“Se alguém quer vier após mim, a si mesmo se negue, tome a sua cruz e siga-me” (Marcos 8:34).
Ao aproximar-se o início de um
novo ano a palavra mudança assume papel fundamental nas intenções das pessoas.
Mas, o que significa essa palavra tão utilizada por muita gente como
expectativa de transformar para melhor suas vidas?
O dicionário da língua portuguesa nos
apresenta o verdadeiro sentido da palavra Mudar como sendo: Remover, pôr em outro lugar, deslocar.
Alterar, modificar,
transformar, converter.
Trocar, substituir.
Não faltam promessas de
incontáveis criaturas que se dizem dispostas a realizar mudanças na forma de
vida que levam. Não se dão conta de que mudar a forma de se comportar para uma
vida diferente da que se leva, significa ter coragem para enfrentar um processo
longo, difícil e trabalhoso de modificar procedimentos arraigados em nossos comportamentos
por séculos.
Ninguém consegue se
transforma de uma hora para outra, simplesmente através de promessas e palavras
que o vento leva, é necessário que se tenha acima de tudo vontade e
determinação sinceras, para enfrentar nossas próprias barreiras individuais,
modificando o rumo dos caminhos e o jeito de caminhar.
“Em
vossos dias, a luta a cada momento recrudesce sobre a face do mundo; inúmeras
causas a determinam e Deus permite que ela seja intensificada, em benefício de
todos os seus filhos. Todas as classes são obrigadas a grandes trabalhos,
mormente aos trabalhos intelectuais, porquanto procuram, com afinco, a solução
da crise generalizada em todos os países.
Ponderando
a grande soma dos males atuais, buscam elas remédios para as suas preocupações,
espantadas com a situação econômica dos povos, cuja precariedade recai sobre a
vida das individualidades, multiplicando as suas angústias na luta pelo pão
cotidiano.
O
quadro material que existe na Terra não foi formado pela vontade do Altíssimo;
ele é o reflexo da mente humana, desvairada pela ambição e pelo egoísmo.
O
Céu admite apenas que o mundo sofra as consequências de tão perniciosos
elementos, porque a experiência é necessária como chave bendita que descerra as
portas da compreensão.
Cada um, pois, medite no quinhão de responsabilidades que lhe toca e não evite o trabalho que eleva para as Alturas.”(1)
Os Espíritos Superiores nos
esclarecem na questão seguinte do Livro dos Espíritos que depende
exclusivamente de nós realizarmos asmodificações em nossas vidas conforme
segue.
909. Poderia sempre o homem, pelos seus esforços, vencer as suas más inclinações?
“Sim, e, frequentemente, fazendo esforços muito insignificantes. O que lhe falta é a vontade. Ah! Quão poucos dentre vós fazem esforços!”(2)
É preciso que nos desapeguemos
dos achismos fruto do orgulho que ainda ostentamos que mudemos a maneira de
pensar, falar e agir, aceitando como normal os questionamentos dos nossos
opositores, entendendo que não somos donos da verdade etc., entre outras muitas
atitudes a modificar em nosso comportamento atual.
Sabemos que o Reino de Deus
não se conquista com aparências, que mudança verdadeira começa de dentro para
fora, precisamos assumir a responsabilidade que nos compete realizar em termos
de progresso intelectual, moral e espiritual, para contribuir para o avanço da
sociedade em que estamos inseridos.
Não somos Espíritos Elevados, e por essa razão Allan Kardec no Evangelho Segundo o Espiritismo nos informa o que define o verdadeiro espírita no mundo como o nosso:“Reconhece-se o verdadeiro espírita pela sua transformação moral e pelos esforços que emprega para domar suas inclinações más.” (3)
Não será possível realizar
avanços nesse sentido sem o enfrentamento das situações conflitivas que nos
sucedem diariamente. Não devemos continuar fugindo dos desafios
proveitosos e necessários ao nosso burilamento, que a vida nos oportuniza, enfrentando-os de
forma pacífica, respeitosa e inteligente, deixando de culpar o mundo e a vida
como se os problemas fossem exclusivamente culpa dos outros e não tivéssemos
nenhuma participação no que de negativo que nos acontece.
A sociedade hodierna prefere
adotar as exigências da ideia materialista dando um valor exagerado às conquistas
fáceis, superficiais, aparentes dos “espertos”, deixando de estimar os
verdadeiros valores que só as virtudes do Espírito Imortal nos há de propiciar,
aceitando a realidade de que tudo que hoje nos sucede são frutos amargos de
nossa plantação irresponsável de ontem, pois, sendo Deus infinitamente bom e
justo, o que nos acontece terá necessariamente uma causa que o justifique.
Na maioria das vezes, não
sabemos verdadeiramente o que devemos mudar em nosso comportamento, pois nos
acostumamos a jogar a responsabilidade dos nossos insucessos, nos outros na
vida no azar, nunca assumindo que em verdade a culpa é nossa.
919. Qual o meio prático mais eficaz que tem o homem de se melhorar nesta vida e de resistir à atração do mal?
“Um sábio da antiguidade vo-lo disse: Conhece-te a ti mesmo.”
a) - Conhecemos toda a sabedoria desta máxima, porém a dificuldade está precisamente em cada um conhecer-se a si mesmo. Qual o meio de consegui-lo?
“Fazei o que eu fazia, quando vivi na Terra:
ao fim do dia, interrogava a minha consciência, passava revista ao que fizera
e perguntava a mim mesmo se não faltara a algum dever, se ninguém tivera motivo
para de mim se queixar. Foi assim que cheguei a me conhecer e a
ver o que em mim precisava de reforma. Aquele que, todas as noites,
evocasse todas as ações que praticara durante o dia e inquirisse de si mesmo o
bem ou o mal que houvera feito, rogando a Deus e ao seu anjo de guarda que o
esclarecessem, grande força adquiriria para se aperfeiçoar, porque, crede-me,
Deus o assistiria. Dirigi, pois, a vós mesmos perguntas, interrogai-vos sobre o
que tendes feito e com que objetivo procedestes em tal ou tal circunstância,
sobre se fizestes alguma coisa que, feita por outrem, censuraríeis, sobre se
obrastes alguma ação que não ousaríeis confessar. Perguntai ainda mais: “Se
aprouvesse a Deus chamar-me neste momento, teria que temer o olhar de alguém,
ao entrar de novo no mundo dos Espíritos, onde nada pode ser ocultado?”
“Examinai o que pudestes ter
obrado contra Deus, depois contra o vosso próximo e, finalmente, contra vós
mesmos. As respostas vos darão, ou o descanso para a vossa consciência, ou
a indicação de um mal que precise ser curado.
“O conhecimento de si mesmo é, portanto, a chave do progresso
individual. (...)” (4).
Que tenhamos sabedoria para iniciar desde já nossa mudança de procedimento, deixando para trás os nocivos hábitos do homem velho que nos escraviza há milênios, para conceder oportunidade ao homem novo que precisa assumir as nossas novas proposições de evolução espiritual rumo à felicidade e a pureza que nos está destinada pelo nosso Pai amoroso e bom.
Bibliografia:
1 - Xavier, Francisco Cândido. FEB, 17ª edição, cap. V - A Necessidade da Experiência.
2– Kardec, Allan. O Livro dos
Espíritos - FEB, 76ª edição.
3 – Kardec, Allan. O Evangelho
Segundo o Espiritismo. FEB, 112ª edição, cap. XVII, item4.
4 – Kardec, Allan. O Livro dos
Espíritos - FEB, 76ª edição.
5- Grifos nossos.
Francisco Rebouças.
