(ANTERO DE QUENTAL)
Quem sou eu? Quem sou eu? No abismo escuro
Do meu atribulado pensamento
Sinto ainda as áscuas do pavor violento
Em que andei como nau sem palinuro!
E... ouço uma voz: “Tu és verme obscuro
Vitimado no grande desalento,
Que procurou a mágoa e o sofrimento
Sem caridade, o amor sagrado e puro”.
Ó promessas do “nada” inexistente!...
A morte abriu-me as portas do presente
Amargo e interminável pela dor;
Infeliz do meu ser fraco e abatido,
Pois o anseio de nada, paz e olvido,
Foi apenas um sonho enganador!
Livro: Lira Imortal
Chico Xavier/Espíritos Diversos
Francisco Rebouças