12/11/2023
Vencer nossos vícios, quaisquer que sejam, não é fácil, mas é sempre possível, desde que verdadeiramente desejemos. Sobre essa verdade, encontramos nos ensinamentos dos Imortais do Mundo Superior, contidos na doutrina espírita o que segue:
Não haverá paixões tão vivas e irresistíveis, que a vontade seja impotente para dominá-las?
“Há muitas pessoas que dizem: Quero, mas a vontade só lhes está nos lábios.
Querem, porém muito satisfeitas ficam que não seja como “querem”. Quando o homem crê que não pode vencer as suas paixões, é que seu Espírito se compraz nelas, em consequência da sua inferioridade. Compreende a sua natureza espiritual aquele que as procura reprimir.
Vencê-las é, para ele, uma vitória do Espírito sobre a matéria.” (O Livro dos Espíritos, FEB.77ª edição, questão 911).
O que acontece é que nos afeiçoamos com o mau hábito e não nos preocupamos em sair dessa situação de comodidade, pois a mudança nos impõe sempre muito incômodo e trabalho e quase sempre não estamos dispostos a sacrifícios.
Estamos reencarnados para nos aperfeiçoar, isto é, crescer intelectual, moral e espiritualmente pois o progresso é Lei Divina e todos estamos incursos nesse processo. Para seguir Jesus nosso Mestre e Guia, precisamos nos aprimorar nas lições contidas em seu evangelho desenvolvendo os talentos dos quais todos somos portadores.
Urge investir nos bens do Espírito Imortal, que são a simplicidade, a humildade, a caridade e em todas as virtudes que nos acompanharão quando da nossa volta à verdadeira vida que é a vida espiritual valores que nem os ladrões, nem as traças nem a ferrugem conseguem nos subtrair.
“INSTRUÇÕES DOS ESPÍRITOS
A afabilidade e a doçura
A benevolência para com os seus semelhantes, fruto do amor ao próximo, produz a afabilidade e a doçura, que lhe são as formas de manifestar-se. Entretanto, nem sempre há que fiar nas aparências. A educação e a frequentação do mundo podem dar ao homem o verniz dessas qualidades. Quantos há cuja fingida bonomia não passa de máscara para o exterior, de uma roupagem cujo talhe primoroso dissimula as deformidades interiores! O mundo está cheio dessas criaturas que têm nos lábios o sorriso e no coração o veneno; que são brandas, desde que nada as agaste, mas que mordem à menor contrariedade; cuja língua, de ouro quando falam pela frente, se muda em dardo peçonhento, quando estão por detrás. (grifamos)
A essa classe também pertencem esses homens, de exterior benigno, que, tiranos domésticos, fazem que suas famílias e seus subordinados lhes sofram o peso do orgulho e do despotismo, como a quererem desforrar-se do constrangimento que, fora de casa, se impõem a si mesmos. Não se atrevendo a usar de autoridade para com os estranhos, que os chamariam à ordem, acham que pelo menos devem fazer-se temidos daqueles que lhes não podem resistir. Envaidecem-se de poderem dizer: “Aqui mando e sou obedecido”, sem lhes ocorrer que poderiam acrescentar: “E sou detestado.” (grifamos)
Não basta que dos lábios manem leite e mel. Se o coração de modo algum lhes está associado, só há hipocrisia. Aquele cuja afabilidade e doçura não são fingidas nunca se desmente: é o mesmo, tanto em sociedade, como na intimidade. Esse, ao demais, sabe que se, pelas aparências, se consegue enganar os homens, a Deus ninguém engana.” – Lázaro. (Paris, 1861.) (O Evangelho Segundo o Espiritismo, cap. IX, item 6.
Útil não esquecer de que colheremos, infalivelmente, aquilo que houvermos semeado, se hoje sofrendo, é porque estamos colhendo os frutos amargos das sementeiras errôneas do passado. Pois essa razão vale a pena observar o que estamos semeando no presente, pois ninguém conquistará o Reino de Deus com aparências exteriores.
Francisco Rebouças