É natural no ser humano, educado conforme as convenções sociais, não raro, preocupa-se apenas com os valores imediatos e de respostas objetivas, concretas, que facultem alegrias momentâneas e fugazes. Todas as suas ambições giram em torno daquilo que pode se transformar em lucro imediato, cujos resultados atendam aos interesses existenciais, envolvendo-se em novas buscas para favorecer-lhe prazer e poder mais grandiosos logo que acabe de efetuar sua última conquista.
A pressa do imediatismo transforma-se na única meta que persegue, e mesmo quando pensa no futuro, esse se lhe apresenta como sendo nova oportunidade de prosseguir granjeando e desfrutando tais concessões, que podem ser conseguidas através do poder aquisitivo do esforço sobrenatural, da utilização de falcatruas etc.. .
Não basta:
- que a gente esteja com saúde, queremos também ser magérrimos, sarados, irresistíveis;- que a gente tenha dinheiro para pagar o aluguel, a comida, e o cinema, queremos também a piscina olímpica, quadras de tênis, campo de futebol etc...;
A pressa do imediatismo transforma-se na única meta que persegue, e mesmo quando pensa no futuro, esse se lhe apresenta como sendo nova oportunidade de prosseguir granjeando e desfrutando tais concessões, que podem ser conseguidas através do poder aquisitivo do esforço sobrenatural, da utilização de falcatruas etc.. .
Não basta:
- que a gente esteja com saúde, queremos também ser magérrimos, sarados, irresistíveis;- que a gente tenha dinheiro para pagar o aluguel, a comida, e o cinema, queremos também a piscina olímpica, quadras de tênis, campo de futebol etc...;
- e quanto ao amor; não nos basta termos ao nosso lado uma pessoa amiga, que nos ame, com quem podemos dividir um pedaço de pizza, conversar etc... queremos AMOR todinho maiúsculo, queremos estar visceralmente apaixonados, queremos ser surpreendidos por declarações e presentes inesperados, queremos jantar à luz de velas de segunda a domingo, queremos enfim ser felizes assim e não de outro jeito, é o que dar ver tanta televisão.
Irracionalmente, acredita que toda sua existência deverá transcorrer em forma de agradável jornada de gozos e experiências compensadoras, sem dar-se conta dos acidentes naturais e dos problemas que dizem respeito à própria organização molecular na qual se encontra mergulhado.
O veículo carnal é sua fonte de prazer, e todas as suas energias são direcionadas para esse fim, vagas idéias da vida espiritual fazem parte de sua agenda de informações, dando-lhe um significado secundário, como se a mesma fosse uma ficção que merece vez por outra algum comentário nada sério.
Surpreendido porém pelos fenômenos biológicos ou psicológicos, que lhe constituem a maquinaria de uso, deixa-se arrastar pelos corredores estreitos dos conflitos ou da amargura em face do que observa naqueles que se lhe apresentam como tipos padrões que parecem não terem problemas, caindo muitas vezes em profunda depressão.
Essa miopia espiritual é responsável por larga faixa de depressivos, exaltados, toxicômanos, pervertidos, ansiosos, desequilibrados, que infestam a sociedade hodierna, em todas as sua camadas e em ambos os sexos.
Fazendo uso de uma óptica totalmente distorcida, esse indivíduo acredita-se credor da vida nunca dependente, e em cujos meandros deveria percorrer com diferente comportamento.
Não entende ainda, que a transitoriedade do corpo é, sem dúvida, uma bênção para o espírito, por que se encarrega de vencer a arrogância de uns e a supremacia de outros, o orgulho de alguns e a presunção de diversos, em razão de, a todos conduzir dentro das mesmas expressões de fragilidade e de necessidades equivalentes, não dando privilégio a quem quer que seja.
Esquecemos completamente de tentar ser felizes de forma mais realista. Ter um parceiro constante pode ou não ser sinônimo de felicidade; você pode ser feliz solteiro, com romances ocasionais, e até feliz sem parceiro nenhum.
Ter dinheiro é uma bênção, quem tem precisa aproveitá-lo, gastá-lo, usufruí-lo, não perder tempo juntando, juntando..., basta apenas o suficiente pára se sentir seguro, mas não aprisionado, escravo dele. Se agente tem pouco, é com esse pouco que devemos segurar a onda, buscando coisas que sejam de graça ou estejam ao nosso alcance com um pouco de humor, de fé e de criatividade.
O tempo na sua imutabilidade, devora todas as construções ilusórias, nações sucedem umas às outras, com as suas glórias e decadências, povos inteiros sucumbiram deixando os vestígios de suas atividades para estudos de suas formas de vida, homens e mulheres notáveis assinalaram seus momentos nessa história admirável, deixando suas histórias para a imortalidade.
Nossa meta a desenvolver deverá ter por finalidade a busca das conquistas do espírito imortal, de sua realidade mais profunda, aquela que diz respeito à conquista de si mesmo, como nos aconselhou um sábio da antiguidade: “conhece-te a ti mesmo”.
Buscar ser feliz de uma forma realista é trabalhar por fazer o possível e aceitar o improvável:- é fazer exercícios sem almejar perfeição;- trabalhar sem almejar o estrelismo;- amar sem almejar a plenitude.
Fazer o que for necessário para sermos felizes, é um direito de todos nós, buscar nossa melhoria é até mesmo um dever de cada ser humano, mas, não esqueçamos que a felicidade é um sentimento simples, que podemos encontrá-la e deixá-la ir embora sem nos darmos conta por não percebermos sua simplicidade.
A felicidade transmite paz, e não tormento, ansiedade, inquietude ao nosso coração, pois os sentimentos que de alguma forma nos intranqüilizam podem ser alegrias de momento, paixão, entusiasmo, mas nunca felicidade.
Francisco Rebouças.