problema da criança, no Estado de Santa Catarina,
é assunto da Comunidade”. Não pediu nada, achou que a Comunidade devia ter
bastante amor para dar.
41 - O JOVEM
DIANTE DO SEXO
P
- Chico, no nosso último Estudo Doutrinário surgiu uma grande dúvida sobre a
conduta que o jovem espírita deve ter sobre o sexo.
R - Eu creio que um
compromisso sexual deve ser profundamente respeitado. Uma terceira pessoa em
qualquer compromisso sexual é uma dificuldade a superar, porque, nós não
podemos esquecer que a lesão sentimental é talvez mais importante de que uma lesão
física, e, alguém que prometer amor à alguém deve se desincumbir desse compromisso
com grandeza de pensamento e sem qualquer insegurança. Não compreendo a
promiscuidade, mas a luta para que haja perfeitamente o relacionamento de alma
para alma, com o respeito que devemos uns aos outros.
42 - VÍCIOS EM
ESTUDO
P
- Chico, apenas umas palavras sobre o vício.
R - Eu não entendo o vício
como um problema de criminalidade, mas como um problema de desequilíbrio nosso,
diante das leis da vida, isso não apenas no terreno em que o vício é mais
claramente examinado. Por exemplo: se eu falo demasiadamente, eu estou viciado
no verbalismo excessivo e infrutífero; se bebo café em demasia eu estou destruindo
também as possibilidades de meu corpo me servir um tanto mais.
Quando falamos na palavra
vício, habitualmente nos recordamos logo do sexo, sendo que do sexo herdamos a
bênção do pai, da mãe, da família, do lar; entretanto, quando falamos em vício,
lembramos logo de sexo e tóxico, quando o tóxico é outro problema para nossos
irmãos que se enfraqueceram diante da vida, que procuraram uma fuga; não são
criminosos, são criaturas carentes de mais proteção, mais amor, porque se nossos
companheiros enveredaram pela estrada do tóxico, eles procuraram esquecer algo,
esse algo é: eles mesmos; eles não puderam suportar a carga deles próprios. E então
precisamos reformular as nossas concepções sobre vícios. Há algum tempo perguntamos
ao Espírito de Emmanuel, como ele definiria um criminoso, ele disse assim:
- “O criminoso é sempre um
doente, mas, se ele é culpado ele só deve receber esse nome depois de examinado
por três médicos e três juízes”.
43 - ATUALIDADE
DE ALLAN KARDEC
P
- Você poderia nos falar alguma coisa sobre onde é maior a aceitação do Livro
Espírita?
R - Eu teria dificuldade
em localizar, porque vejo, em todas as parcelas da comunidade humana, criaturas
que estão se interessando cada vez mais pelas realidades do Espiritismo,
principalmente pelo que o Espiritismo traz de Evangelho no seu conteúdo, em
reconforto, esperança de vida e de amor pela criatura humana, mas, não podemos esquecer
- de todas as livrarias eminentemente espíritas ou exclusivamente espíritas. O Evangelho
Segundo o Espiritismo e O Livro dos Espíritos tem uma saída superior a todos os
livros - o que quer dizer que Allan Kardec está plenamente atualizado. Eu ainda
não vi autor nenhum barrar esses dois livros de Kardec. São “best-seller” autênticos,
pois já venceram mais de um século, porque não é só O Evangelho para o coração,
é também O Livro dos Espíritos para o raciocínio, fazendo uma média gigantesca.
* Transcrita do jornal O
Espírita Fluminense, Rua dos Inválidos, 182, Rio de Janeiro, RJ, edições de
maio/junho; julho/outubro e novembro/dezembro de 1979.
Livro “Entender
Conversando” Psicografia: Franciso C. Xavier Autor Espiritual:
Emmanuel
“CHICO XAVIER, QUEM É
VOCÊ?”
44 -
AUTOBIOGRAFIA
P
- Chico Xavier, ao final deste Programa, que teve a pretensão de mostrar, se
não toda, pelo menos parte de sua vida, nós lhe perguntamos: Chico Xavier, quem
é você?
R - Meu caro Tharsis,
embora avesso às informações autobiográficas, não posso deixar de me estender
um tanto na resposta à questão que a sua bondade suscita.
Antes de tudo rogo as suas
desculpas de companheiro uberabense, de distinto jornalista do nosso campo
cultural, se vier a parecer pretensioso ou prolixo, o que realmente não desejo.
A pergunta que você me
dirige não deixa de ser um tanto estranha, porque sendo eu um cidadão como
qualquer outro, pertenço ao gênero humano e não me consta seja de praxe que
esta ou aquela pessoa deva explicar quem venha a ser, desde que esteja sempre
circulando, qual me acontece, no relacionamento comum.
Mas, satisfazendo a sua
curiosidade simpática, devo esclarecer ao prezado amigo que sou uma pessoa como
tantas outras, com muitos erros na vida e alguns poucos acertos, sempre
alimentando o sincero desejo de cumprir minhas obrigações.
Não tenho qualquer
privilégio material ou espiritual. No setor da profissão, trabalhei anos numa
fábrica de tecidos, outros 4 anos num pequeno armazém, com setores anexos de
cozinha e horticultura; e outros 32 anos consecutivos no Ministério da Agricultura,
no qual me aposentei na condição de escriturário, somando ao todo 40 anos de
trabalho profissional.
Em mediunidade,
especialmente na psicografia, completei agora, em 8 de julho do corrente, meio
século de atividades ininterruptas.
Psicografei até agora 150
livros, em nos referindo aos livros já publicados, que entreguei, sem qualquer
remuneração, às Editoras Espíritas Cristãs, com o que reconheço estar cumprindo
simplesmente um dever.
Materialmente, tenho
atravessado longos períodos de moléstia física. Sou portador de luxação no olho
esquerdo desde muitos anos e, em verdade, tenho recebido muito auxílio dos
amigos espirituais nos tratamentos de saúde a que tenho me submetido, mas já passei
por cinco cirurgias de grande porte, sempre pelas mãos de médicos cirurgiões humanos
e amigos, submetendo-me a instruções médicas e a regimes hospitalares, como
sucede a qualquer doente comum. A mediunidade não me deu imunidades contra doenças
e tentações naturais na existência humana, porque ainda agora, numa ocorrência
muito natural a qualquer pessoa com 67 janeiros de idade física, sou portador de
um processo de angina, que me obriga a tratamento diário muito complexo.
Segundo você mesmo, caro
amigo, pode observar, sou uma pessoa demasiadamente comum, sem pretensões a
qualquer destaque, que nada fiz por merecer.
Devo esclarecer a você que
não tenho o privilégio de viver o tempo ao meu dispor, de vez que, como
acontece a qualquer pessoa que preza os compromissos, o relógio tem muita
importância em minha vida, conquanto me sinta muito feliz quando possa sustentar
essa ou aquela conversação com os amigos, o que para mim não é um prazer muito
acessível, em virtude das muitas tarefas a que estou vinculado.
Para clarear, tanto quanto
possível, a minha resposta à sua pergunta, esclareço que em matéria de estudos
tive apenas o curso primário, na cidade de Pedro Leopoldo, onde nasci. Mas,
naturalmente, ouvindo instruções e escrevendo instruções com o Espírito de Emmanuel
e outros Espíritos amigos, desde 1927, é impossível que a minha inteligência, mesmo
estreita quanto é, não obtivesse alguma evolução e algum aprimoramento em meio
século de trabalho espiritual incessante.
Esclareço ainda a você que
pertenço, morfologicamente, ao sexo masculino, e qual ocorre com as pessoas que
sentem e pensam muito sobre as próprias responsabilidades, psicologicamente
tenho os conflitos naturais, inerentes a essas mesmas pessoas, conflitos estes
que procuro asserenar, tanto quanto possível, com o apoio a religião, pois não
creio que possamos vencer as nossas tendências inferiores ou animalizantes sem
fé em Deus, sem a prática de uma religião que nos controle os impulsos e nos
eduque os sentimentos.
Passei por muitas lutas
espirituais, desde tenra idade, em matéria de faculdades mediúnicas. Mas, com a
Doutrina Espírita, em que Allan Kardec explica os ensinamentos de Jesus, há
precisamente meio século, encontrei nas tarefas espíritas o equilíbrio possível,
de que eu necessitava, para viver e conviver com os meus irmãos em humanidade e
para trabalhar como qualquer cidadão que deseja ser útil à sua família e ao seu
grupo social.
Informo ainda a você que o
trabalho mediúnico foi sempre muito intenso em minha vida, e que continuo
solteiro, sentindo-me feliz nessa condição.
Aproveito ainda o ensejo
para dizer ao bom amigo que sou muito grato aos companheiros e autoridades que
se referem, com tanta generosidade e carinho, ao meio século de serviço
mediúnico que completei agora, mas esclareço a você, meu caro Tharsis, que se
algum apontamento elogioso aparece aqui e ali, esse apontamento pertence ao
Espírito de Emmanuel, e a outros Benfeitores Espirituais que se comunicam por
meu intermédio, em minha condição simples de medianeiro espírita, e que de mim mesmo
não passo de um médium muito falho em tudo, precisando sempre das preces e das
vibrações de apoio das pessoas amigas, espíritas ou não espíritas, que possam
fazer a caridade de orar em meu favor, para que eu possa cumprir o meu dever.
A você, meu caro amigo
Tharsis, muito obrigado.
*Entrevista concedida ao
jornalista e radialista Tharsis Bastos de Barros, para um Programa comemorativo
dos 50 anos de atividades mediúnicas ininterruptas de Francisco C. Xavier,
intitulado: “Especial com Chico Xavier”, e levado ao ar pela Rádio Sete
Colinas, de Uberaba, MG, em fins de julho de 1977. A gravação, em fita, desta
entrevista, chegou-nos às mãos pela gentileza da mãe do entrevistador, Sra.
Wilma Sônia Yenne Bastos, residente em Uberaba.
Livro:
Entender Conversando
Chico
Xavier/Emmanuel
Francisco Rebouças