Emmanuel
Meus amigos.
Sem sabedoria
não há caminho, mas sem amor não há luz.
Em verdade,
não podemos dispensar, em nossas cogitações doutrinarias, as lides da cultura
acadêmica, que nos facilitem a jornada para diante.
O livro, o
jornal, a tribuna, o gabinete, o laboratório e a pesquisa são forças imprescindíveis
à formação do homem espiritualizado da Nova Era. Entretanto, observando os
problemas complexos da atualidade, quando a Ciência erige catafalcos à própria
grandeza, intoxicando os valores intelectuais de todas as procedências, é imperioso
atender, acima de tudo, à sementeira do coração.
No amor
situou Jesus a metrópole viva do Evangelho.
Não podemos,
por isso, olvidar as nossas obrigações de operários da regeneração humana, que
precisa começar de nós mesmos, sob a direção da bondade infatigável, única
força que realmente nos melhorará, uns à frente dos outros.
Para nós, que
esposamos no Espiritismo Cristão a nossa cátedra e a nossa oficina, o santuário
de nossos princípios e o lar de nossos ideais, o serviço de assistência ao
espírito popular constitui sagrado labor. Espiritismo que auxilie as mães e as
crianças, os jovens e os velhos, os que lutam e sofrem, os que anseiam pela
melhoria própria e os que esperam o consolo da fé vigorosa e transformadora que
a Doutrina encerra em seus postulados de solidariedade e justiça, amor e
compreensão.
Entendemos a
importância das teorias e das predicações preciosas e sabemos que, sem o grupo
selecionado de instrutores, a lição se veria desfigurada em sua pureza; contudo,
em toda parte, nesta sombria e pesada hora que vamos atravessando na Terra, aflitivas
necessidades envenenam a vida. Em todos os lugares, a ignorância tripudia sobre
a dor, a indiferença lança doloroso sarcasmo à fé e o mal, aparentemente triunfante,
humilha o bem que se oculta.
No turbilhão
de conflitos que asfixiam as melhores aspirações do povo, é necessário sejamos
o apoio fraterno e providencial de quantos se colocam em busca de um roteiro
para as esferas mais altas.
Somos
naturalmente os braços multiplicados do Amigo Divino da Humanidade e, nessas
condições, é imprescindível nos movimentemos na execução dos nossos programas
de fraternidade legitima.
Esperam por
Jesus e, conseqüentemente, por nós outros, que detemos a presunção de
representá-lo, a criança sem agasalho moral, o doente sem coragem, os pais
aflitos, os servidores anônimos do progresso, os jovens carentes de auxilio, os
aprendizes vacilantes da fé, os transviados da experiência humana, os infelizes
irmãos nossos que o cipoal do crime entonteceu e arrojou a escuros
despenhadeiros, os sedentos de luz divina, as mães humildes que ajudam o
crescimento da prosperidade geral, os corações esquecidos nas zonas sombrias da
inquietação e da renúncia pelo bem de todos, e as almas nobres e generosas que
se apagam nos trilhos evolutivos, na defesa e na preservação do lar e na
consagração à gloria da felicidade comum... Jornadeiam, muitas vezes, sem
alegria e sem nome, na posição de romeiros da boa vontade...
Passam,
obscuros e dilacerados, buscando, porém, a Pátria Maior, para cuja grandeza volvem,
ansiosos, o olhar e o pensamento.
É nesses
companheiros da luta e do serviço que precisamos centralizar os nossos maiores
e melhores impulsos de ajudar, esclarecer e cooperar.
É nesse labor
de solidariedade efetiva que devemos concentrar as nossas atenções e
interesses, a fim de que o Espiritismo se transforme, por nossa conduta e por nossas
mãos, na força irresistível de restauração e socorro à coletividade.
Haverá, sim,
agora e sempre, a equipe dos investigadores que nos garanta o tesouro da
inteligência. Sitiados em gloriosos cenáculos da discussão e do estudo seguirão
entre pesquisas e hipóteses, assegurando os méritos intelectuais da escola e da
teoria; contudo, é forçoso reconhecer que nós outros, os seareiros do
Evangelho, necessitamos avançar despertos para as obras da verdadeira
confraternização.
O
Espiritismo, não duvideis, é a luz de uma nova renascença para o mundo inteiro.
Para que a sublime renovação se concretize, porém, é necessário nos convertamos
em raios vivos de sua santificante claridade, ajustando a nossa individualidade
aos imperativos no Infinito Bem.
Unamo-nos,
desse modo, em espírito e coração, no serviço a que estamos destinados.
Ajudemos.
E, convictos
de que o amor e a sabedoria constituem o alvo divino de nossa marcha,
asilemo-nos no templo da Boa Nova, afeiçoando a nossa existência, em definitivo,
aos exemplos do Mestre e Senhor, a beneficio da nossa redenção para sempre.
Psicografia
em Reunião Publica Data – 2-7-1951
Local – Centro
Espírita Amor ao Próximo, na cidade de Leopoldina, Minas.
Livro: Através do Tempo.
Chico Xavier/Emmanuel