Solidarity Spiritist Societ

terça-feira, 31 de dezembro de 2024

FELIZ 2025!!

Desejo aos meus familiares e amigos, que 2025 seja portador de incontáveis oportunidades para a construção de uma vida feliz, repleta de saúde, paz e progresso intelectual, moral e espiritual para todos!

Onde cada dia do novo ano, seja uma dádiva divina para ser aproveitada e desfrutada com equilíbrio, lucidez e dignidade, sob as diretrizes de uma conduta reta pautada na proposta contida no Evangelho de Jesus.

Que seus exemplos e ensinamentos sejam cultivados com todo cuidado e fidelidade para que nos garantam uma colheita saudável no sustento dos nossos melhores projetos de reformar para melhor nossos pensamentos palavras e atos, dedicando mais amor a Deus e ao nosso próximo.

Fico a rogar a Deus que nos conceda a realização dos nossos nobres objetivos na vida, e que a alegria seja estampada em cada rosto, espalhando confiança e fé nas promessas de Jesus de que nenhuma de suas ovelhas se perderá, pois todos marchamos para a felicidade e a pureza espiritual.

Feliz ano novo a todos!

Francisco Rebouças. 

 

domingo, 29 de dezembro de 2024

OPÇÃO PELA VIDA

Nos atuais dias turbulentos, aumenta, assustadora e consideravelmente, o número dos indivíduos que se negam a viver, a enfrentar os desafios e as dificuldades, fugindo por meio da ingestão de drogas alucinógenas, do álcool, dos excessos desvigorantes, ao prosseguimento da existência corporal.

Ao lado desses programas de autodestruição, surgem os casos dos suicídios psicológicos, nos quais as vítimas se enredam nas teias da depressão, da paranoia, da psicose, da esquizofrenia, sem valor moral para enfrentar os problemas e dificuldades que fazem parte da vida.

O suicídio é o ato sumamente covarde de quem opta por fugir, despertando em realidade mais vigorosa, sem outra alternativa de escapar.

A vida não se consome na morte física e o fenômeno biológico não é a expressão real do ser.

Como consequência, o ex-suicida reencarnado sempre traz as matrizes do crime perpetrado, sofrendo contínua tentação de repetir o delito, quando defrontado por dificuldade de qualquer natureza.

A consciência de responsabilidade e segurança não é brindada por automatismo, antes é adquirida a esforço pessoal ingente. Essa aquisição não é lograda de um golpe, mas no dia a dia, no hora a hora, através dos pequenos até alcançar os grandes lances.

O indivíduo deve optar por si mesmo, como escreveu Kierkegaard, o filósofo e teólogo dinamarquês do século XIX.

Optar por si mesmo significa o resultado de uma análise cuidadosa da vida e das suas finalidades extraordinárias, representando um esforço para viver, para descobrir-se que existe, e nada, jamais, pode destruir a sua realidade.

Descobrir-se como se é, e aceitar-se, constitui a opção por si mesmo, trabalhando-se para novos e futuros logros que levam ao cumprimento do seu destino de ser pensante, facultando o discernimento de realizar as suas aspirações fundamentais, essenciais.

É cômodo e trágico fugir psicologicamente da vida, jamais o conseguindo realmente.

O homem faz parte de um conjunto harmônico que constitui a Criação. A sua inarmonia dificulta a ordem, o equilíbrio geral, que ele deve esforçar-se por não desorganizar.

O egoísmo, filho da imaturidade, torna-o exigente quão ingrato, levando-o à rebeldia quando contrariado nas suas paixões infantis, o que lhe propicia as distonias psicológicas e os primeiros pensamentos a respeito do suicídio.

Por outro lado, aparecem indivíduos que se aferram aos objetivos que se lhes representam como vida: amar apaixonadamente alguém, cuidar de outrem, dedicar-se a um labor, a uma tarefa artística ou não, a um ideal ou a abnegação, e que, concluída a motivação, negam-se a viver, matando-se emocionalmente e sucumbindo depois...

Essas pessoas não optaram por si mesmas. Realizam um mecanismo de transferência, sem que hajam experimentado a beleza da vida e suas ulteriores finalidades.

Quem se considera livre para morrer assume um compromisso com a liberdade para viver.

A opção por si mesmo oferece uma alta responsabilidade para com a vida, um encanto novo para descobrir todas as belezas que estavam sombreadas pelo pessimismo, uma liberdade em alto grau de movimentação.

O amor se lhe expressa mais pleno, porque, amando a si mesmo, irradia este sentimento em todas as direções e preenche todos os vazios íntimos com alegria e realização, mediante a autodisciplina, que se lhe torna guia eficaz dos pensamentos e atos libertadores.

Livro: Momentos de Iluminação, cap. 3

Divaldo Pereira Franco/Joanna de Ângelis

sexta-feira, 27 de dezembro de 2024

É tempo de natal com Jesus!

 

Naturalmente que o clima do mês de dezembro é bem propício às festividades que tomam conta do espírito de todos nós, Cristãos, pela alegria que invade nossos corações nessa época.

Mesmo assim, ainda existem muitas criaturas que sequer atentam para as suas origens e o seu real significado, que vai muito além da cultura criada de trocar de presentes, que em muitas comunidades supera o real motivo das comemorações natalinas, que é a chegada do enviado de Deus para nos felicitar com a Boa Nova celeste.

O Natal do verdadeiro espírita é aquele que comemora o nascimento de Jesus por ser ELE o Espírito do mais alto conteúdo moral e espiritual que a Terra já recebeu. Que veio ensinar aos homens o real significado da palavra amor.

Muito mais que ensinar, exercitou seus fundamentos na prática, metendo mãos à obra para mostrar o caminho da verdadeira felicidade que não depende da quantidade de valores materiais dos quais alguém possa dispor, muito ao contrário, veio incentivar justamente o desapego às coisas mundanas para o desenvolvimento e conquista dos bens que facultam a elevação espiritual somente possível pela prática e vivência da caridade.

O nascimento ocorrido na manjedoura há dois mil e vinte e quatro anos atrás trouxe à humanidade a mais alta esperança e a inequívoca comprovação da grandiosidade do Criador e de seu amor, justiça e misericórdia infinitos.

Em sendo nosso Mestre e Guia, Jesus é o exemplo de purificação máxima do Espírito. Com ele recebemos a boa nova do Pai de que somos perfectíveis, e, após traçarmos a nossa marcha evolutiva, chegaremos à elevação de Espíritos Puros, tal qual conquistada ao longo das suas multimilenárias existências, conforme nos esclareceram os Espíritos Superiores na pergunta que segue: 625. Qual o tipo mais perfeito que Deus tem oferecido ao homem, para lhe servir de guia e modelo?

“Jesus.” – (Kardec, Allan em O Livro dos Espíritos, FEB. 76ª edição.)

Sobre a excelência desse SER, ouçamos o que nos fala Joanna de Ângelis:

“No atual estágio da Psicologia profunda, um estudo da personalidade de Jesus não se torna conclusivo, por ausência de agudeza, recursos técnicos e profundidade de entendimento da Sua respeitável Doutrina, que vem abrindo expressivos espaços em torno da compreensão da criatura humana integral.

As fontes disponíveis para a coleta de dados e análise profunda são as narrações evangélicas, insuficientes, pelo referir-se aos Seus ditos e ações mediante linguagem especial, às vezes vitimada por interpolações, deturpações, enxertos perniciosos, que lhes descaracterizam a exatidão.

Não se encontram relatos históricos, dados precisos, porém informações, algumas delas fragmentárias.

De todo o acervo, no entanto, se depreende haver sido Ele incomum.

Sua energia expressava-se com brandura.

Sua bondade manifestava-se sem pieguismo.

Sua coragem exteriorizava-se como valor moral que nada temia.

Seu amor abrangia todos os seres, sem deixar-se arrastar pelos sentimentalismos banais e desequilibrados.

Sua sabedoria irradiava-se, sem constranger os ignorantes.

Sua gentileza cativava, sem deixar distúrbios na emoção do próximo.

Era severo, não brutal; afável, não conivente; nobre, não orgulhoso; humilde, não verbal.

N’Ele coexistem as naturezas psicológicas ânima e ânimus em perfeita sintonia. (…)

(…) Faltam, portanto, parâmetros, paradigmas para penetrar o pensamento de Jesus e entender-Lhe a vida, rica e enriquecedora, complexa e desafiadora. (…)

(…) Somente indo até Ele e deixando-se penetrar pela Sua Realidade, poderá a Psicologia profunda entendê-lO sem O definir, estudá-lO sem O limitar.

(Franco, Divaldo Pereira, Livro: Desperte e seja feliz, pelo Espírito Joanna de Ângelis, cap. O Homem Jesus.)

A celebração do Natal pelo espírita, é o vivo exercício da caridade e do amor de Deus para conosco e com todos, esforçando-nos para ao nosso nível de entendimento, capacidade e possibilidade a exemplo de tudo o que O Mestre realizou, fazer brilhar a nossa luz no mundo não apenas no Natal, mas em todos os dias de nossas vidas, como nos propôs Jesus ao resumir para nossa melhor compreensão as Leis e os profetas em “Amar a Deus sobre todas as coisas e ao próximo como a nós mesmos”. (Mateus 22:37-39).

Invistamos nisto e que Deus nos guie e ilumine em nossos melhores propósitos!

Francisco Rebouças

 

Feliz Natal !

O Francisco Rebouças - Espiritista deseja a todos os estimados amigos que nos prestigiam com a amizade e confiança na divulgação da mensagem consoladora e esclarecedora da Doutrina Espírita, aqui em nosso Blog Espírita, que o o Senhor Jesus esteja em cada lar abençoando e iluminando a todos, conduzindo-os pelos caminhos do progresso moral espiritual em busca da felicidade e da paz que todos almejamos alcançar.

Que nos ajude a desenvolver a caridade e a compaixão que hão de transformar o nosso planeta em uma morada melhor.
















FELIZ NATAL COM JESUS NA MENTE E NO CORAÇÃO DE TODOS NÓS!

domingo, 15 de dezembro de 2024

Entender a verdade só através do estudo

“Não amemos de palavra, nem de língua, mas por obras e em verdade.” – João (I João, 3:18).

Preciso se faz verificar com atenção que o homem velho, preso e escravizado pelos impulsos da animalidade primitiva, será sempre um repertório de insensatez.

No discurso da verdade é onde a sua atitude transpõe todos os limites do absurdo. Propaga a paz, fomentando a guerra; fala em amor, alimentando o ódio; prega a concórdia, alastrando a desunião entre as criaturas; jura sinceridade, mentindo descaradamente.

Vive cobrando dos outros atitudes que não se esforça por ofertar a ninguém, espera conseguir sem qualquer esforço a iluminação espiritual sem trabalho de elevação íntima, sem o devido cuidado e respeito com a Lei do Progresso que nos exige sacrifício e renovação.

Espera conseguir a passagem do plano inferior para o superior espiritualmente falando, gratuitamente por obra de um milagre, como se o conhecimento divino fosse prêmio à ociosidade.

  1. Não haverá paixões tão vivas e irresistíveis, que a vontade seja impotente para dominá-las?

“Há muitas pessoas que dizem: Quero, mas a vontade só lhes está nos lábios.

Querem, porém muito satisfeitas ficam que não seja como “querem”. Quando o homem crê que não pode vencer as suas paixões, é que seu Espírito se compraz nelas, em consequência da sua inferioridade. Compreende a sua natureza espiritual aquele que as procura reprimir.

Vencê-las é, para ele, uma vitória do Espírito sobre a matéria.”

Kardec, Allan. O Livro dos Espíritos, FEB 76ª edição.

Justo atentar para o fato de que assim como os que não trabalham no mundo da carne são indignos do pão do corpo, também os descuidados do entendimento pela elevação intelectual e moral não são dignos do pão do espírito.

O indivíduo que deseja com sinceridade modificar-se para melhor, precisa começar por desenvolver o hábito da autoanálise, buscar conhecer-se melhor para, daí por diante, identificar onde deve melhorar-se e buscar corrigir seus maus costumes e as demais ideias negativas em todos os sentidos.

Aqueles que desejarem penetrar o segredo das horas para a realização de suas mais sagradas e elevadas propostas de crescimento moral e espiritual com a execução gradual de seus projetos, necessitam de disposição para que se modifiquem perante os semelhantes, dignificando as atitudes, que lhes alimentam o espírito nos mais altos padrões de serviço no bem.

A caridade e a fraternidade profundamente sentidas e sinceramente vividas, conforme nos esclarecem os Espíritos Superiores, são as chaves para a conquista da vitória do Espírito sobre a matéria pois, sem elas, só há sombra, indiferença e treva no santuário dos nossos corações.

Francisco Rebouças

quinta-feira, 12 de dezembro de 2024

Estudando a Doutrina Espírita

Polêmica espírita

Revista Espírita, novembro de 1858

Várias vezes perguntaram-nos por que não respondemos, em nosso jornal, aos ataques de certas folhas dirigidos contra o Espiritismo em geral, contra seus partidários, e, algumas vezes mesmo, contra nós. Cremos que, em certos casos, o silêncio é a melhor resposta.

Aliás, há um gênero de polêmica do qual fizemos uma lei nos abstermos, e é aquela que pode degenerar em personalismo; não somente ela nos repugna, mas nos toma um tempo que podemos empregar mais utilmente, e seria muito mais interessante para nossos leitores, que assinam para se instruírem, e não para ouvirem diatribes, mais ou menos espirituais; ora, uma vez iniciados nesse caminho, seria difícil dele sair, por isso preferimos não entrar e pensamos que o Espiritismo, com isso, não pode senão ganhar em dignidade. Não temos, até o presente, senão que nos aplaudir por nossa moderação; dela não nos desviaremos, e não daremos jamais satisfação aos amadores de escândalo.

Mas, há polêmica e polêmica; e há uma diante da qual não recuaremos jamais, que é a discussão séria dos princípios que professamos. Entretanto, aqui mesmo há uma distinção a fazer; se não se trata senão de ataques gerais, dirigidos contra a Doutrina, sem outro fim determinado que o de criticar, e da parte de pessoas que têm um propósito de rejeitar tudo o que não compreendem, isso não merece que deles se ocupe; o terreno que o Espiritismo ganha, cada dia, é uma resposta suficientemente peremptória, e que deve provar-lhes que seus sarcasmos não produziram grande efeito; também notamos que a sequência ininterrupta de gracejos, dos quais os partidários da Doutrina eram objeto recentemente, se apaga pouco a pouco; pergunta-se, quando se veem tantas pessoas eminentes adotarem essas ideias novas, se há do que se rir; alguns não riem senão com desprezo e por hábito, muitos outros não riem mais de tudo e esperam.

Notamos ainda que, entre os críticos, há muitas pessoas que falam sem conhecer a coisa, sem terem se dado ao trabalho de aprofundá-la; para responder-lhes seria preciso, sem cessar, recomeçar as explicações mais elementares, e repetir o que escrevemos, coisa que cremos inútil. Não ocorre o mesmo com aqueles que estudaram, e que não compreenderam

tudo, aqueles que querem seriamente se esclarecer, que levantam as objeções com conhecimento de causa e de boa fé; sobre esse terreno aceitamos a controvérsia, sem nos gabar de resolvermos todas as dificuldades, o que seria muita presunção. A ciência espírita está no seu início, e ainda não nos disse todos os seus segredos, por maravilhas que nos haja revelado. Qual é a ciência que não tem ainda fatos misteriosos e inexplicados?

Confessaremos, pois, sem nos envergonharmos, nossa insuficiência sobre todos os pontos aos quais não nos for possível responder. Assim, longe de repelir as objeções e as perguntas, nós as solicitamos, contanto que não sejam ociosas e nos façam perder nosso tempo em futilidades, porque é um meio de se esclarecer.

Aí está o que chamamos uma polêmica útil, e o será sempre quando ocorrer entre duas pessoas sérias, que se respeitarem bastante para não se afastarem das conveniências. Pode-se pensar diferentemente, e, com isso, não se estimar menos. Que procuramos nós todos, em definitivo, nessa questão tão palpitante e tão fecunda do Espiritismo? Esclarecer-nos; nós, primeiramente, procuramos a luz, de qualquer parte que ela venha, e, se emitimos a nossa maneira de ver, isso não é senão uma opinião individual que não pretendemos impor a ninguém; nós a entregamos à discussão, e estamos prontos para renunciá-la, se nos for espirita.

Kardec, Allan - Revista Espírita, novembro de 1858 

O HOMEM ANTE A VIDA

No crepúsculo da civilização em que rumamos para a alvorada de novos milênios, o homem que amadureceu o raciocínio supera as fronteiras da inteligência comum e acorda, dentro de si mesmo, com interrogativas que lhe incendeiam o coração.

Quem somos?

Donde viemos?

Onde a estação de nossos destinos?

À margem da senda em que jornadeia, surgem os escuros estilhaços dos ídolos mentirosos que adorou e, enquanto sensações de cansaço lhe assomam à alma enfermiça, o anseio da vida superior lhe agita os recessos do seu, qual braseiro vivo do ideal, sob a espessa camada de cinzas do desencanto.

Recorre à sabedoria e examina o microcosmo em que sonha.

Reconhece a estreiteza do círculo em que respira.

Observa as dimensões diminutas do Lar Cósmico em que se desenvolve.

Descobre que o Sol, sustentáculo de sua apagada residência planetária, tem um volume de 1.300.000 vezes maior que o dela.

Aprende que a Lua, insignificante satélite do seu domicílio, dista mais de 380.000 quilômetros do mundo que lhe serve de berço.

Os Planetas vizinhos evolucionam muito longe, no espaço imenso.

Dentre eles, destaca-se Marte, distante de nós cerca de 56.000.000 de quilômetros na época de sua maior aproximação.

Alongando as perquirições, além do nosso Sol, analisa outros centros de vida.

Sírius ofusca-lhe a grandeza.

Pólux, a imponente estrela do Gêmea, eclipsa-o em majestade.

Capela é 5.800 vezes maior.

Antares apresenta volume superior.

Canópus tem um brilho oitenta vezes superior ao do Sol.

Deslumbrado, apercebe-se de que não existe vácuo, de que a vida é patrimônio de gota dágua, tanto quanto é a essência dos incomensuráveis sistemas siderais, e, assombrado ante o esplendor do Universo, o homem que empreende a laboriosa tarefa do descobrimento de si mesmo volta-se para o chão a que se imanta e pede ao amor que responda à soberania cósmica, dentro da mesma nota de grandeza, todavia, o amor no ambiente em que ele vive é ainda qual milagrosa em tenro desabrochar.

Confinado ao reduzido agrupamento consanguínea a que se ajusta ou compondo a equipe de interesses passageiros a que provisoriamente se enquadra, sofre a inquietação do ciúme, da cobiça, do egoísmo, da dor. Não sabe dar sem receber, não consegue ajudar sem reclamar e, criando o choque da exigência pra os outros, recolhe dos outros os choques sempre renovados da incompreensão e da discórdia, com raras possibilidades de auxiliar e auxiliar-se.

Viu a Majestade Divina nos Céus e identifica em si mesmo a pobreza infinita da Terra.

Tem o cérebro inflamado de glória e o coração invadido de sombra.

Orgulha-se, ante os espetáculos magnificentes do Alto e padece a miséria de baixo.

Deseja comunicar aos outros quanto apreendeu e sentiu na contemplação da vida ilimitada, mas não encontra ouvidos que o entendam.

Repara que o Amor, na Terra, é ainda a alegria dos oásis fechados.

E, partindo os elos que o prendem à estreita família do mundo, o homem que desperta, para a grandeza da Criação, perambula na Terra, à maneira do viajante incompreendido e desajustado, peregrino sem pátria e sem lar, a sentir-se grão infinitesimal de poeira nos Domínios Celestiais.

Nesse homem, porém, alarga-se a acústica da alma e, embora os sofrimentos que o afligem, é sobre ele que as Inteligências Superiores estão edificando os fundamentos espirituais de Nossa Humanidade.

Livro Roteiro, cap. 1

Chico Xavier/Emmanuel.