Solidarity Spiritist Societ

terça-feira, 7 de setembro de 2010

Ciladas


No acendrado labor pela integração definitiva no espírito do Cristianismo, não descures a vigilância que preserva a paz e favorece o equilíbrio das atitudes.

Pululam estratagemas sutis quão perniciosos de fácil aceitação.

Se abraças a tarefa da exposição evangélica pelo verbo ou através da escrita, penetra-te da responsabilidade a respeito das lições explicadas e não cedas terreno à insensatez sob qualquer aspecto que se apresente.

Se exercitas o socorro mediúnico na tarefa curadora, mediante os passes ou orientações espiritistas, ou se abres o coração ao esclarecimento dos desencarnados em turbação, ou a perseguidores infelizes, vinculados por vinganças primitivas, não te concedas deslizes morais, nem aqueles que as convenções a pouco e pouco chancelam como comportamento social moderno.

Se acordas para a assistência aos necessitados do carreiro carnal, junto à  infância ao abandono, ou à velhice em desvalimento, ou a enfermos ao relento, ou à pobreza em desconserto, ou à rebeldia desenfreada, não te ensejes agitação, fmentando a malversação de quaisquer valores positivos.

Se ajudas nos misteres modestos, ignorados, ou tidos como humilhantes, realiza o melhor ao teu alcance, sem a presunção de galgar os postos de comando ou de preeminência, tão do agrado da vaidade, quanto simultaneamente perigosos.

Se doutrinas, doutrina-te primeiramente, atestando pêlos atos que o mais excelente ensino deriva do exemplo vivido no quotidiano.

Sobretudo não te favoreças devaneios, ilusões.

Cada um é o esforço que envida em prol do burilamento interior.

Nem jactância, nem desprezo.

Consciente de que estás servindo à Causa do Cristo, não concedas oportunidade ao elogio nem ao depreciamento.

A frieza de uns ameaçará o ardor do teu entusiasmo, assim como o arroubo de outros poderá colocar-te em desespero face ao que sustentas com sacrifício.

Nunca, porém, recebas as homenagens transitórias do mundo, em vinculação ao serviço de enobrecimento a que dás a vida.

O Senhor desprezou todas as honrarias terrenas, não desdenhando, porém, o flagício, o abandono dos amigos, a cruz de infâmia.

Aplaudido na entrada de Jerusalém - a fim de "que se cumprissem as profecias", avançou cabisbaixo sobre o dorso do burrico, emudecido, longe das honrarias do poviléu em exagero emocional.

Ultrajado na praça pública e vilmente condenado, manteve-se meditativo ante o mesmo poviléu vencido por hedionda obsessão generalizada, que assim compactuava com o nefando crime.

As ciladas, todavia, que reiteradas vezes foram colocadas no Seu caminho, venceu-as todas, pulcro, infenso à sordidez dos fatanazes das Trevas...

Acautela-te, a teu turno!

Como recebes suprimento de forças oriundas das Regiões Felizes para o teu êxito, também procedem de outras fontes investidas graves e malsinantes, a que estás exposto pelo passado delituoso que ora reparas.

Refugia-te, assim, na humildade legítima, outorgando para o teu espírito apenas deveres e deveres, pois o direito do cristão é servir sempre e mais como discípulo fiel do Trabalhador Incessante que ( tomou por modelo e guia.

Livro: Celeiro de Bênçãos
Divaldo Franco/Joanna de Ângelis

Francisco Rebouças