Por desconhecimento das verdades do espírito imortal em sua caminhada pela senda do progresso contida nos ensinamentos de Jesus, verdades essas que tiveram, têm e terão em todos os tempos inimigos tenazes, justamente por conterem os fundamentos da ordem, da moral e da ética nos relacionamentos instituídos nas Leis Divinas que regem os destinos dos seres humanos na terra conforme seus ensinos.
Entre tantos personagens de que trata o assunto, destacamos Saulo de Tarso, que era um homem disciplinado que zelava com rigor pela Lei Mosaica que seguia rigorosamente, tornou-se por esse motivo o maior perseguidor dos adeptos do Cristianismo nascente, até encontrar seu Mestre e se transformar em Paulo de Tarso.
“Em plena juventude, Paulo terçou armas contra as circunstâncias comuns, de modo a consolidar posição para impor-se no futuro da raça. Pelejou por sobrepujar a inteligência de muitos jovens que lhe foram contemporâneos, deixou colegas e companheiros distanciados. Discutiu com doutores da Lei e venceu-os. Entregou-se à conquista de situação material invejável e conseguiu-a.
Combateu por evidenciar-se no tribunal mais alto de Jerusalém e sobrepôs-se a velhos orientadores do povo escolhido. Resolveu perseguir aqueles que interpretava por inimigos da ordem estabelecida e multiplicou adversários em toda parte. Feriu, atormentou, complicou situações de amigos respeitáveis, sentenciou pessoas inocentes a inquietações inomináveis, guerreou pecadores e santos, justos e injustos…
Surgiu, contudo, um momento em que o Senhor lhe convoca o espírito a outro gênero de batalha — o combate consigo mesmo
Chegada essa hora, Paulo de Tarso cala-se e escuta…
Quebra-se-lhe a espada nas mãos para sempre.
Não tem braços para hostilizar e sim para ajudar e servir.
Caminha, modificado, em sentido inverso. Ao invés de humilhar os outros, dobra a própria cerviz.”
Sofre e aperfeiçoa-se no silêncio, com a mesma disposição de trabalho que o caracterizava nos tempos de cegueira.
É apedrejado, açoitado, preso, incompreendido muitas vezes, mas prossegue sempre, ao encontro da Divina Renovação.
Se ainda não combates contigo mesmo, dia virá em que serás chamado a semelhante serviço. Ora e vigia, prepara-te e afeiçoa o coração à humildade e à paciência. Lembra-te, meu irmão, de que nem mesmo Paulo, agraciado pela visita pessoal de Jesus, conseguiu escapar. (Chico Xavier, pelo Espírito Emmanuel. Livro Pão Nosso – FEB. 1ª edição especial, cap. 178.)
Jesus veio nos mostrar com seus exemplos que para a conquista da felicidade importa que encaremos os desafios propostos pela vida através do trabalho, da fé em Deus, da procura da iluminação interior educando-nos, vigiando e orando para domar nossas más inclinações.
“Seus discípulos amados virão de todos os quadrantes. Fora de suas luzes haverá sempre tempestade para o viajor vacilante da Terra que, sem o Cristo, cairá vencido nas batalhas infrutuosas e destruidoras das melhores energias do coração. Somente o seu Evangelho confere paz e liberdade. É o tesouro do mundo. Em sua glória sublime os justos encontrarão a coroa de triunfo, os infortunados o consolo, os tristes a fortaleza do bom ânimo, os pecadores a senda redentora dos resgates misericordiosos.
“É verdade que o não havíamos compreendido. No grande testemunho, os homens não entenderam sua divina humildade, e os mais afeiçoados o abandonaram. Suas chagas clamaram pela nossa indiferença criminosa.
Ninguém poderá eximir-se dessa culpa, visto sermos todos herdeiros das suas dádivas celestiais.” (…) (Chico Xavier, pelo Espírito Emmanuel. Livro Paulo e Estevão, cap. 5 – A pregação de Estevão).
Todos os credos e correntes religiosas adotam sinais de distinção para uso dos seus seguidores, Jesus também criou uma insígnia para os seus discípulos: o amor, de modo que eles se distinguissem inequivocamente dentre os demais, “Com isso todos saberão que vocês são meus discípulos, se vocês se amarem uns aos outros”. (Jesus – João, 13:35)
Francisco Rebouças
