1ª Parte, cap. III, item 11
Quando nos referirmos aos mundos superiores, recordemos
que a Terra, um dia, formará entre eles, por estância divina. Atualmente, no
entanto, apesar das magnificências que laureiam a civilização em todos os continentes,
não podemos alhear-nos do preço que pagará pela promoção.
Sem dúvida, os campos ideológicos da vida internacional
entrarão em conflitos encarniçados pelo domínio. As nuvens de ódio que se
avolumam, na psicosfera do Planeta, rebentarão em tormentas arrasadoras sobre
as comunidades terrestres. Contudo, as vibrações do sofrimento coletivo
funcionarão por radioterapia na esfera da alma, sanando a alienação mental dos
povos que sustentam as chagas da miséria, em nome da ideia de Deus, e daqueles
outros que pretendem extirpá-las, banindo a ideia de Deus das próprias
cogitações. Engenhos de extermínio desintegrarão os quistos raciais e as
cadeias que amordaçam o pensamento, remediando as agonias econômicas da
Humanidade e dissipando as correntes envenenadas do materialismo, a estender-se
por afrodisíaco da irresponsabilidade moral.
Enunciando, porém, semelhantes verdades, é forçoso
dizer que não somos profetas do belicismo, nem Cassandras do terror.
Examinamos simplesmente o quadro escuro que as nações
poderosas organizaram e que lhes atormenta, hoje, os gabinetes de governança,
ainda mesmo quando se esforçam por disfarçá-lo nos banquetes políticos e nos
votos de paz.
E, ao fazê-lo, desejamos apenas asseverar a nossa fé
positiva no grande futuro, quando o homem, superior a todas as contingências,
respirar, enfim, livre dos polvos da guerra que lhe sugam as energias e lhe
entornam inutilmente o sangue em esgotos de lágrimas.
Abrindo as estradas do espírito para essa era de luz,
abracemos a charrua do suor, pela vitória do bem, seja qual seja o nosso setor
de ação.
Obreiros da imortalidade, contemplaremos os habitantes
da Terra a emergirem de todos os escombros com que pretendam sepultar-lhes as
esperanças, elevando-se em direitura de outras plagas do Universo! E enquanto
nos empenhamos, cada vez mais, em largas dívidas para com a Ciência que nos
rasga horizontes e traça caminhos novos, vivamos na retidão de consciência,
fiéis ao Cristo, no serviço incessante de burilamento da alma, na certeza de
que, se a glorificação chega por fora, a verdadeira felicidade é obra de
dentro.
