Noutros casos o médium inexperto recebe, pela mesinha ou
pelo lápis, ditados subscritos por nomes célebres, contendo revelações
apócrifas que lhe captam a confiança e o enchem de entusiasmo. O inspirador
invisível, conhecendo-lhe os lados vulneráveis, lisonjeia-lhe o amor-próprio e
as opiniões, superexcita-lhe a vaidade, cumulando-o de elogios e prometendo-lhe
maravilhas. Pouco a pouco o vai desviando de qualquer outra influência, de todo
exame esclarecido, e o leva a se insular em seus trabalhos. É o começo de uma
obsessão, de um domínio exclusivista, que pode conduzir o médium a deploráveis
resultados.
Esses perigos foram, desde os primórdios do Espiritismo,
assinalados por Allan Kardec; todos os dias, estamos ainda vendo médiuns
deixarem-se levar pelas sugestões de Espíritos embusteiros e serem vítimas de
mistificações que os tornam ridículos e vêm a recair sobre a causa que eles
julgam servir. (...)
Livro: No Invisível – Cap. V - Educação e função dos médiuns.
Léon Denis.
