Solidarity Spiritist Societ

domingo, 26 de março de 2023

A SUBIDA

MARIA DOLORES

Disse-nos o Senhor:

- “Quando quiser encontrar-me 

Tome a sua cruz e siga-me onde eu for..."

 

E um homem que o seguiu, sem queixa e sem alarme,

Observou que o lenho o constrangia...

Caminhou, mas não mais na antiga estrada.

A cruz era pesada

Na marcha, dia-a-dia...

 

Perdeu de vista a risonha paisagem,

Na qual usufruíra o amor de sua gente...

Precisava escalar rude montanha na viagem

E se reconhecia, a sós, agarrando-se à frente.

 

Embora a cruz lhe desse chagas e cicatrizes,

Conseguia falar, fraternalmente,

Reconfortando os tristes e infelizes...

Levantava os caídos,

Doava nova força aos fracos e aos doentes.

Consolava os leprosos esquecidos,

Regenerava os delinquentes...

Em muitos trechos da subida,

Tratavam-no por louco e davam-lhe pedradas...

Deprimiam-lhe a vida...

Quanto insulto e suplício nas estradas!...

 

 

No entanto, ele subia...

Trazia o Cristo em luz na própria mente.

Não tinha acessos de melancolia

E sim uma alegria diferente...

Mas chorava, por vezes, de cansaço,

Refazia-se, vendo o Azul do Imenso Espaço

E ouvindo a voz do Céu na voz dos passarinhos...

Alcançando, porém, o cimo da montanha

Notava-lhe os pés rasgados e sangrentos,

E o corpo lacerado

De atrozes sofrimentos...

Mesmo assim, agradeceu ao Cristo Amado

A viagem temível...

Para atingir o topo de alto nível...

 

Chegando ali, porém, vê, com assombro e atenção,

Que a Terra já não tem com ele ou sobre ele

O poder de atração...

Sentia-se envolvido em súbita leveza,

Respirando, feliz, a paz da natureza...

Reconhece que o tronco vertical do grande lenho,

E que os braços da cruz

Eram asas de luz...

 

Tentou andar, mas, sem querer,

Na alegria sublime que o invade,

O homem que seguira os passos do Senhor,

Planou além, no Além, buscando a Imensidade

Inflamado de amor.

Livro: Dádivas de Amor

Chico Xavier/Maria Dolores