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sexta-feira, 23 de maio de 2008

Falando de Amizade

Recorrendo ao dicionário da língua portuguesa, para melhor compreender o verdadeiro sentido da palavra amizade, encontramos a seguinte definição:

Amizade:do Lat. *amicitate- s. f., afeição; amor; boas relações; laço cordial entre duas ou mais entidades; dedicação; benevolência.

Partindo das definições apresentada pelos estudiosos da nossa língua, perguntemo-nos intimamente: estarei fazendo uso adequadamente da palavra amizade em seu verdadeiro sentido para com aqueles a quem chamo de amigo?

Se chegarmos à conclusão que sim, continuemos cada vez mais a desenvolver em nós essa sublime virtude, se chegarmos à conclusão que não, voltemos imediatamente a atenção para essa nossa indiferença pelo próximo, e iniciemos o quanto antes a valorização desse sentimento tão nobre que é a amizade.

Comecemos por refletir: costumamos parar e ouvir com atenção os nossos amigos, ou somos daqueles que só nos aproximamos deles quando temos necessidades de desabafar com alguém capaz de nos ouvir as reclamações?

O verdadeiro amigo, é aquele que se interessa por saber como está o outro, que telefona para saber e dar as notícias boas, que se coloca à disposição do outro para qualquer necessidade deste, que vai até sua casa quando não consegue o contato com ele por telefone, que se coloca à disposição para ouvir o que o outro tem para desabafar, silenciando ou se pronunciando quando houver realmente necessidade, se não tem condições de ir até o amigo, convida-o para vir até seu encontro e o ajuda como puder, que muitas das vezes, sacrifica até mesmo seu lazer, seu descanso etc..., para ser útil ao seu semelhante, que busca interferir o menos possível nas decisões que só ao outro compete fazer, dando-lhe sua contribuição de esclarecimento se for inquirido sobre o assunto de maneira equilibrada e com bom-senso, que muitas das vezes nada diz mantendo apenas o silêncio com que expressa sua amizade embora não concorde com que o outro está dizendo, aguardando momento mais adequado para alertá-lo sobre sua posição impensada, evitando se apresentar como o dono da verdade, pois, ser amigo, é colocar-se no lugar do outro e fazer-lhe o que gostaria que o outro lhe fizesse em tal situação.

Amizade é valorizar os problemas do outro, e não achar que o nosso é o maior problema do mundo, é saber também que Deus nos confiou a ação de ajudarmos como nos for possível pelo bem estar do semelhante, e às vezes ao contribuirmos para a solução do problema do outro, encontramos saída ou até soluções para os nossos próprios problemas.

Nas casas espíritas, deparamos muito com um tipo de amizade, que em nada se parece com o sentido verdadeiro da palavra, convive-se com os irmãos em crença apenas nos dias e horários de atividades espíritas e logo que estas se encerram, todos se dirigem a seus afazeres, só se reencontrando na próxima reunião se um não faltar, saímos todos correndo, não encontramos tempo para notarmos muitas das vezes que alguém está necessitado de encontrar um ombro amigo, um ouvido paciente, ou até uma companhia naquele momento, que um outro está faltando a certo tempo, e que deveríamos procurá-lo e saber os motivos da ausência sem críticas ou especulações descabidas, pois ele por certo não é tão tolo que não note nossas verdadeiras intenções, e perceberemos que sua ausência em muitas das vezes é, por motivo grave de doença, da perda de familiar ou ente querido, por desespero em virtude do desemprego etc..., e que poderíamos lhes ser muito úteis levando nossa palavra de carinho de apoio de esperança em dias melhores, nosso incentivo nosso interesse sincero que a sua situação se resolva, o que lhe causaria grande alívio com toda certeza, pois somos todos passíveis de sentimentos emotivos do coração.

Em muitos casos ouvimos até comentários de que esse amigo que está faltando, é pessoa conhecedora da doutrina espírita, e que mais nada nos cabe dizer-lhe, e que se assim procede é por que quer fazer uso do direito de utilizar seu livre arbítrio da maneira que desejar, esquecendo-se esses irmãos que todos estamos em processo evolutivo e que ainda nos achamos muito distantes da perfeição e que por isso somos passíveis de tropeçarmos nos obstáculos do caminho, sem que por isso estejamos escolhendo conscientemente o caminho do mal.
É, necessário, que utilizemo-nos dos conhecimentos que a doutrina espírita nos fornece, para fazermos uso de maneira adequada do sentimento nobre da amizade, para que nos fazendo amigos dos outros, possamos por nossa vez granjear amizades verdadeiras em nossa longa estrada a caminho da angelitude, pois, com certeza, mais cedo ou mais tarde muito nos ajudarão ou nos farão falta.


Francisco Rebouças