Caros amigos, Resgatei esse artigo do Portal do Espírito.
Enviado em 30/07/2015 | Escrito por José Francisco Costa Rebouças.Tornou-se hábito
no meio Espírita a expressão Kardecista, como forma de identificar ou de diferenciar aquele seguidor do Espiritismo à luz da codificação, daquele
que mesmo se intitulando Espírita, jamais teve o cuidado de se informar sobre os
postulados da crença que diz professar.
Utilizam-se do
termo Espírita “Kardecista”, em lugar de simplesmente Espírita, com a preocupação de não serem confundidos com os seguidores da Umbanda, do
Candomblé e de outras tantas seitas. Tal prática, no entanto, ao invés de diferenciar os
verdadeiros seguidores da Doutrina Espírita, acabou criando uma ideia equivocada de que
poderia existir mais de uma maneira de ser Espírita, ou melhor mais de um tipo de
Espiritismo.
A palavra
Espírita, criada por Alan Kardec, para diferenciar do termo já existente espiritualista, veio para definir como espírita o seguidor das obras codificada pelo incomparável emissário da Divindade no Pentateuco, Livro dos Espíritos,
Livro dos Médiuns, Evangelho Segundo o Espiritismo, O Céu e o Inferno e na Gênese,
onde o fiel seguidor do Espiritismo busca as lições para a sua própria transformação como nos definiram os imortais no Evangelho Segundo o Espiritismo Capítulo XVII – item 4 “conhece-se o verdadeiro Espírita pela sua transformação
moral e pelos esforços que emprega em domar suas inclinações más”.
Seguindo esse
raciocínio, e as lições ali contidas, não precisaremos da utilização de qualquer subterfúgio para nos apresentarmos aos que nos perguntarem sobre a
nossa crença, pois nossa resposta estará na ponta da língua: Sou Espírita. Não cabe a nós maiores satisfações, como se tivéssemos que nos defender de ataques sobre
quaisquer tipos de práticas de que não fazemos uso.
Seguimos sim, os
ensinamentos contidos nas obras codificadas por Allan Kardec, mas somos Espíritas tão somente, visto que o próprio codificador nos afirma no
livro dos Espíritos (prolegômenos), “este livro foi escrito por ordem e mediante
ditado de Espíritos superiores, para estabelecer os fundamentos de uma filosofia
racional, isenta dos preconceitos do espírito de sistema. Nada contém que não seja a
expressão do pensamento deles e que não tenha sido por eles examinado. Só a ordem
e a distribuição metódica das matérias, assim como as notas e forma de algumas partes da redação constituem obra daquele que recebeu a missão de os publicar”.
Recorremos ainda
aos ensinamentos contidos no Capítulo I do Livro a Gênese que trata do Caráter da Revelação Espírita, no item 45, onde se pode ler: “a
primeira revelação teve em Moisés a sua personificação, a segunda no Cristo, a terceira
não a tem em indivíduo algum. As duas primeiras foram individuais, a
terceira coletiva.
Ela é coletiva no sentido de não ser feita ou dada como privilégio de pessoa
alguma; ninguém, por consequência, pode inculcar-se como seu profeta exclusivo; foi
espalhada simultaneamente, por toda a terra, a milhões de pessoas, de todas as idades e
condições, desde a mais baixa até a mais alta escala, conforme predição registrada pelo
autor dos Atos dos Apóstolos: “Nos últimos tempos, disse o Senhor, derramarei o meu
espírito sobre toda a carne; os vossos filhos e filhas profetizarão, os mancebos terão
visões, e os velhos, sonhos” (Atos,Cap.II,vv.17/18) ela não proveio de nenhum culto
especial, a fim de servir um dia, a todos, de ponto de ligação.
No Capítulo XVII,
item 40, ele afirma: “Não é uma doutrina individual, de concepção humana; ninguém pode dizer-se seu criador. É produto do ensino coletivo dos
espíritos, ao qual preside o Espírito de Verdade.
E logo após o
item 42 do mesmo capítulo, em sua nota de rodapé esclarece definitivamente: “Todas as doutrinas filosóficas e religiosas trazem o nome da individualidade
fundadora: o Mosaísmo, o Cristianismo, o Maometismo, o Budismo, o Cartesianismo, o
Furrierismo, São-Simonismo, etc. A palavra Espiritismo, ao contrário, não
lembra nenhuma personalidade; ela encerra uma ideia geral, que
indica, ao mesmo tempo, o caráter e o tronco multíplice da doutrina”.
Enxertar, por
tanto, o termo “Kardecista” na palavra Espírita, é aceitar que podem existir outros tipos de Espíritas, o que não é admissível, pois não
encontramos essa denominação em nenhuma das obras já citadas, e
ainda se abre a brecha para que os que se dizem seguidores do
espiritismo, sem levarem em conta os seus postulados apresentem-se sob denominações no mínimo
equivocadas diferentes pois da denominação dada pelo codificador aos seguidores da nova doutrina
constantes da introdução I do Livro dos Espíritos que estabelece: “Os adeptos do
Espiritismo serão, os Espíritas ou se quiserem os “Espiritistas”.
Por fim,
enfatizamos que nada temos contra essas outras maneiras de se seguir o Cristo, visto que o Mestre Maior de todos nós não é privilégio dos Espíritas, no entanto não podemos deixar de esclarecer àqueles que quiserem professar o
Espiritismo, que só o encontrarão unicamente na Codificação, e que nela não
existe outra denominação para nós adeptos sinceros da verdadeira doutrina
Espírita.
Francisco Rebouças.
