São
incontáveis os exemplos de trabalhadores que com suas pequenas contribuições
impulsionam o homem e a sociedade em que se movimenta em direção do bem e do
progresso, através do trabalho e dos sacrifícios que nem sempre são percebidos,
mas sem os quais, o caos se estabeleceria avassalador.
Muitos indivíduos possuidores de notáveis conteúdos
intelectuais preferem estabelecer domínio sobre os outros através de discussões
improfícuas, onde exibem seus dotes intelectuais, desperdiçando tempo que poderia
ser utilizado de forma útil aplicado nas ações de relevante necessidade para o
bem e o crescimento de todos.
Aquele que ainda não pode mostrar-se capaz de
realizações grandiosas por falta de recursos, terá sempre à sua disposição
inúmeras oportunidades de exercer a caridade nas pequenas e necessárias ações
de valor inestimável para quem as recebe.
Se não pode matar a fome de todos os famintos que
conhece, pode atender perfeitamente a um ou dois de tantos necessitados; se não
possui dinheiro para comprar o remédio para o doente, pode socorrê-lo com sua
companhia e ajuda no que for possível; não sendo possível acabar com a miséria,
é sempre possível a quem desejar minorá-la.
“Sede bons e caridosos: essa a chave dos céus,
chave que tendes em vossas mãos.
Toda a eterna felicidade se contém neste preceito:
“Amai-vos uns aos outros.” Não pode a alma elevar-se às altas regiões
espirituais, senão pelo devotamento ao próximo; somente nos arroubos da
caridade encontra ela ventura e consolação. Sede bons, amparai os vossos
irmãos, deixai de lado a horrenda chaga do egoísmo. Cumprido esse dever,
abrir-se-vos-á o caminho da felicidade eterna. Ao demais, qual dentre vós ainda
não sentiu o coração pulsar de júbilo, de íntima alegria, à narrativa de um ato
de bela dedicação, de uma obra verdadeiramente caridosa? Se unicamente
buscásseis a volúpia que uma ação boa proporciona, conservar-vos-íeis sempre na
senda do progresso espiritual. Não vos faltam os exemplos; rara é apenas a
boa-vontade. Notai que a vossa história guarda piedosa lembrança de uma
multidão de homens de bem.
Não vos disse Jesus tudo o que concerne às virtudes
da caridade e do amor? Por que desprezar os seus ensinamentos divinos? Por que
fechar o ouvido às suas divinas palavras, o coração a todos os seus bondosos
preceitos? Quisera eu que dispensassem mais interesse, mais fé às leituras
evangélicas. Desprezam, porém, esse livro, consideram-no repositório de
palavras ocas, uma carta fechada; deixam no esquecimento esse código admirável.
Vossos males provêm todos do abandono voluntário a que votais esse resumo das
leis divinas. Lede-lhe as páginas cintilantes do devotamento de Jesus, e
meditai-as…” (1)
As possibilidades de ser útil e auxiliar ao próximo
são infinitas e sábios são todos aqueles que aproveitam os parcos recursos de
que são portadores para dividir com o seu irmão de caminhada evolutiva
contribuindo para a sua felicidade. Todo aquele que se conscientiza dessa
realidade, vive conforme as condições que a vida lhe apresenta, conquistando
tesouros morais, que nem a ferrugem, nem os ladrões, nem as traças podem
subtrair-lhe os benefícios para sua plenitude.
Francisco Rebouças
Referência:
(1) Kardec, Allan. O Evangelho
Segundo o Espiritismo, FEB 112ª edição. Cap. XIII, item 12.
