Imaginemos um diálogo como o que segue.
Certo Mestre ouvia a pergunta do seu discípulo – Senhor, qual a maior certeza que temos na vida?
O Mestre responde com toda tranquilidade, a morte. Ninguém fica para semente.
O jovem demonstra toda sua decepção; é terrivelmente triste pensar que um dia a vida se extinguirá em nós…
O mestre o esclarece; a Vida é eterna, a morte é apenas a outra face da mesma vida.
O discípulo continua; deve ser muito triste para alguém que parte para o desconhecido.
O Mestre ressalta; precisamos considerar a possibilidade de poder regressar um dia, e ainda as facilidades que teremos sem as limitações físicas na espiritualidade.
O jovem aprendiz confessa o temor que sente pela morte.
O mestre lhe afirma: Isso é muito natural, temos o instinto de conservação e raros de nós conseguem desapegar-se dos bens e das situações que vivenciamos na vida física.
Sim, concorda o jovem acrescentando, principalmente dos entes queridos que tanto amamos.
O Mestre lhe assegura que a morte não desfaz os laços afetivos.
O jovem afirma, mas nos separa de quem amamos.
O Mestre lembra-lhe de que essa separação é transitória, porque nossos amados também morrerão.
O discípulo sorri e pergunta; quer dizer que tornarei a encontrá-los.
O Mestre então responde com ar de quem tem certeza; fatalmente.
O Amor é a força magnética das Almas. Quando se ama sinceramente permanecemos ligados para sempre.
O jovem prossegue; Não me conformo com o fato de perder tudo o que me esforcei por conquistar.
O Mestre lhe garante; As Virtudes e a Sabedoria que adquirimos são patrimônios que conduzimos conosco, sustentando nossa felicidade onde quer que estejamos.
Desse simples diálogo que imaginamos para dar vida a estas modestas reflexões, podemos afirmar que o contido no diálogo aqui exposto, estrutura-se nos ensinos ministrados pelos Imortais na elaboração da nossa doutrina espírita. Que a fórmula para chegarmos bem quando da nossa volta à Pátria verdadeira, é nos utilizarmos dos bens e das situações que a vida nos proporciona para a prática das boas ações, e o trabalho no bem.
“A moral é a regra de bem proceder, isto é, de distinguir o bem do mal. Funda-se na observância da lei de Deus. O homem procede bem quando tudo faz pelo bem de todos, porque então cumpre a lei de Deus.”
“O bem é tudo o que é conforme à lei de Deus; o mal, tudo o que lhe é contrário.
Assim, fazer o bem é proceder de acordo com a lei de Deus. Fazer o mal é infringi-la.”
“Sim, quando crê em Deus e o quer saber. Deus lhe deu inteligência para distinguir um do outro.”
“Jesus disse: vede o que queríeis que vos fizessem ou não vos fizessem. Tudo se resume nisso. Não vos enganareis.”
“Quando comeis em excesso, verificais que isso vos faz mal. Pois bem, é Deus quem vos dá a medida daquilo de que necessitais. Quando excedeis dessa medida, sois punidos. Em tudo é assim. A lei natural traça para o homem o limite das suas necessidades.
Se ele ultrapassa esse limite, é punido pelo sofrimento. Se atendesse sempre à voz que lhe diz – basta, evitaria a maior parte dos males, cuja culpa lança à Natureza.”
“Não; cumpre-lhe fazer o bem no limite de suas forças, porquanto responderá por todo mal que haja resultado de não haver praticado o bem.”
“Não há quem não possa fazer o bem. Somente o egoísta nunca encontra ensejo de o praticar. Basta que se esteja em relações com outros homens para que se tenha ocasião de fazer o bem, e não há dia da existência que não ofereça, a quem não se ache cego pelo egoísmo, oportunidade de praticá-lo. Porque, fazer o bem não consiste, para o homem, apenas em ser caridoso, mas em ser útil, na medida do possível, todas as vezes que o seu concurso venha a ser necessário.” (O Livro dos Espíritos. FEB, 62ª edição).
De modo especial no grupo doméstico em que a Soberana Sabedoria do Universo nos situou, é que precisamos empregar os nossos melhores recursos, investindo na melhoria e crescimento do nosso grupo familiar, e tendo em mente que a existência humana é um ínfimo momento na vida Eterna do Ser imortal, e que se ainda nem conseguimos nos harmonizar com o nosso grupo mais íntimo, quando estaremos preparados para o convívio com a família universal da qual fazemos parte integrante, como irmãos filhos do mesmo Pai?
O maior empecilho para o homem é que em geral pretendemos fazer da vida física uma busca incessante da posse dos bens e títulos materiais, deixando-nos escravizar pelas paixões e interesses mundanos, negligenciando os compromissos intelectuais e morais assumidos na espiritualidade antes da reencarnação.
É muito importante não esquecer que não temos conhecimento de quando seremos convocados para voltarmos à vida espiritual, por isso é prudente saber aproveitar o dia de hoje, vivendo como se fosse o último, a final, embora não desejamos que seja, nada nos garante o contrário.
Francisco Rebouças
