Solidarity Spiritist Societ

quarta-feira, 10 de agosto de 2011

Entrevistas

O FRANCISCO REBOUÇAS - ESPIRITISTA, APRESENTA A ENTREVISTA QUE NOS FOI CONCEDIDA POR LUIS ANJOS, DEDICADO TRABALHADOR DA SEARA ESPÍRITA EM SYDNEY, AUSTRÁLIA.
Para iniciar, gostaríamos de agradecer ao amigo LUIS ANJOS, pela gentileza em nos atender para esta entrevista.
Luis Anjos
Entrevista:
FR: FR: Meu caro amigo, como você nos definiria Luis Anjos?

R: Definiria o Luis Anjos como uma pessoa normal, simples, que encontrou através da Doutrina Espírita o conhecimento como ser imortal e a oportunidade de se aprimorar e trabalhar no seu melhoramento moral e espiritual.

FR: Caro Luis, como aconteceu o seu encontro com a doutrina espírita?

R: O primeiro encontro foi um encontro muito breve em um centro espírita em Setubal - Portugal cerca de uns 30 anos atrás derivado ao reaparecimento da faculdade mediúnica de minha esposa que na altura por falta de conhecimento relacionavamos como um problema mais de caracter nervoso. Com a ajuda de uma amiga trabalhadora desse centro fomos esclarecidos e ajudados.

No entanto a iniciação e o envolvimento propriamente dito com a Doutrina Espiríta foi aqui em Sydney à pouco mais de oito anos. Tudo começou quando não dava mais para ignorar a faculdade mediúnica dela e a necessidade de esclarecimento para a respectiva educação da faculdade. Começamos a frequentar um centro espírita e desde essa altura não mais deixamos de nos envolvermos com os estudos da Doutrina.

FR: Qual a casa espírita que você frequenta hoje?

R: Não podemos dizer que frequento uma casa espírita mas sim um grupo de estudos da Doutrina Espírita Kardecista, como o nome indica Allan Kardec Spiritist Group of Sydney – Austrália.

FR: Fale-nos da fundação da Instituição, como surgiu, seus fundadores...?

R: O Allan Kardec Spriritist Group foi fundado a 4 de Novembro de 2007 e foi registrado como organização oficial perante as leis Australianas a 14 de Novembro de 2008.

O surgimento do grupo foi derivado à necessidade de dar continuidade aos estudos da Doutrina e da prática mediunica dentro de uma base mais concistente com a Codificação do Espiritismo sendo os seus oito fundadores oriundos de outra instituição existente em Sydney.

O grupo iniciou os trabalhos de estudo duas vezes por semana numa garagem de um dos participantes do grupo.

Nos ultimos três anos está funcionando duas vezes por semana num salão comunitário alugado.

FR: Quais as atividades desenvolvidas por essa nobre instituição espírita?

R: O Allan Kardec de Sydney oferece neste momento ao público interessado e participantes, assistência evangelica, doutrinária e espiritual, estudos das obras básicas do Espiritismo, atendimento fraterno, terapia do passe e vibrações através do grupo mediúnico. O grupo também tem estudo e prática da mediunidade que não é aberto ao público..

O grupo está concentrando esforços nos estudos, espirituais e mediúnicos com o intuito de criar bases mais sólidas de crescimento para o futuro.

FR: Como e porque aconteceu sua ida para a Sydney?

R: A vinda para a Sydney foi derivado ao desejo de proporcionar um futuro estável à família e sobre tudo pensando num futuro com mais oportunidades de realização para os filhos que infelizmente nessa altura Portugal não dava provas de proporcioanar a curto ou a long prazo, e, como já tinhamos uma pessoa de familia em Sydney, a decisão foi mais fácil de ser feita. Damos graças ao Alto pela oportunidade e da abençoada ajuda dada nestes 26 anos de Austrália.

FR: Quais funções você já exerceu e quais exerce na atualidade no movimento espírita em Sydney?

R: A minha jornada como espírita na Austrália começou como frequentador do Centro Espírita “Seed of Light” onde iniciei a introdução à Doutrina e aos estudos, participando uma vez por semana.

Quando tive conhecimento da existência de outra casa espírita mais próxima da nossa residência, começamos a participar duas vezes por semana sendo mais tarde convidado para fazer parte da direção e exercer as funções de vice-presidente da casa, cargo que exerci aproximadamente por dois anos. Foi nesse período que tive o imenso prazer de conhecer pessoalmente Divaldo P. Franco e Tio Nilson.

No atual grupo exerci o cargo de presidente por três anos e de vice por um ano. Exerço neste momento o cargo de presidente e o de vice-presidente é exercido pela Ana Lydon (Ana Baiana).

FR: Como está o movimento espírita na Austrália como um todo?

R: O movimento espiríta na Austrália começou em Sydney mais ou menos há uns vinte anos com um pequeno grupo de Brasileiros (Seed of Light) numa garagem e a partir daí foi crescendo lentamente com muita dificuldade assim o dizem os iniciadores dessa caminhada. Lentamente foi aparecendo outros grupos e nos últimos cinco anos o movimento espiríta na Austrália cresceu significativamente em todos os estados. Neste momento o movimento conta com a existência de nove instituições implantadas nas seguintes cidades Australianas:
Sydney = 4
Brisbane = 2
Adelaide = 1
Melbourne = 1
Canberra = 1

Também conta com estudantes do Evangelho à distância através da internete em Perth e outras localiades onde não existe ainda centro espírita, uma atividade desenvolvida pelo “Paul & Stephen Espiritist Centre” de Melbourne.

FR: Em quais estados australianos o espiritismo está sendo bem divulgado e com boa aceitação?

R: É difícil responder a esta questão pois acredito que todas as instituições estão fazendo o seu melhor dentro das suas possibilidades trabalhando na divulgação da Doutrina nos seus estados. Derivado à existência de um maior número de brasileiros e de portugueses em Sydney é natural que o espiritismo tenha maior expressão neste estado. No entanto sabemos que certas instituições já começaram a fazer uma encontro anual a nível nacional para discução e troca de experiências, o que acredito que vai beneficiar e dinamizar mais a divulgação do espiritismo neste pais.

FR: Você saberia nos informar quantos grupos espíritas compõem o movimento espírita da Austrália?

R: Neste momento são nove e espalhados por cinco estados de que temos conhecimento como menciono numa das questões acima. Fizemos o ano passado um diagrama dos grupos existentes na Austrália e Nova Zelândia com os detalhes e contatos. Acreditamos que outros grupos irão surgir em estados onde ainda não existe o Espiritismo derivado a recebermos contatos de outras partes da Austrália pedindo informações.

FR: Qual a maior dificuldade que você observa para difundir o espiritismo por aí?

R: Uma das maiores dificuldades é a aquisição de material de estudo e de livros na língua inglesa, falta de apoio direto das instituições diretivas sediadas no Brasil. A dificuldade financeira dos grupos para organizar mais eventos.

Mesmo assim apesar das dificuldades o movimento espiríta na Austrália com iniciativas e organização individuais de centros espirítas já recebeu a visita de Divaldo Franco, Dr. Sergio Thiesen, Dr. Ricardo Di Bernardi e Richard Simonnetti, para palestras e reuniões de esclarecimento. É bom frisar que estes palestrantes mensionados vieram por conta própria.

No lado espiritual e doutrinário há ainda a falta de preparação de dirigentes e trabalhadores com base sólida de estudo e conhecimento da Doutrina com empenho de difundir o Espiritismo acima dos interesses do seu Centro ou Grupo.

FR: Existem muitas divergências em termos de interpretação da mensagem espírita, em sua opinião porque isso ocorre se os ensinamentos espíritas são tão claros?

R: A falta de estudo das obras básicas e complementares da Doutrina, a influência de tendências religiosas passadas que ainda habitam dentro de nós, são duas delas na minha opinião.

FR: O australiano está aceitando bem os postulados de nossa doutrina, ou o movimento espírita na Austrália ainda é constituído quase que exclusivamente por brasileiros aí residentes?

R: Infelizmente ainda não se conseguiu de forma eficaz de se implantar o Espiritismo e penetrar no povo Australiano, apesar de já haver focos de interesse e participação mas a participação ainda é mínima.

No entanto o movimento espiritualista está crescendo. O australiano está aceitando muito bem o espiritualismo havendo dois certames por ano em Sydney que atrai milhares de pessoas. Allan Kardec disse que antes de o fazeres espiríta fá-lo primeiro espiritualista e quem sabe se não é já o despertar?

A maioria dos participantes e seguidores da Doutrina Espírita na Austrália é sem dúvida constituido por residentes e estudantes brasileiros. Portugueses e espânicos são em número mais pequeno dos partecipantes.

A aposta para o futuro da Doutrina na Austrália está na geração nascida aqui de pais espíritas.

FR: Porque nos dias de hoje, 2011 anos após Jesus nos trazer suas mensagens de amor e respeito ao próximo, o ser humano ainda não pratica seus ensinamentos?

R: O egoísmo e a luta insessante para ter em vez de ser. Impregnados na luta pela posse, nós esquecemos que somos na realidade seres que transitamos por aqui para evoluir na vertical e não na horizontal. Crescendo na horizontal não compreendemos a mensagem deixada por Jesus de ascenção vertical ao Alto.

Ele mostrou o caminho mas a sua mensagem foi corrompida ao longo dos séculos pelo orgulho, pela avareza, pelo control e poder religioso, mas acredito que a mudança se está fazendo.

FR: O que você diria a quem lhe pedisse orientação de obras para iniciar no conhecimento do espiritismo?

R: Para iniciar ou para entender o que é o Espiritísmo eu diria o livro “O Que é o Espiritismo”, depois para estudo, as obras básicas da Codificação começando pelo “O Livro dos Espiritos” e de preferência em conjunto com o “Evangelho Segundo o Espiritismo”, seguido dos restantes na sequência de publicação por Allan Kardec.

FR: O aborto continua sendo um dos assuntos mais discutidos no meio espírita brasileiro no momento, de que maneira nós espíritas podemos contribuir para evitar esse crime?

R: Não sou muito conhecedor do que se passa ou das discussões no movimento espírita brasileiro relativamente a este assunto, mas de uma maneira geral, o movimento espírita pode e deve ter uma colaboração ativa de esclarecimento, divulgando o processo reencarnatório dos seres e esclarecer a lei de causa e efeito.

A divulgação das consequências do ato abortivo não deve ser feita de forma castradora e punitiva mas esclarecida e inteligente para que a mensagem “ABORTO NUNCA” seja compreendida hoje e ainda melhor no futuro.

Temos também que ter em consideração que existe quem recorreu ao aborto por falta de esclarecimento, equívoco ou por outras variadas razões, o que torna o assunto muito delicado e por isso requer muito cuidado.

Esclarecer hoje, educar para o futuro e amparando o passado.

FR: Como o australiano lida com a questão do aborto?

R: O aborto na Austrália é legalizado e praticado em hospitais e clinicas com pessoal especializado. Como o processo é legalizado o governo subsidía através do seu sistema de saúde, tornando o aborto acessível. Não se consta de casos de abortos ilegais nem casos de morte de grávidas durante o processo abortivo.

A questão do aborto é muito pouco falada o que denota uma certa aceitação da maioria da população. Para os políticos é um assunto que se evita falar por conveniência. Dizem que a legalização do aborto é benéfica para a proteção da saúde da mulher. Em certa medida nós aceitamos, nos casos de extrema necessidade como o é abordado no livro dos espíritos.

Aqui como em quase toda a parte do Mundo, a iniciação sexual começa muito cedo para os jovens e como existem certas condições de vida e monetárias, fazem com que os contraceptivos e outros meios de prevenção de gravidez seja de fácil aquisição, também os pais e as escolas exercem uma influência muito grande na educação sexual dos jovens, onde o assunto é falado abertamente como ensino e esclarecimento. No entanto o índice de gravidez terminadas por aborto, é de alguma forma elevado. Não existe estatíscas oficiais comprovativas divulgadas. Calcula-se em cerca de 75 mil casos por ano incluindo os abortos espontâneos e os clinicamente necessários por diversas razões que consta nos registros de subsídios de pagamento de assistência às gestantes que abortam (informação na internete). Número muito elevado para uma população de 22 milhões de habitantes.

O governo dá um subsídio muito bom de nascença aos pais por cada criança nascida, e, se a mãe for mãe solteira e com menos recursos financeiros, tem um subsídio bastante razoável por quinzena, assistência médica gratúita, desconto e benefícios em todos os serviços do governo. O serviço de saúde tem enfermeiras que fazem visítas periódicas ao domicílio para exemplificar e ajudar no trato do recém nascido. O apoio à criança e ás mães é muito grande por parte do governo australiano mas mesmo assim o aborto também aqui existe.

FR: Luis, qual é em sua visão a importância da Evangelização na Casa Espírita?

R: É de vital importância a Evangelização Infantil que é a grande aposta do futuro da Doutrina Espírita na Austrália ou fora do Brasil, porque vão ser eles os epíritas do futuro, são eles que vão quebrar as barreiras que ainda existem relacionadas com a língua, cultura e de integração social.

FR: Já existe aí, esse trabalho de evangelização de crianças e jovens?

R: Infelizmente nosso grupo ainda não tem esse trabalho, mas temos conhecimento da existência de dois centros aqui em Sydney fazendo essa atividade com as crianças. Não me é possível dizer em outros estados se existe a evangelização infantil nos centros.

FR: Quais foram as maiores conquistas de sua dedicação ao movimento espírita?

R: A maior conquista foi a minha transformação como pessoa, conhecer-me como ser imortal e abrir a minha consciência para a espiritualidade.

A conquista do conhecimento da vida após a vida através do estudo da Doutrina e a grande oportunidade na participação nas atividades mediúnicas onde os irmãos desencarnados que pelos seus concelhos, pelos seus dramas, nos ensinam lições de incalculáveis valores de conhecimento fazendo um grande ato de caridade para conosco.

FR: Quais são os desafios mais imediatos a serem realizados?

R: A nível pessoal, a continuação do trabalho de aprefeiçoamento interior e o estudo contínuo da Doutrina para criar uma base sólida de conhecimento.

A nível de grupo de estudos o desafio imediato é manter uma programação de estudo e de trabalho para que o grupo de estudos possa crescer em qualidade em concordância com a codificação aplicando a lei dos tres “Ps”: Paciência, Prática e Perseverança para alcançar os objectivos propostos.

FR: Quais são os seus projetos para o futuro?

R: Um dos projetos para um futuro próximo é criar condições no nosso grupo para iniciar atividades de estudo em inglês da Doutrina Espiríta com segurança para que a mensagem tenha um alcance maior, com o devido cuidado que a Doutrina Espirita exige.

Hoje fazemos estudos em inglês quando alguém da língua inglesa está presente mas é uma necessidade de que todas as atividades sejam feitas na lngua do país.

FR: Prezado Luis, há alguma coisa ou assunto, que você gostaria de abordar e que deixei de perguntar?

R: Penso que as perguntas foram muito bem elaboradas abragendo um vasto campo de interesse informativo que tentei responder dentro do conhecimento que está ao meu alcançe. Estarei sempre à disposição.

FR: Estaremos sempre à disposição para colaborar na divulgação do que for necessário em prol do crescimento da doutrina espírita em Terras Australianas, fique à vontade para nos contatar sempre que desejar.

R: Agradeçemos a sua amabilidade e rogamos à Grande Luz que continue iluminando o seu trabalho de divulgação da Doutrina que abraçamos.

Estaremos sempre ao seu dispor deste lado do mundo para o que for necessário.

FR: Para encerrar, gostaríamos que você deixasse registrada sua mensagem a toda família espírita brasileira, através do Francisco Rebouças - Espiritista.

R: Daqui deste lado do globo, gostaria de enviar as minhas cordiais saudações à grande família espírita no Brasil e dizer que essa família está crescendo pelo mundo à fora trabalhando na divulgação e propagação da Doutrina Espiríta para que a nossa família deixe de ser grande para ser Enorme.

Na Austrália as necessidades materias são mínimas mas existem necessidades espirituais e morais onde a Doutrina Espiríta pode ter papel preponderante de auxílio e esclarecimento transmitindo a palavra do Cristo e dos espirítos sem dogmas através da codificação kardequiana.

Estamos semeando para o futuro com amor e dedicação para que o Espirítismo seja uma realidade nesta terra e para isso aqui faço o meu apelo, para que incluam nas vossas orações e vibrações, todos os irmãos e irmãs do ideal espírita no exterior do Brasil, para que a força e a coragem não falte na realiazação do trabalho da divulgação da nossa Doutrina do Amor, da Paz e Fraternidade.

Saudações fraternas com muita Paz e Amor para todos.
Luis Anjos

FR: Em meu nome e de todos, agradeço ao querido amigo Luis Anjos, pela gentileza em nos atender para esta entrevista e ficamos a rogar a Jesus de Nazaré que o guarde em sua paz, hoje e sempre.

Francisco Rebouças