Na casa de meu
Pai há muitas moradas; se não fosse assim, eu vo-lo teria dito.” – João 14:1,2.
Encontramos
no Evangelho Segundo o Espiritismo no Cap. III, item 3, o que segue: Diferentes
categorias de mundos habitados.
“Do
ensino dado pelos Espíritos, resulta que muito diferentes umas das outras são
as condições dos mundos, quanto ao grau de adiantamento ou de inferioridade dos
seus habitantes. Entre eles há-os em que estes últimos são ainda inferiores aos
da Terra, física e moralmente; outros, da mesma categoria que o nosso; e outros
que lhe são mais ou menos superiores a todos os respeitos. Nos mundos
inferiores, a existência é toda material, reinam soberanas as paixões, sendo
quase nula a vida moral. À medida que esta se desenvolve, diminui a influência
da matéria, de tal maneira que, nos mundos mais adiantados, a vida é, por assim
dizer, toda espiritual.”
Podemos
concluir daí, que a Terra ainda é um planeta muito distante da categoria dos
mundos adiantados em todos os seus aspectos, físico, intelectual, moral ou
espiritual. Por esse motivo, são muito comuns as misérias e sofrimentos tão
facilmente constatados em todos os seus limites, aliás, como podemos observar
nos ensinos dos Espíritos Superiores, “Os cataclismos gerais foram
consequência do estado de formação da Terra. “Hoje, não são mais as entranhas
do planeta que se agitam: são as da Humanidade”. (A Gênese, cap. XVIII,
item 7).
Os
habitantes que para aqui são enviados, arrastam consigo uma bagagem enorme de
hábitos impróprios e nocivos ao seu desenvolvimento e do planeta, adquiridos
nas incontáveis oportunidades de reencarnação não aproveitadas, onde
desenvolveu apenas seus apetites animalescos, na conquista dos bens e dos
títulos materiais, o que se reflete no ambiente espiritual de seus habitantes.
Assim, o indivíduo encarnado viciado continua a busca da realização dos seus baixos apetites, o que facilita a intervenção danosa de mentes desencarnadas que os utilizam como instrumentos para a satisfação de seus desejos inconfessáveis, os quais a mente encarnada aceita com facilidade sugestões e ordens daqueles com os quais se afinam.
“A
Humanidade atual, em seu aspecto coletivo, considerada mentalmente, ainda é a
floresta escura, povoada de monstruosidades.
Se
nos fundamentos evolutivos da organização planetária encontramos os animais
pré-históricos, oferecendo a predominância do peso e da ferocidade sobre
quaisquer outros característicos, nos alicerces da civilização do espírito
ainda perseveram os grandes monstros do pensamento, constituídos por energias
fluídicas, emanadas dos centros de inteligência que lhes oferecem origem.
Temos,
assim, dominando ainda a formação sentimental do mundo, os mamutes da
ignorância, os megatérios da usura, os iguanodontes da vaidade ou os
dinossauros da vingança, da barbárie, da inveja ou da ira.” (Chico Xavier, pelo Espírito Emmanuel.
Livro: Roteiro, cap. 30).
Somos
sabedores do papel que nos está confiado na obra da criação como cocriadores
que somos, conforme está muito bem explicado pelos Imortais da Vida Maior, no
Livro dos Espíritos conforme segue.
Objetivo
da encarnação
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- Qual o objetivo da encarnação dos Espíritos?
“Deus
lhes impõe a encarnação com o fim de fazê-los chegar à perfeição. Para uns, é
expiação; para outros, missão. Mas, para alcançarem essa perfeição, têm que
sofrer todas as vicissitudes da existência corporal: nisso é que está a
expiação. Visa ainda outro fim a encarnação: o de pôr o Espírito em
condições de suportar a parte que lhe toca na obra da criação. Para
executá-la é que, em cada mundo, toma o Espírito um instrumento, de harmonia
com a matéria essencial desse mundo, a fim de aí cumprir, daquele ponto de
vista, as ordens de Deus. É assim que, concorrendo para a obra geral, ele
próprio se adianta.”
Nota: A ação dos seres corpóreos é
necessária à marcha do Universo. Deus, porém, na Sua sabedoria, quis que nessa
mesma ação eles encontrassem um meio de progredir e de se aproximar Dele. Deste
modo, por uma admirável lei da Providência, tudo se encadeia, tudo é solidário
na Natureza. (Allan Kardec, O Livro dos Espíritos – FEB, 76ª edição).
No
livro Obras Póstumas de Allan Kardec, FEB. 13ª edição, Primeira Parte,
encontramos sob o título Profissão de fé Raciocinada – § III. CRIAÇÃO,
itens 15 a 19, o seguinte:
“15.
“A origem e o modo de criação dos Espíritos nos são desconhecidos; sabemos
somente que são criados simples e ignorantes, quer dizer, sem ciência e sem
conhecimento do bem e do mal, mas perfectíveis e com uma igualdade de aptidão
para tudo adquirir e tudo conhecer com o tempo. No princípio, estão numa
espécie de infância, sem vontade própria e sem consciência perfeita de sua
existência.”
16.
À medida que o espírito se afasta do ponto de partida, as ideias se desenvolvem
nele, como na criança, e com as ideias, o livre arbítrio, quer dizer, a
liberdade de fazer, ou não fazer, de seguir tal ou tal caminho, para o seu
adiantamento, o que é um dos atributos essenciais do Espírito.
17.
O objetivo final de todos os Espíritos é alcançar a perfeição, da qual a criatura
é suscetível; o resultado dessa perfeição é o gozo da felicidade suprema, que
lhe é a consequência, e à qual chegam, mais ou menos prontamente segundo o uso
que fazem de seu livre arbítrio.
18.
Os Espíritos são os agentes do Poder Divino; constituem a força inteligente da
Natureza e concorrem ao cumprimento dos objetivos do Criador para a
constituição da harmonia geral do Universo e das leis imutáveis da criação.
19.
Para concorrerem, como agentes do poder divino, na obra dos mundos
materiais, os Espíritos revestem, temporariamente, um corpo material.
Os
Espíritos encarnados constituem a Humanidade. A alma do homem é um Espírito
encarnado.”
Urge
portanto, que nós conhecedores das Leis Divinas tão primorosamente decifradas
nas páginas da codificação do espiritismo, apresentemo-nos ao serviço de divulgação
e vivência dos ensinamentos trazidos por Jesus nosso Mestre e Guia,
enfrentando a árdua tarefa de nossa reforma íntima com coragem e fé, para
servirmos de instrumentos úteis e dóceis à Espiritualidade Superior, visando
fazer a parte que nos cabe na transformação desse estado de coisas que também
exige nossa efetiva participação no Bom Combate de implantação do Evangelho no
coração de cada irmão nosso de caminhada evolutiva.
Jesus
nos sustente nesse nobre objetivo.
Francisco
Rebouças
